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15/12/2005

Murphy, seu desgraçado!

Por Emerson Alecrim

Semana passada comprei um MP3Player especialmente para quando estiver no ônibus ou no Metrô. Sabe como é, o transporte público de São Paulo estressa todo mundo, então ouvir música ajuda a manter a sanidade. O fone de ouvido que veio com o aparelho é muito bom, porém chamativo demais, logo, decidi usar um mais discreto que eu tinha em casa. Tudo estava indo muito bem até que notei que um dos fones não estava funcionando. “Tranqüilo, na hora do almoço compro outro”, pensei. E lá fui eu. Como trabalho no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, achar um camelô que vende fones seria muito fácil. É, mas não nesse dia. O Vale estava passando uma imensa sensação de vazio, pois não havia barracas lá. Em compensação devia ter uma tropa inteira da Guarda Civil Metropolitana. Ok, fui então ao Largo São Bento e, “putaquelpariu”, nada! Bom, na Praça Ramos dever alguma coisa. Nada de novo… Poderia ir ainda na famosa Santa Efigênia, mas meu horário de almoço estava chegando ao fim e então, no caminho de volta, fiquei olhando incrédulo para os lugares onde os camelôs ficam até que, de repente, do nada, assim meio que sem querer, dou de cara com ninguém menos, ninguém mais que José Serra, nosso querido prefeito. Que beleza, o cara que fechou uma parceria com Murphy para evitar que eu comprasse um simples fone de ouvido estava bem ali. Ah, no meu lugar você espancaria ele, né? Bom, acho que eu teria coragem para isso, se não fosse aquela quantidade de guardas… No final das contas, tive mesmo que parar numa loja para comprar meu fone. Paguei 18 reais em um da Philips. Ok, pelo menos é de boa qualidade, mas acho que esse mesmo fone custaria, no máximo, 10 reais num camelô. É, e no dia seguinte, lá estavam eles de novo, como se nada tivesse acontecido. Mas fazê-los sumir de novo é fácil, basta gritar “olha o rapa!”. T+!

Ao som de Ozzy Osbourne - Perry Manson.

8:47 | Cotidiano | 2 comentários


13/12/2005

Duas coisas surpreendentes em menos de 10 minutos

Por Emerson Alecrim

Coisa 1:7 horas da manhã e lá estava eu belo e tranqüilo (ok, ok, só tranqüilo) indo ao trabalho quando resolvo parar em um camelô para comprar um chocolate. Abro minha carteira e só tinha duas notas de 10 reais. Por ser pouco mais de 7 horas da manhã, perguntei ao dono da barraca se ele teria troco e ele respondeu que sim. Então, ele abriu a carteira dele e… poxa vida! Tinha uma nota de 100 reais!!! Cara, faz muito tempo que eu não vejo uma nota dessas, já estava até duvidando que elas existiam! Agora eu tenho que rever meus conceitos. Como é que uma nota daquelas foi parar nas mãos de um camelô?

Coisa 2: quando chego ao trabalho, tenho que ligar os aparelhos de ar condicionado do andar, pois essa tarefa cabe ao primeiro que chegar lá. A sala dessas máquinas fica bem em frente ao banheiro masculino e como é de costume, entro lá primeiro, acendo as luzes, checo as janelas e aí sim vou ligar os aparelhos. Esse procedimento é muito rápido, pois eu só tenho que apertar dois botões. Então, lá fui eu só tranqüilo ( ¬¬ ) ligar o ar condicionado. Segundos depois, quando me viro e olho para o banheiro, a porta está aberta e tem um cara escovando os dentes. Quando meu coração voltou a bater, fiquei me pergutando como alguém entrou naquele banheiro tão rápido e começou a escovar os dentes. Veja bem, eu teria visto alguém entrar, teria ouvido a porta do banheiro destravar e certamente veria o cara começar a escovar os dentes. Diante desse fato, me questionei se aquele cara seria um fantasma, mas me perguntei porque um espiríto estaria escovando os dentes. Pensei um pouco mais e então cheguei a uma conclusão que me agradou: oras, o cara era simplesmente um vampiro que chegou pela janela e estava escovando os dentes para ir dormir, afinal, eram 7 e 10 da manhã! Simples assim. A gente se assusta com cada coisa, né?

