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23/2/2006

MP3-Player para o povo!

Por Emerson Alecrim

No final do ano passado comprei um MP3-Player (nada muito sofisticado) justamente para não me estressar tanto no percurso ao trabalho. Mesmo porque pego as terríveis lotações que, além de fazerem jus ao nome, têm motoristas “excelentes” e rádio. O problema é que não gosto de nenhuma das músicas que eles ouvem, então o MP3-Player caiu como uma luva, principalmente por ser pequeno e pesar apenas algumas gramas. Só não sabia que o tamanho desse aparelho ia me causar tantos aborrecimentos…

Lá estava eu, em pé, sem conseguir me mexer, mas me distraindo com minhas músicas. De repente, alguém me dá um cutucão que só não me deixou hematomas porque levantei o ombro rapidamente. Tirei o fone de um dos ouvidos e olhei para o autor de tal ato:

- Quanto tá o jogo aí?
- Er… eu estou ouvindo música…
- Coloca rapidão aí no jogo só pra saber o placar, faz favor amigo.
- Mas não t…
- Por gentileza, amizade!
- Olha, isso aqui só toca música, não tem rádio!
- Ah, deixa de mentira, nesse aparelhinho aí não cabe CD nem fita…

Foi nesse momento que percebi que tinha um monte de marmanjo observando a conversa. Talvez estivessem igualmente interessados no resultado do tal jogo…

- Cara, isso aqui é um aparelho que recebe música do computador e pára de me encher, beleza?

Se o cara respondeu eu não ouvi, pois coloquei o fone novamente no ouvido. Pensei que ficaria em paz, quando, instantes depois, uma mulher que estava sentada na poltrona na qual eu me apoiava me deu um cutucão no braço:

- Quando você pagou nesse “aparei” aí?
- Er… uns duzentos reais…
- Mas é tão pequenininho… acho que o “computadô” não passa música de forró, né?

Ia dar uma resposta daquelas, mas as pessoas continuavam olhando. Acho que gostavam de forró…

- Não-o se-ei!!

Respondi irritado, coloquei os fones novamente e, não mais que de repente, a bateria acabou… Bando de “zóiudo”!

Ao som de Paradise Lost – Enchantment.

9:40 | Cotidiano | 3 comentários


13/2/2006

Me diga tuas comunidades e eu te direi quem tu és

Por Emerson Alecrim

Pense em alguma coisa, qualquer coisa. Pensou? Se você é usuário do Orkut, sabe que são grandes as chances de encontrar por lá uma comunidade que trate dessa coisa que você pensou.

Participar de comunidades no Orkut é algo tão fácil e tão normal que não é raro encontrar pessoas que participam de 100, 200, 300 ou mais. O problema é quando terceiros associam uma determinada comunidade a uma característica da pessoa. Por exemplo: se eu participo de uma comunidade chamada “Odeio acordar cedo” quer dizer que eu não tenho disposição para tal? Se alguém participa de uma comunidade “anti-homofobia” significa que essa pessoa é homossexual? Se uma garota participa de uma comunidade que trata de sexo quer dizer que ela é vadia, pervertida, tarada, ninfomaníaca ou está disposta a transar com qualquer cara que lhe enviar uma mensagem “bem-intencionada”?

Você certamente respondeu “não” às perguntas acima. Mas esse assunto é contraditório. Quer ver? Se alguém participa de uma comunidade racista, você tem dúvida de que essa pessoa é favorável ao racismo?

Agora, imagine a seguinte situação: você está frente-a-frente com um entrevistador para uma vaga de emprego e ele pergunta se você participa do Orkut. Você responde que sim, ele te procura no site, encontra seu perfil e começa a analisar suas comunidades: “Odeio meu chefe”, “Desculpas esfarrapadas”, “Eu só enrolo no trabalho”, etc. Bom, o que acontece depois você já sabe e não adianta apontar as comunidades “boazinhas” que você igualmente participa…

Ao som de Dream Theater – Hells Kitchen.

