Página Inicial   |   Quem sou   |   Contato   |   Livros que leio   |   O que ouço   |   Sobre o blog   |   RSS (o que é isso?)

29/5/2006

Qualé, Orkut?

Por Emerson Alecrim

O Orkut me trouxe muitas coisas positivas: reencontrei amigos de infância e parentes distantes, conheci gente com os mesmos interesses que eu, fiz uma visita técnica ao Metrô, participei de um programa de TV universitária e consegui informações até então impossíveis nas mídias tradicionais.

Diante de impressões tão positivas, é horrível admitir que o Orkut está cada vez mais insuportável. Não é culpa do serviço em si, mas como acontece com qualquer coisa, o excesso pode fazer mal. O Orkut tem excesso de gente, excesso de brasileiros.

Confesso que, bem no início, quando consegui um convite para o Orkut, tinha interesse em conhecer estrangeiros também, mas isso é praticamente impossível. O domínio da língua portuguesa nas comunidades, mesmo naquelas que deixam claro o idioma que se deve usar ali, intimida e faz quem é de fora se sentir um peixe fora d’água.

Mas esse é o menor dos problemas. Tem gente maliciosa aproveitando o conglomerado que o Orkut se tornou. Mandam mensagens oferecendo fotos ou noticiando comunidades feitas em homenagem à pessoa e, quando alguém clica no link, pronto, lá está seu computador sendo espionado.

Ainda há a questão da exposição, dos profiles clonados, dos erros irritantes, dos jogos chatos que inundam comunidades cuja discussão sobre o tópico esgotou, as comunidades preconceituosas e criminosas, os SPAMs, etc. Tudo isso é tão intenso que, não duvido, tem gente que sente uma parcela de culpa quando o Orkut é noticiado negativamente na mídia.

O Orkut está perdendo todo o sentido graças à sensação de impunidade, de terra sem lei que impera por lá. Todos os benefícios desse fabuloso meio de comunicação está se perdendo, graças à libertinagem, ao medo e à irritação.

Se o Google jogar pesado com o cumprimento das normas do Orkut, ainda dá tempo de reagir. Do contrário, será preferível lidar com o fechamento do site. Sabe como é, quem não sabe brincar estraga a brincadeira de todo mundo, mesmo de quem brinca direito, então será melhor assim.

Ao som de For My Pain - Dancer in the Dark.

11:19 | Internet | 2 comentários


21/5/2006

MP do Bem: bom, mas precisamos de mais

Por Emerson Alecrim

Consumidores já notaram que está mais barato comprar PCs e notebooks no Brasil. Isso se deve principalmente à MP do Bem, embora a queda do dólar tenha sua parcela de culpa nisso. HP, Dell, Toshiba e Positivo, que figuram entre os maiores fornecedores de computadores no país, oferecem produtos com preços antes praticados apenas pelo “mercado cinza”, que disponibilizam equipamentos com custo baixo por, entre outro motivos, não pagar impostos.

A MP do Bem permite uma série de vantagens se os fabricantes seguirem determinadas regras. Por exemplo, no caso de notebooks, há isenção de PIS/Cofins caso o produto tenho preço inferior à 3 mil reais. No entanto, para muitos produtos, ainda é mais vantojoso ao consumidor (financeiramente falando) recorrer ao mercado paralelo.

O motivo principal é sempre o mesmo: o preço alto praticado pelas revendas legais. Pense bem, mesmo oferecendo garantia e assistência técnica, você prefere comprar um MP3Player de 300 reais numa loja convencional ou adquirir o mesmo modelo pela metade do preço numa “rua Santa Efigência da vida”? O comércio ilegal de mercadorias é crime e certamente ninguém discorda disso. No entanto, o que pagamos de imposto em cada produto comprado é também um assalto, só que previsto em lei. Em alguns casos, o valor pago ao governo passa de 50% do valor do item comprado.

A MP do Bem é um exemplo de como as coisas podem mudar, mas precisamos de mais. Impostos menores estimulam o comércio legal, geram empregos e as pessoas apelam menos ao mercado paralelo. Está certo que falar é fácil demais, mas um pouco de boa vontade pode mudar as coisas. É disso que a gente precisa.

Ao som de Symphony X - Awakenings.

13:32 | Reflexão | 4 comentários


13/5/2006

Pedágio de calçada

Por Emerson Alecrim

Sim, eu estava com pressa nesse dia, muita pressa, mas se eu cortasse caminho por ali, chegaria a tempo. Então lá fui eu. Ao passar pelo primeiro cruzamento, acreditei mesmo que chegaria a tempo. Mero engano…

Do nada, surgiu um senhor na minha frente oferecendo um panfleto. Neguei com um aceno de mão, mas ele insistiu, bloqueou toda a minha passagem até que eu aceitasse, então peguei o papel e joguei fora logo em seguida, indo contra todos os meus princípios ecológicos.