Ao som de Lacuna Coil - Swamped.

8:40 | Inusitado | 3 comentários


12/12/2005

Boa noite pra você!

Por Emerson Alecrim

Noites. A cada dia tenho mais certeza: eu gosto das noites. Prefiro assistir filmes à noite. Prefiro ler livros à noite. Prefiro escrever à noite. Prefiro sair à noite. Prefiro viajar à noite. Prefiro ouvir música à noite. Isso não quer dizer que eu odeie o dia. O problema é que durante a manhã eu fico estressado. Trânsito, excesso de pessoas, barulho ao extremo, sol forte, etc. A noite parece amenizar tudo isso. O trânsito diminui, há menos pessoas na rua, o barulho é menor, não tem sol, etc. Além disso, é interessante ver como certos lugares ficam mais bonitos com o realce das luzes. Se estiver numa cidade do interior, é possível ver uma infinidade de estrelas, assim como é possível notar que a lua brilha mais forte nesses lugares. A noite é ideal para festas ou para beber com os amigos num bar. A noite é o melhor momento para ir a um show. E a noite deixa Las Vegas mais interessante também =D. É claro que o dia tem suas vantagens, mas a minha preferência pelas noites aumenta porque tenho me dado conta de que as coisas mais interessantes e que mais me agradaram aconteceram à noite. A noite tem seus encantos, por isso não gosto quando a tratam como uma mera escuridão. T+!

Ao som de Kamelot - Nights of Arabia.

1:25 | Inusitado | 4 comentários


6/12/2005

Procura-se um herói

Por Emerson Alecrim

Emissoras de TV lucram explorando dramas de pessoas humildes. Jornais precisam noticiar tragédias para vender. Somado ao que vemos todos os dias nas ruas, parece que tendemos a nos adaptar a isso tal como se essas situações fizessem parte de nosso ambiente. Frieza e acima de tudo medo, fazem com que direcionemos nosso estilo de vida a práticas egoístas. É incrível notar que quando alguém cai na rua, praticamente todo mundo olha para a pessoa, mas poucos, realmente poucos, vão até lá para ajudá-la. De igual forma, surpreende ver que há pessoas que teimam em ceder seu lugar no ônibus a idosos ou a qualquer pessoa com dificuldade de seguir viagem em pé. Em contraste, devo reconhecer que em todos esses casos, sempre há exceções. Sempre aparece alguém do nada que parece que surgiu ali justamente para intervir naquele momento. Sempre tem alguém que parece ter sido treinado pela vida para lidar com certas situações. Mas o que fazer quando, contrariando a tese do “sempre”, esse herói não aparece? Tornar-se um? Talvez, mas como? Ontem lia uma revista enquanto aguardava o ônibus. Veio um rapaz que deveria ter a minha idade pedir esmolas. Estava um pouco sujo, abatido, tinha barba por fazer e logo o associei à imagem de um drogado ou de algum vagabundo. Disse que só tinha o dinheiro da condução. Ele agradeceu, desanimado. Minutos depois entrei no ônibus, sentei e ao olhar pela janela, o vi consolando uma menina que chorava. Ela usava um vestido bem simples e sandálias. Não tinha brincos, anéis ou qualquer adorno típico de meninas. Mas tinha algo que por determinação da natureza era uma das maiores expressões da feminilidade: estava grávida. Jovens, pobres, inexperientes e com um filho. Quem vai ser o herói deles? O ele que faria? Agiria como boa parte da sociedade, culpando-os e dizendo “bem feito”? Tentaria achar os verdadeiros culpados? Ajudaria-os a dar um fim na criança? Mostraria o drama deles na TV? Daria um emprego de doméstica a ela e um trabalho de auxiliar de pedreiro a ele? O ônibus foi embora e nem eu e nem ninguém do ônibus viu o herói deles surgir. Curioso que, pelos olhares, parecia que todo mundo se perguntava sobre quem iria ajudá-los, ou seja, quem seria o herói. No entanto, algo me diz que esse herói partiu conosco no ônibus, olhando e se perguntando.

