A “roleta russa” da vida
Por Emerson AlecrimLá estava eu trabalhando, quando, num momento de pausa, resolvo abrir o navegador de internet. Entro no site do Terra e lá, entre as notícias, um link informa um acidente de ônibus que matou 32 pessoas. Clico nele e, em seguida, sou bombardeado por uma enxurrada de surpresas. Primeiro, o acidente foi próximo a Presidente Prudente, num trecho que já passei várias vezes. Segundo, os ônibus eram da Andorinha, empresa que está na região há mais de 50 anos e que, inclusive, tem minha mãe e meus tios como clientes desde que eles eram crianças. Terceiro, um dos ônibus saiu de Colorado, no Paraná, cidade onde a maior parte da minha família se encontra. Quarto, o ônibus fazia justamente a linha que usamos para ir de Colorado a São Paulo.
Na hora fiquei inquieto, mesmo sabendo que nenhum parente meu estava no ônibus, pois seríamos avisados se algum deles estivesse vindo à São Paulo. Mas Colorado não é uma cidade grande, logo, poderia haver algum conhecido. Horas depois descobri que havia vítimas de Santo Inácio, cidade vizinha à Colorado e que igualmente conheço. Mais tarde, a lista de vítimas foi divulgada e então pude ficar mais tranqüilo.
Quando anoitece, um tio que mora em Mogi das Cruzes (somente a família dele e a minha está em São Paulo) ligou aqui em casa. Ele estava igualmente inquieto até ligar para outro tio em Colorado e então resolveu nos avisar que nenhum conhecido estava no ônibus.
Mesmo assim, não dá para não lamentar. Colorado, até então desconhecida, é mencionada em tudo o que é jornal da maneira mais indesejada: através de uma tragédia. A cidade é tida como a “Capital do Rodeio no Paraná” e era esse tipo de atenção que os moradores queriam ter.
Mas esse tipo de coisa acontece. Quando é algo que nos é muito próximo, ficamos transtornados, incrédulos. Nessas horas, reconhecemos que não podemos controlar nosso destino, embora variavelmente ajamos como se tivéssemos esse poder. Como escapar, como não ser uma vítima? Quem ou o que escolhe as pessoas que deverão estar no local de uma tragédia? Talvez o pior não seja desconhecer essas respostas, mas sim carregar a iminente sensação de que nada podemos fazer.
Ao som de Nevermore – Matricide.
14:19 | Reflexão | 4 comentários