O corpo de um jovem foi encontrado no adro da igreja de Alston, pendurado num espinheiro existente defronte à porta da igreja. Acima da porta havia uma estátua da Virgem Maria e do menino Jesus. Então os moradores de Alston foram ao castelo do Rei Corvo, em Newscatle, e o Rei Corvo enviou dois magos para fazerem a Virgem Maria e o Menino Jesus falar e contar de que forma um forasteiro havia matado o moço, embora o motivo fosse ignorado. A partir de então, toda vez que um forasteiro chegava à cidade, os moradores de Alston o forçavam a ir até a porta da igreja e perguntavam: “É ele”?, mas a Virgem Maria e o Menino Jesus sempre respondiam que não. Aos pés da Virgem Maria um leão e um dragão se enroscavam um no outro de forma intrigante, um mordendo o descoço do outro. O escultor dessas criaturas nunca vira um leão ou um dragão, mas tinha visto muitos cães e ovelhas, por isso porções do caráter de cão e ovelha integravam a escultura. Sempre que levavam um coitado até a Virgem Maria e o Menino Jesus para ser examinado, o leão e o dragão paravam de se morder e erguiam os olhos como estranhos guardas zelosos da Virgem Maria; o leão latia, o dragão balia raivosamente.
Anos decorreram e os moradores da cidade que se lembravam do moço já haviam morrido – e tudo indicava que o assassino também. Mas de algum modo a Virgem Maria e o Menino Jesus adquiriram o hábito de falar, e toda vez que um infeliz forasteiro passava dentro dos limites de sua visão viravam a cabeça de pedra e diziam: “não é ele”. Assm, Alston ganhou fama de um lugar lúgubre e, se pudesse evitar, ninguém ia para lá.
Nota de rodapé de Jonathan Strange & Mr. Norrell, de Susanna Clark, pág. 46.
Ao som de Nevermore – Who Decides.