Ao som de Angra - Make Believe.

8:46 | Reflexão | 2 comentários


2/12/2005

Minha segunda visita técnica ao Metrô de São Paulo

Por Emerson Alecrim

Meus amigos com freqüência caçoam de mim por causa disso. Dizem que um bom presente de aniversário para mim é um bilhete do Metrô, afirmam que quando vamos a algum lugar, a parte que acho mais legal é quando estamos dentro de um trem, etc. É fato: eu gosto muito de trens, especialmente os do Metrô de São Paulo. Embora seja um assunto que interessa a poucos, quando você toma conhecimento de como é a organização do sistema metroviário paulista, é difícil de acreditar que se trata de uma empresa pública.

No último dia 26, fiz minha segunda visita técnica ao Metrô. Dessa vez o alvo foi a linha 3 e a estação escolhida foi a gigante Corinthians-Itaquera. Para se ter uma idéia do tamanho desse lugar, além de suportar as plataformas do Metrô, a estação Itaquera também abriga as plataformas de uma linha de trem da CPTM e o Poupa Tempo Itaquera.

Ao chegarmos lá, fomos recepcionados pelo supervisor geral da estação, Júlio Holanda, um funcionário que está há 28 anos no Metrô e que foi um dos primeiros operadores de trens da companhia. Ele nos falou sobre a história do Metrô, respondeu dúvidas e depois nos mostrou uma parte das instalações da estação. Numa delas, há um equipamento por onde é possível acompanhar o fluxo de trens de toda a linha. Esse painel indica quando um trem pára e abre as portas, quando uma composição troca de via, dá informações sobre o consumo de energia, entre outros.

Logo depois, fomos conhecer detalhes do funcionamento das escadas-rolantes. Aqui, entramos numa situação engraçada. O supervisor desligou propositalmente uma das escadas e ficou falando por um tempo, até que confessou: olha, era para um funcionário ter vindo aqui, porque quando uma escada é desligada um sinal aparece no painel da SSO (Sala de Serviços Operacionais). De imediato pensei: alguém vai levar uma bronca. Fomos então à SSO e o funcionário que devia ter verificado o problema ficou branco quando viu o supervisor: “a luz da escada só acendeu agora”, disse ele. Descrevendo aqui não faz efeito, mas garanto que a cena foi muita engraçada.

Em seguida, fomos à plataforma. Nela, o supervisor nos mostrou uma coisa interessante: abaixo do aparelho telefônico (visto a seguir), há um botão protegido por uma tampa que, quando pressionado (ou girado), corta imediatamente o fornecimento de energia na via. Assim, se alguém cair nos trilhos, pode-se evitar que a pessoa seja eletrocutada usando esse botão. E um detalhe importante: qualquer pessoa pode fazer isso, e não somente os funcionários. É claro que se alguém ativar esse botão sem necessidade vai ter que responder por isso.

Dispositivo que corta a energia das vias

Depois disso, veio a parte mais esperada por todos: andar na cabine do trem. Veja bem, as pessoas podem até não se importar com o funcionamento do sistema metroviário, mas acredito que pelo menos uma vez na vida muitas já tiveram vontade de saber como é viajar dentro da cabine. Bom, é uma experiência fantástica. Primeiro porque o trem é como um robô. Acredite, ele faz tudo sozinho: pára nas estações, abre e fecha portas, controla sua velocidade, interrompe sua movimentação se o trem da frente estiver muito próximo, enfim, é uma coisa impressionante. Aí você pergunta: para quê o operador fica lá na frente então? Para muita coisa. O trem sabe que deve parar numa estação através de um sinal que esta emite a ele. O problema é que nem sempre esse sinal chega ao trem, e cabe ao operador notar se isso ocorreu e parar o trem manualmente. Além disso, o operador deve se atentar para a presença de pessoas ou objetos na via e acionar os freios de emergência quando isso acontecer. Ele também monitora os equipamentos do trem, observa a entrada e a saída de usuários, dá avisos aos passageiros e assume o controle do trem em situações de emergência.

