Sim, eu estava com pressa nesse dia, muita pressa, mas se eu cortasse caminho por ali, chegaria a tempo. Então lá fui eu. Ao passar pelo primeiro cruzamento, acreditei mesmo que chegaria a tempo. Mero engano…
Do nada, surgiu um senhor na minha frente oferecendo um panfleto. Neguei com um aceno de mão, mas ele insistiu, bloqueou toda a minha passagem até que eu aceitasse, então peguei o papel e joguei fora logo em seguida, indo contra todos os meus princípios ecológicos.
Alguns metros depois um rapaz esticou o braço para me oferecer uma revista dizendo que era de graça, mas eu já conheço o truque: na hora que você pega a revista, ele a segura e então tenta persuadí-lo a fazer uma assinatura. Vendo que eu não ia pegar a revista, o rapaz atravessou à minha frente insistindo na gratuidade do produto.
Mal me livrei da revista, me apareceu um casal insistindo para eu aceitar Jesus. Eu respondia que estava atrasado e eles simplesmente diziam que se eu entrasse no “templo” eu teria todo o tempo do mundo… Prometi ao casal passar ali assim que voltasse. Se eles acreditaram, estão me esperando lá até agora…
Após passar por mais um cruzamento, notei que teria que andar pela rua, já que a calçada estava tomada por camelôs e tinha tanta gente parada em frente às bancas, que achei aquilo parecido com uma feira de domingo. Nem quis saber o que tinha ali, até mesmo porque os carros estacionados em fila dupla me distanciavam bastante da calçada.
Mais panfletos apareceram na minha frente, uma vidente se ofereceu para ler a minha mão e então veio o último e surpreendente obstáculo: um garoto todo sujo parou à minha frente e disse “moço, pra passar aqui você vai ter que pagar pedágio”. Fiquei olhando para ele com aquela cara de quem acha que o mundo está perdido, quando uma mulher o puxa e pede desculpas. O garoto a acompanha rindo e tentando escapar de seus tapas. Bom, de todos os que me pararam nesse dia, o garoto ao menos foi o mais claro quanto aos seus objetivos…
Ao som de Cathedral – Corpsecycle.
