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4/3/2006

Nostalgia - O retorno

Por Emerson Alecrim

Alguns posts no meu antigo blog marcaram, principalmente por sua natureza inusitada. Porém, um deles, publicado em fevereiro de 2005, é visto até hoje, portanto, nada mais justo do que publicar a “versão 2.0″ desse post, com direito a melhorias e imagens novas. Estou falando de um dos ícones da infância da minha geração: os clássicos desenhos da TV Cultura.

Como eu havia dito no post original, pude relembrar muita coisa daquela época graças a algumas comunidades no Orkut. Algumas das lembranças estavam, de fato, muito bem “enterradas na mente”. O que mais surpreendeu, no entanto, foi a quantidade de gente que expressou sua sensação de nostalgia, não somente no Orkut, mas também em meu antigo blog.

Ao compararmos com os desenhos de hoje, notamos o quão diferentes eram os desenhos da TV Cultura. Não pela tecnologia usada em sua criação, mas pelo caráter educativo. Alguns desenhos mostravam a riqueza das coisas simples, despertavam o interesse da gente, mexia com nossa imaginação, ensinavam que a fantasia é algo que pode e deve ser usado para melhorar o nosso mundo e, além disso, eram capazes de fazer uma criança trocar o choro pelo riso, a raiva pela bondade. Vejamos então, um breve comentário sobre alguns desses desenhos:

Rua dos Pombos

Esse era um dos desenhos que eu mais gostava. Com muitos personagens, cada qual com características bem distintas, Rua dos Pombos tinha uma coisa de mostrar o convívio em comunidade e o respeito aos outros. Era demais! Os personagens que eu mais gostava eram Molly e Polly (penúltimo desenho das imagens abaixo), que tinham até uma musiquinha: Molly e Polly, são tão parecidas / Parecem iguais, quando vistas por trás / Mas quando de frente, dá pra perceber / Que a Molly tem um M e a Polly tem um P. E claro, tinha a música de abertura, que eu só lembro um pedaço: Fazer amigos, na rua dos pombos/ Venha comigo, pra rua dos pombos/ Conhecer a turma, que vai dizer / que bom te ver, que bom te ver/ As asas batem, no azul do céu…

Rua dos Pombos

Rua dos Pombos era um desenho alegre, do tipo que agrada pela sensação de bem-estar. Mostrava a vida de interessantes moradores de uma rua - a Rua dos Pombos - onde cada um vivia sua vida, mas respeitava o próximo. Além de Molly e Polly, me lembro bem de um personagem que era dono de uma loja de animais e de uma mulher que era caminhoneira, veja só!

Animais do Bosque dos Vinténs

Eu pronuncio “Animais do Bosque dos Vinténs” com a mesma entonação que uso para dizer “The Lords of the Rings”. Esse era um desenho que emocionava. Dotado de uma característica rara, mostrava às crianças que o mundo não é fácil. Em Animais do Bosque dos Vinténs, os bichos lutavam pela vida e muitos não resistiam. É bom lembrar que dificilmente desenhos tratam da morte. E esse mexia com a gente porque refletia um cenário muito próximo da nossa realidade, mas sem vangloriar o aspecto da tristeza, pois retratava o quão importante é lutar por nossos ideais. Uma das cenas que eu lembro é a do filho da Toupeira indo cuidar do Texugo. Este, já velho, ainda acreditava que seu amigo era a mesma Toupeira de antes e não seu filho. Ele não imaginava que seu amigo tinha morrido. E tempo depois, foi sua vez… Outra cena, é a morte dos Ouriços. Essa foi de doer. Eles estavam quase chegando no Parque da Corsa Branca, onde teriam melhores expectativas de vida e, ao atravessarem a rua, veio um carro e pegou um deles. Sua companheira escapou e tentou reanimar desesperadamente seu companheiro e aí, veio outro carro…

Animais do Bosque dos Vintens

Em resumo, os animais partem numa jornada rumo ao tal Parque da Corsa Branca, pois o local onde viviam anteriormente fora invadido pelos homens. Essa jornada é cheia de acontecimentos e lições que idealizam os verdadeiros valores da vida: respeito às diferença, convívio, solidariedade, perseverância etc. Esse desenho era excelente. Muito melhor e mais educativo do que esses de hoje (na minha opinião).

