Não raramente, não raramente mesmo, prefiro o silêncio. Prefiro porque é a forma que tenho para conseguir andar, avançar, errar e corrigir. Lembro que, quando era criança, ficava ansioso por muita coisa. Se dali a um mês eu ia viajar, pensava na viagem todos os dias e não dormia na véspera. Já tomei sorvete semi-derretido por não esperar ficar pronto. Já fiquei encharcado por não ter paciência para esperar a chuva passar. Aquela frase “quem tem pressa come cru” servia perfeitamente a mim.
Não sei se por influência desses erros, mas aos poucos fui melhorando. Junto a isso, fui criando uma visão analítica das coisas, justamente para não me precipitar. Quando comecei a colher os frutos disso, vi que valeria a pena, então continuo com essa coisa de parar e raciocinar até hoje. A questão é que não vivo isolado no mundo, e a própria convivência faz com que você, ora ou outra, preste contas do que está fazendo.
O problema começa quando te questionam por você não seguir o rumo comum das coisas ou por surpreender. Cansei de ouvir frases como “para quê ter esse trabalho todo? “faz assim, ó!”, “isso é perda de tempo, vai fazer outra coisa”, “se eu fosse você, teria feito isso e não aquilo”, “seria melhor se você tivesse feito assim”, “você deveria falar com meu primo, ele é ótimo nisso”, e por aí vai.
Freqüentemente me irrito com essas coisas, pois são poucas as pessoas que realmente fazem comentários construtivos, que acrescentam alguma coisa com base em conhecimento saudável. Os demais parecem usar argumentos numa tentativa de deixá-lo em um nível mais baixo, para se sentirem melhor.
Então passei a ser um devoto do silêncio, porque ninguém atira pedras na janela que não vê. Simplesmente faço, não falo, a não ser com alguns poucos que merecem estar envolvidos. O melhor de tudo é que você se livra do possível “prometer e não cumprir”, você não fala que vai fazer, simplesmente apresenta quando já está feito e, se bem feito, não há como questionarem. Faça, não fale ou, se impossível, fale pouco. É essa a dica.
Ao som de Leaves’ Eye – Vinland Saga.
