Bem feito para a Varig!
Por Emerson AlecrimA situação de “quase morte” da Varig é notícia freqüente. Muita gente se pergunta como uma empresa desse porte consegue entrar numa crise tão profunda. A resposta exata eu não tenho e, talvez, nem venha a ter, mas mesmo assim me atrevo a dizer: bem feito!
Esse “bem feito” não é direcionado à Varig em especial, mesmo porque sua falência deixará muita gente desempregada e causará problemas no transporte aéreo, mais do que já causa. Esse “bem feito” também é direcionado ao governo.
O Brasil tem como meio de transporte mais comum o sistema rodoviário. Muita gente sai da Bahia, por exemplo, e vai para São Paulo de ônibus. Só as pessoas com situação financeira melhor utilizam vôos para fazer esse trecho. Para diminuir o preço das passagens aéreas, o governo fez sua parte: O ICMS do setor aéreo é nulo e o BNDES mantém linhas de créditos com juros baixos para a aquisição de aeronaves e equipamentos relacionados.
Naturalmente isso reflete positivamente no preço das passagens aéreas, que acabam atraindo mais passageiros para o segmento. Soma-se isso à má administração e a promoções absurdas, como passagens a 25 ou 50 reais e pronto, tem-se a situação vergonhosa da Transbrasil, Vasp e Varig.
Agora olhe um pouco mais para baixo e veja a situação do transporte rodoviário, ainda o mais usado:
- as empresas de ônibus são obrigadas a renovar sua frota com freqüência para se manterem competitivas, porém não contam com nenhuma linha de crédito especial para a aquisição de veículos. Um modelo com o visto na foto abaixo não sai por menos de 450 mil reais;

- o setor rodoviário é obrigado a repassar uma taxa de até 18% de ICMS aos passageiros;
- o preço das passagens rodoviárias é acrescido de pedágios;
- as verbas direcionadas à manutenção das estradas freqüentemente recebem outro destino, fazendo do transporte rodoviário um meio mais inseguro;
- o governo investe pesado na modernização e construção de aeroportos, mas isso só acontece com as rodoviárias por força da iniciativa privada.
O setor rodoviário não tem nenhum tratamento especial e mesmo assim se mantém ativo. Sua força é tanta que, pouca gente sabe, mas a Gol Linhas Aéreas foi criada pelo grupo Constantino, dona de uma das maiores frotas de ônibus do Brasil.
Mesmo com tantas dificuldades (há outras não citadas, como o transporte clandestino), o sistema rodoviário sobrevive e prospera. Quanto ao setor aéreo, com tantas facilidades…

Referência: ABRATI.
Ao som de Pantera – Walk.
20:30 | Reflexão | 3 comentários