O Orkut me trouxe muitas coisas positivas: reencontrei amigos de infância e parentes distantes, conheci gente com os mesmos interesses que eu, fiz uma visita técnica ao Metrô, participei de um programa de TV universitária e consegui informações até então impossíveis nas mídias tradicionais.
Diante de impressões tão positivas, é horrível admitir que o Orkut está cada vez mais insuportável. Não é culpa do serviço em si, mas como acontece com qualquer coisa, o excesso pode fazer mal. O Orkut tem excesso de gente, excesso de brasileiros.
Confesso que, bem no início, quando consegui um convite para o Orkut, tinha interesse em conhecer estrangeiros também, mas isso é praticamente impossível. O domínio da língua portuguesa nas comunidades, mesmo naquelas que deixam claro o idioma que se deve usar ali, intimida e faz quem é de fora se sentir um peixe fora d’água.
Mas esse é o menor dos problemas. Tem gente maliciosa aproveitando o conglomerado que o Orkut se tornou. Mandam mensagens oferecendo fotos ou noticiando comunidades feitas em homenagem à pessoa e, quando alguém clica no link, pronto, lá está seu computador sendo espionado.
Ainda há a questão da exposição, dos profiles clonados, dos erros irritantes, dos jogos chatos que inundam comunidades cuja discussão sobre o tópico esgotou, as comunidades preconceituosas e criminosas, os SPAMs, etc. Tudo isso é tão intenso que, não duvido, tem gente que sente uma parcela de culpa quando o Orkut é noticiado negativamente na mídia.
O Orkut está perdendo todo o sentido graças à sensação de impunidade, de terra sem lei que impera por lá. Todos os benefícios desse fabuloso meio de comunicação está se perdendo, graças à libertinagem, ao medo e à irritação.
Se o Google jogar pesado com o cumprimento das normas do Orkut, ainda dá tempo de reagir. Do contrário, será preferível lidar com o fechamento do site. Sabe como é, quem não sabe brincar estraga a brincadeira de todo mundo, mesmo de quem brinca direito, então será melhor assim.
Ao som de For My Pain – Dancer in the Dark.