Pedra dos Sonhos

Fantasia, mágica! Você talvez pense em Harry Potter ao ouvir essas palavras, mas é isso o que me vem à mente ao lembrar deste lendário desenho. Pedra dos Sonhos refletia a luta entre o mundo dos sonhos e o mundo dos pesadelos, ou seja, o bem contra o mau. Tinha um velho mago cujo nome não lembro, que usava a tal Pedra dos Sonhos para emitir sonhos bons ao mundo todo e para combater a força dos pesadelos. Ele tinha alguns companheiros interessantes, um deles um peixe-cão ou um cão-peixe (olha que coisa maluca!). E o vilão, cujo nome também já não me lembro, tentava roubar a Pedra dos Sonhos, para disseminar seus pesadelos. Essa briga entre sonhos e pesadelos era o ápice do imaginário. Um desenho que, sem dúvida, estimulava a imaginação.

Pedra dos Sonhos

Pare com Isso e Arrume Tudo!

Esse é dos desenhos mais estranhos que já vi, porém era um dos meus preferidos. De cara ele já mostra o quão é inusitado: o nome do desenho e dos personagens são as broncas que as mães dão nas crianças. Veja que legal: “Pare com Isso e Arrume Tudo e esses são seus amigos: Penteie seu cabelo, Lave seu Rosto, Brinque Lá Fora e seu brinquedo favorito, O pequenino Fique Calmo, e o chato Agora Não!, As duas abelhas Sossega e Silêncio, o dorminhoco Vá Para a Cama e Não Faça Isso, Tome Cuidado, Coma as Verduras, Escove os Dentes, e o Grande e briguento EU DISSE NÃO“. No começo do desenho, quando o locutor falava esses nomes, a gente (meus irmãos, colegas e eu) o acompanhava e na hora de dizer “EU DISSE NÃO”, a gente berrava em coro! Era mágico isso! Ah, vejam como eram cômicos esses personagens (o vermelhão é o “EU DISSE NÃO”):

Pare com Isso e Arrume Tudo!

Zeca e Joca

Outro símbolo da criatividade. Zeca e Joca eram dois personagens (de massa) que simplesmente tinham o dom de complicar suas atividades. Como eram atrapalhados! Eles tentavam consertar as coisas e quebravam mais, eram muito engraçados!

Zeca e Joca

Pois é, e tinha muitos outros, que passavam principalmente no programa Glub Glub (lembra?): Jimbo (um avião vivo), Socorro Vovó, Turma do Bom Clima (… O planeta está sendo ameaçado / Os poluidores destroem o mar, a terra e os rios / Destroem a paisagem e toda beleza… é mais ou menos isso), De Cabo a Rabo (Cabeça barriga perna e pé, perna e pé / Cabeça barriga perna e pé, perna e pé / De cabo a Rabo vamos ver como é que é / Cabeça barriga perna e pé, perna e pé), Berta e a Fábrica, Senhor e Senhora do Tempo, Fábulas Geométricas (outra lenda), Ernest, o Vampiro (esse vampiro tinha uns pesadelos muito loucos e, quando o desenho terminava, ele acordava e fechava o caixão em que dormia - ver foto abaixo), As Aventuras de Babar, Bojan (esse desenho dificilmente passava e quando isso ocorria eu pulava de alegria), Bouli, O Pato Dinamo (neste, usavam um pato de verdade!), O Capitão Urso Azul, enfim, eram muitos.

Ernest e Bouli

Os desenhos de hoje são legais, mas não consigo vê-los como melhores que os desenhos da TV Cultura. Lembro das tantas e tantas vezes que chegava da escola e corria pra assistí-los. Lembro de comentar com colegas sobre os desenhos. Lembro de tanta coisa dessa época… Eu viajava naquelas imagens fantasiosas. Parecia mágico mesmo. E hoje, bom… Aquelas crianças que cresceram vendo esses desenhos são jovens adultos, algumas talvez até já tenham filhos, mas tenho certeza que se lembram com alegria daqueles tempos. E que tempos, afinal, já não se fazem (valorizam) os desenhos como antigamente…

Nota: muita gente me pergunta como conseguir os desenhos em DVD ou em download. No dia que eu souber, aviso, ok? ;-)

Ao som de Vivaldi - Winter (Four Seasons).

1:43 | Entretenimento | 91 comentários



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