Alguns metros depois um rapaz esticou o braço para me oferecer uma revista dizendo que era de graça, mas eu já conheço o truque: na hora que você pega a revista, ele a segura e então tenta persuadí-lo a fazer uma assinatura. Vendo que eu não ia pegar a revista, o rapaz atravessou à minha frente insistindo na gratuidade do produto.

Mal me livrei da revista, me apareceu um casal insistindo para eu aceitar Jesus. Eu respondia que estava atrasado e eles simplesmente diziam que se eu entrasse no “templo” eu teria todo o tempo do mundo… Prometi ao casal passar ali assim que voltasse. Se eles acreditaram, estão me esperando lá até agora…

Após passar por mais um cruzamento, notei que teria que andar pela rua, já que a calçada estava tomada por camelôs e tinha tanta gente parada em frente às bancas, que achei aquilo parecido com uma feira de domingo. Nem quis saber o que tinha ali, até mesmo porque os carros estacionados em fila dupla me distanciavam bastante da calçada.

Mais panfletos apareceram na minha frente, uma vidente se ofereceu para ler a minha mão e então veio o último e surpreendente obstáculo: um garoto todo sujo parou à minha frente e disse “moço, pra passar aqui você vai ter que pagar pedágio”. Fiquei olhando para ele com aquela cara de quem acha que o mundo está perdido, quando uma mulher o puxa e pede desculpas. O garoto a acompanha rindo e tentando escapar de seus tapas. Bom, de todos os que me pararam nesse dia, o garoto ao menos foi o mais claro quanto aos seus objetivos…

Ao som de Cathedral - Corpsecycle.

20:52 | Cotidiano | 2 comentários


7/5/2006

Quem não deve não passa fome!

Por Emerson Alecrim

A fome é um dos problemas sociais mais sérios que existe e atinge o mundo todo. No Brasil então, parece um problema crônico. Quem já passou fome na vida, certamente não tomaria a atitude de nosso ilustre Anthony Garotinho. Numa das decisões mais imbecis que já vi, o ex-governador do Rio de Janeiro começou uma greve de fome no dia 30 de abril (2006) e, até a publicação desse post, continuava não se alimentando.

O que a anta desse Garotinho não percebe é que, aos poucos, bem aos poucos mesmo, a população brasileira vai deixando de se enganar. Essa fase de causar comoção já passou e todo mundo sabe bem que se fosse por uma causa verdadeiramente nobre muita gente iria apoiá-lo. Mas o cara é acusado de cometer irregularidades e, em vez de se empenhar para provar sua inocência, acusa a Rede Globo, a revista Veja e tenta denegrir o Supremo Tribunal Eleitoral.

A Globo pode ter ajudado a eleição do Collor em 1989 e pode até continuar sendo manipuladora, mas não ao extremo de executar isso de maneira tão óbvia. Não só a Globo como um monte de canais da imprensa tem dado atenção às “boas ações” do Garotinho. Se é inocente, prove! Ainda, se não bastasse, Garotinho enviou uma carta à Organização dos Estados Americanos pedindo acompanhamento internacional das eleições por aqui. Mesmo composto por um antro de políticos sem-vergonha, o Brasil não precisa desse tipo de monitoração.

Mas foi bom o Garotinho ter feito isso. Se alguém ainda duvidava de sua idoneidade, agora não deve ter dúvidas. O cara nunca mais vai se eleger, a não ser que tente um cargo de deputado ou vereador. E ainda serviu para nos causar boas risadas, pois nunca vi tantos blogs e tantas charges sobre políticos como vi recentemente. Até uma funerária resolveu dar uma forcinha. Na rua, nos ônibus, no trabalho e em um monte de lugares, não encontrei uma única pessoa sequer que apoiasse Garotinho. Pelo contrário, ele é motivo de piada e força tanto para transmitir uma imagem de sofredor que todo mundo fala que ele está se alimentando às escondidas.

 

Garotinho mimado esse, não?

Ao som de Symphony X - The Damnation Game.

17:28 | Política | 4 comentários



maio 2006
S T Q Q S S D
« abr   jun »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

publicidade

categorias

arquivos

Baixe Firefox 2

rss do blog

comentários recentes:

eu leio

links

destaques

citações

Se você estiver fazendo algo que vai se arrepender amanhã de manhã, durma até tarde.
Henny Youngman


Blog de Emerson Alecrim | Layout por Erika Sarti | Powered by WordPress WordPress | Política de privacidade | No ar desde novembro de 2005