Evento de Tunguska
Por Emerson AlecrimNo mês passado, descobri no blog Microsiervos um link para o Astronomy Picture of the Day (APOD). Trata-se de um site da NASA que mostra uma imagem astronômica por dia, cada uma delas acompanhada de uma breve explicação. Como assino o RSS do APOD , diariamente vejo o conteúdo oferecido. Foi graças à imagem do dia 14 de novembro de 2007 que tomei conhecimento do espantoso Evento de Tunguska (Tunguska Event).
Aconteceu na manhã do dia 30 de junho de 1908, na Sibéria. Uma gigantesca bola de fogo foi vista cruzando o céu rapidamente e, instantes depois, houve uma monstruosa explosão (na verdade, uma seqüência de explosões) que, segundo o site APOD, foi cerca de mil vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. Uma área de mais de 2 mil quilômetros quadrados de floresta foi desvastada. A foto abaixo, tirada quase 20 anos depois do acontecimento e exibida no APOD, mostra um dos pontos atingidos.
Instantes após o acontecimento, alguns acreditavam que se tratava de um castigo divino. Outros, na chegada do fim do mundo. Houve também os que imaginaram se tratar do início de uma guerra ou, compreensivelmente, da continuação de uma. E as incertezas eram infinitas, pois muita coisa estranha aconteceu. Por exemplo, algumas regiões da Europa e da Ásia praticamente não tiveram noite e muitos relataram a ocorrência de luzes estranhas no horizonte. Apesar disso, não houve nenhum alarde de nível mundial, mesmo porque a região atingida era pouco habitada e a preocupação com os conflitos de guerra em outros locais eram maiores.
O assunto, na verdade, poderia até ter caído no esquecimento, se não fosse o trabalho de alguns pesquisadores, entre eles, Leonid Alexejewitsch Kulik. Especialista em meteoritos, Kulik começou as pesquisas sobre o assunto trabalhando com a hipótese de um meteorito ter se chocado contra a Terra. Na expectativa de encontrar a cratera oriunda do impacto, Kulik organizou uma expedição para explorar a região, isso em 1927 (foi desse trabalho que surgiu a foto mostrada acima e outras). O pesquisador não encontrou a tal cratera, mas se deparou com uma área estranhamente devastada, onde as árvores estavam totalmente inclinadas. É de esperar que essa inclinação tenha sido causada pela força da explosão, mas Kulik também encontrou árvores retorcidas em formato espiral, pontos isolados preservados totalmente, árvores que se mantiveram totalmente em pé, mas sem galhos e folhas, troncos e terrenos parcialmente queimados, entre outras coisas espantosas.
O fato é que, até hoje, não se tem certeza do que aconteceu. Kulik acreditou se tratar de um meteorito, outros pesquisadores trabalharam com a hipótese de um cometa, também houve os que atribuíram o evento a um pequeno buraco negro e até a uma nave extraterrestre. No entanto, a possibilidade do acontecimento ter sido causado por um teste de uma arma de destruição me chamou mais a atenção. Na época, supõe-se que um físico de nome Nikola Tesla - nada menos que o inventor, entre outras coisas, dos “circuitos trifásicos” - precisasse efetuar uma demonstração de sua arma (denominada “Raio da Morte”) para conseguir mais dinheiro para suas pesquisas. Sendo assim, ele disparou a sua arma para o Pólo Norte, mas algum erro fez com que a região atingida fosse Tunguska. Isso, até certo ponto, pode ter explicado o surgimento de fenômenos estranhos nos momentos seguintes após a explosão, como as visualizações de áreas luminosas no horizontes e as tais noites que viraram dia: sabe-se que o físico trabalhava inclusive com pesquisas que pudessem criar climas artificiais, e o material energético usado em seu invento poderia ter alguma influência disso.
Existem várias hipóteses para a ocorrência da explosão porque, embora cada uma seja acompanhada de explicações lógicas, nunca foi possível comprová-las totalmente. Se se trata de um meteorito, de um cometa ou de uma nave extraterrestre, onde estão os vestígios? A explosão (e as aparentes pequenas explosões que se seguiram) não deixaram rastro de qualquer material que pudesse indicar a sua causa. Até hoje surgem notícias de pesquisadores que teriam encontrado uma cratera ou restos de materiais que podem desvendar o mistério, mas nada, nada ainda foi comprovado.
Em 2008, o Evento de Tunguska completará uma século, comemorando 100 anos de dúvidas, incertezas e boatos. Para muitos, isso pode ser bom, pois alimenta toda a sensação de mistério existente em torno da história, mas para outros, especialmente para os pesquisadores, isso não tem tanta graça assim, afinal, se até hoje não se tem certeza do que aconteceu, como é que poderemos evitar que uma catástrofe igual ou pior ocorra novamente?
Referências: APOD, Instituto de Geociências da UFGRS, Tunguska Home Page (Universidade de Bolonha).
Ao som de Galadriel - Remenbrance.
10:59 | Interessante |


Sem contar que este evento foi reportado na serie Arquivo X, mais precisamente na 4a temporada.
Comentário por Rodrigo Reis — 18/11/2007 @ 21:57
Uau, parabéns a esse físico, conseguiu acobertar uma burrada dessa!!!!
Comentário por Alini — 19/11/2007 @ 12:28
Coisa de uns quatro anos atrás, eu trabalhava em uma Promotoria de Justiça e lá apareceu um cidadão que dizia ter inventado um moto-contínuo, enfim, um motor que depois de acionado não necessitava de combustível. Esse cidadão tinha histórico de uso de substâncias intorpecentes e batia na mãe, e alegava estar sendo perseguido pela Cia, FBI, Exercíto, etc. O que eu falei pra ele? Bem, eu disse: meu caro, vc está com sérios problemas psicológicos e tem de procurar ajuda médica, ou, na hipótese de o que estar me contando ser verdade, nada há para se fazer. E é por aí que nos situamos, ou ignoramos isso tudo, ou passamos por loucos, e pior, impotentes.
Comentário por Rurik — 6/1/2008 @ 4:44