1:16 | Internet | 8 comentários


5/2/2006

A TV de ontem

Por Emerson Alecrim

Num dos raros momentos de ociosidade lá no trabalho, conversava com alguns colegas a respeito de nossa infância. A parte mais engraçada foi sobre os “traumas”, onde boa parte era proveniente dos canais de TV da época.

Uma das coisas que mais me assustavam era aquela maldita musiquinha do Plantão da Globo. Estivesse eu fazendo o que fosse, brincando, estudando, tomando banho, etc. Era ouvir aquela melodia sinistra e eu me arrepiava todo, meu coração disparava e eu morria de vontade de correr não sei pra onde. Certa vez eu estava sozinho em casa assistindo Chaves e, nessas ocasiões, adorava manter o volume da TV no máximo. Fui até o aparelho trocar de canal (era uma daquelas TVs com seletor) e quando coloquei na Globo a tal musiquinha tocou quase que no mesmo instante. Com as pernas meio moles, voltei ao sofá e fiquei repetindo a mim mesmo algo como “é só uma notícia, é só uma notícia”. Com o canto dos olhos, percebi algo na janela e, quando olhei, no contraste com a luz, vi uma cabeça. Dei um daqueles berros de espantar pombos e a cabeça na janela fez o mesmo logo em seguida. Era a filha da vizinha que igualmente tinha medo daquela coisa da Globo e correu para a minha casa porque também estava sozinha…

Bom, não era só a Globo que traumatizou uma geração. O SBT também! Domingão era de praxe: Silvio Santos na TV. Passava aquele programa “Porta da Esperança” e, se me lembro bem, aparecia uma vinheta com uma imagem de Jesus Cristo e uma voz forte com um uma música esquisita ao fundo que falava algo como: “Paz, amor, fé e esperança / Você tem certeza que já fez tudo o que podia por seu semelhante? / Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar / E eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho”.

Eita!!! Até me arrepiei agora! Eu ouvia esse troço e me cobria se estivesse com um cobertor, ia para a cozinha se estivesse sozinho na sala e, nos momentos de coragem, dizia “isso é coisa do bem, isso é coisa do bem”. Pode chamar de frescura, mas, sei lá… aquilo me dava um sentimento de culpa, angústia…

O SBT ainda tinha outra coisa que traumatizava. Passava um programa do Gugu no sábado à noite. Tinha um quadro lá que dizia “Parece mentira, MAS NÃO É”. Aí contava histórias patéticas de cadeiras voando, portas de armário se abrindo, etc. Bom, eu, na condição de criança, ficava pra lá de assustado e lembro que cheguei a ter pesadelos com isso.

Em contrapartida, sempre gostei de filmes de terror. Gostava de falar que fiquei acordado até tarde e assisti sozinho o filme do Freddy Krueger, como se aquilo fosse um grande ato de coragem. O Boneco Assassino então, hahahaha, diversas vezes disse que queria um boneco como aquele para reforçar ainda mais a minha postura de valente. Quando a vizinha ou uma tia falava “credo!” ao ouvir isso, eu me tornava invencível. Com uma expressão cômica de determinação, ia até o porão que era usado por minha família e por mais um vizinho, que ficava numa casa aos fundos. Era, de longe, o lugar mais temido pela gente. Quem sabe, no próximo post, eu fale exclusivamente desse lugar, hehehe…

Hoje em dia quase não vejo TV. Se antes a televisão tinha o poder de causar risos ou sustos, hoje é uma coisa tão sem graça (na minha opinião), não me causa mais aquele frisson de quando eu era criança. Vai ver que é porque a TV Cultura já não é a mesma de antes. Esse canal foi importante às crianças da minha época. Ou vai ver que é porque não agüento ver MTV, BBB, Ratinho, Malhação, etc, etc… T+!

Ao som de Whisper Of A Thrill, da trilha sonora de Encontro Marcado.

14:02 | Inusitado | 9 comentários



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