Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para maio, 2006

Qualé, Orkut?

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O Orkut me trouxe muitas coisas positivas: reencontrei amigos de infância e parentes distantes, conheci gente com os mesmos interesses que eu, fiz uma visita técnica ao Metrô, participei de um programa de TV universitária e consegui informações até então impossíveis nas mídias tradicionais.

Diante de impressões tão positivas, é horrível admitir que o Orkut está cada vez mais insuportável. Não é culpa do serviço em si, mas como acontece com qualquer coisa, o excesso pode fazer mal. O Orkut tem excesso de gente, excesso de brasileiros.

Confesso que, bem no início, quando consegui um convite para o Orkut, tinha interesse em conhecer estrangeiros também, mas isso é praticamente impossível. O domínio da língua portuguesa nas comunidades, mesmo naquelas que deixam claro o idioma que se deve usar ali, intimida e faz quem é de fora se sentir um peixe fora d’água.

Mas esse é o menor dos problemas. Tem gente maliciosa aproveitando o conglomerado que o Orkut se tornou. Mandam mensagens oferecendo fotos ou noticiando comunidades feitas em homenagem à pessoa e, quando alguém clica no link, pronto, lá está seu computador sendo espionado.

Ainda há a questão da exposição, dos profiles clonados, dos erros irritantes, dos jogos chatos que inundam comunidades cuja discussão sobre o tópico esgotou, as comunidades preconceituosas e criminosas, os SPAMs, etc. Tudo isso é tão intenso que, não duvido, tem gente que sente uma parcela de culpa quando o Orkut é noticiado negativamente na mídia.

O Orkut está perdendo todo o sentido graças à sensação de impunidade, de terra sem lei que impera por lá. Todos os benefícios desse fabuloso meio de comunicação está se perdendo, graças à libertinagem, ao medo e à irritação.

Se o Google jogar pesado com o cumprimento das normas do Orkut, ainda dá tempo de reagir. Do contrário, será preferível lidar com o fechamento do site. Sabe como é, quem não sabe brincar estraga a brincadeira de todo mundo, mesmo de quem brinca direito, então será melhor assim.

Ao som de For My Pain – Dancer in the Dark.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

29/5/2006 - 11:19

Postado em Internet

MP do Bem: bom, mas precisamos de mais

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Consumidores já notaram que está mais barato comprar PCs e notebooks no Brasil. Isso se deve principalmente à MP do Bem, embora a queda do dólar tenha sua parcela de culpa nisso. HP, Dell, Toshiba e Positivo, que figuram entre os maiores fornecedores de computadores no país, oferecem produtos com preços antes praticados apenas pelo “mercado cinza”, que disponibilizam equipamentos com custo baixo por, entre outro motivos, não pagar impostos.

A MP do Bem permite uma série de vantagens se os fabricantes seguirem determinadas regras. Por exemplo, no caso de notebooks, há isenção de PIS/Cofins caso o produto tenho preço inferior à 3 mil reais. No entanto, para muitos produtos, ainda é mais vantojoso ao consumidor (financeiramente falando) recorrer ao mercado paralelo.

O motivo principal é sempre o mesmo: o preço alto praticado pelas revendas legais. Pense bem, mesmo oferecendo garantia e assistência técnica, você prefere comprar um MP3Player de 300 reais numa loja convencional ou adquirir o mesmo modelo pela metade do preço numa “rua Santa Efigência da vida”? O comércio ilegal de mercadorias é crime e certamente ninguém discorda disso. No entanto, o que pagamos de imposto em cada produto comprado é também um assalto, só que previsto em lei. Em alguns casos, o valor pago ao governo passa de 50% do valor do item comprado.

A MP do Bem é um exemplo de como as coisas podem mudar, mas precisamos de mais. Impostos menores estimulam o comércio legal, geram empregos e as pessoas apelam menos ao mercado paralelo. Está certo que falar é fácil demais, mas um pouco de boa vontade pode mudar as coisas. É disso que a gente precisa.

Ao som de Symphony X – Awakenings.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

21/5/2006 - 13:32

Postado em Reflexão

Pedágio de calçada

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Sim, eu estava com pressa nesse dia, muita pressa, mas se eu cortasse caminho por ali, chegaria a tempo. Então lá fui eu. Ao passar pelo primeiro cruzamento, acreditei mesmo que chegaria a tempo. Mero engano…

Do nada, surgiu um senhor na minha frente oferecendo um panfleto. Neguei com um aceno de mão, mas ele insistiu, bloqueou toda a minha passagem até que eu aceitasse, então peguei o papel e joguei fora logo em seguida, indo contra todos os meus princípios ecológicos.

Alguns metros depois um rapaz esticou o braço para me oferecer uma revista dizendo que era de graça, mas eu já conheço o truque: na hora que você pega a revista, ele a segura e então tenta persuadí-lo a fazer uma assinatura. Vendo que eu não ia pegar a revista, o rapaz atravessou à minha frente insistindo na gratuidade do produto.

Mal me livrei da revista, me apareceu um casal insistindo para eu aceitar Jesus. Eu respondia que estava atrasado e eles simplesmente diziam que se eu entrasse no “templo” eu teria todo o tempo do mundo… Prometi ao casal passar ali assim que voltasse. Se eles acreditaram, estão me esperando lá até agora…

Após passar por mais um cruzamento, notei que teria que andar pela rua, já que a calçada estava tomada por camelôs e tinha tanta gente parada em frente às bancas, que achei aquilo parecido com uma feira de domingo. Nem quis saber o que tinha ali, até mesmo porque os carros estacionados em fila dupla me distanciavam bastante da calçada.

Mais panfletos apareceram na minha frente, uma vidente se ofereceu para ler a minha mão e então veio o último e surpreendente obstáculo: um garoto todo sujo parou à minha frente e disse “moço, pra passar aqui você vai ter que pagar pedágio”. Fiquei olhando para ele com aquela cara de quem acha que o mundo está perdido, quando uma mulher o puxa e pede desculpas. O garoto a acompanha rindo e tentando escapar de seus tapas. Bom, de todos os que me pararam nesse dia, o garoto ao menos foi o mais claro quanto aos seus objetivos…

Ao som de Cathedral – Corpsecycle.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

13/5/2006 - 20:52

Postado em Cotidiano