Eu e o operador dentro da cabine do trem

O operador do trem que pegamos nos explicava isso durante o trajeto. Até que veio a parte mais esperada por nós: o túnel da estação Bresser. Esse túnel é enorme e direcionado para baixo na maior parte do trecho. É incrível como o trem pega velocidade lá dentro. A foto abaixo deixa isso claro. Ah, eu também filmei esse momento. Nos vídeos dá para ter uma idéia de como isso foi legal.

Entrada do túnel da Bresser

Enfim, desembarcamos e tomamos outro trem para chegarmos à estação Paraíso, que é próxima ao CCO (Centro de Controle Operacional), lugar que eu carinhosamente chamo de “NASA”. A foto abaixo mostra o motivo.

CCO)

No CCO tivemos outra surpresa: na primeira visita que fiz, vimos a sala do CCO através de uma parede de vidro blindada. Dessa vez abriram uma exceção e nos deixaram entrar. Foi espetacular (e filmado também). Com a câmera em mãos, logo na entrada aconteceu algo engraçado: havia um pequeno armário com uma TV que exibia naquele momento um jogo de futebol. Brinquei, dizendo que jogo ninguém perde, só que isso acabou deixando eles meio que sem graça, hehehe.

A CCO é o local onde está centralizado todo o controle das linhas e de seus mais de 100 trens. Os controladores do CCO conseguem monitorar em tempo real o que acontece em cada estação e podem, inclusive, acessar as câmeras de vídeo dos locais. É no CCO que também é feito o controle da movimentação dos trens. Ali eles podem determinar a velocidade de cada composição, o tempo de parada em cada estação, etc. Através de um painel que cada linha tem, eles podem acompanhar com precisão a localização de cada trem.

Um dos páineis do CCO

Ainda no CCO, tivemos outro privilégio: a chance de ver de perto os computadores que controlam os trens, ou seja, os computadores responsáveis pelo transporte de cerca de 2 milhões de pessoas por dia! Ok, pode não ser grande coisa, mas para quem trabalha na área é algo impressionante.

Computadores que controlam os trens

Depois disso, ainda no prédio do CCO, assistimos dois vídeos muito interessantes que ilustravam como o Metrô lida com certos acontecimentos. E então a visita acabou. Foram quase 5 horas de duração. Deu pra ver muita coisa, pena que não dá para relatar tudo aqui.

Para finalizar, duas fotos curiosas: a primeira é um computador desativado há mais de 10 anos. Ele fazia o controle dos bloqueios (ou catracas) de todas as estações da Linha 1. Quando alguém inseria o bilhete no bloqueio, este enviava a informação a esse computador e ele então retornava a autorização à catraca. Por sua vez, esse trambolho na outra foto, nada mais é do que um HD de 256 KB!

Antigo computador em exposição

Antigo HD em exposição

Bom, caso tenha ficado interessado, nos links abaixo é possível ver todas as fotos. Eu fiz 12 (mini) vídeos, mas estou disponibilizando apenas 8, aqueles que considero mais interessantes. Pelo menos os 4 primeiros são recomendáveis. T+!

Bonecos do Metrô e eu

Fotos 1

Fotos 2

Vídeos:


Vídeo 1
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Vídeo 2
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Vídeo 3
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Vídeo 4
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Vídeo 5
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Vídeo 6
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Vídeo 7
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Vídeo 8
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Ao som de Opeth - Bleak.

12:29 | Interessante | 14 comentários


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