A São Paulo real
Por Emerson AlecrimSão Paulo enfrenta a segunda onda de ataques do PCC. A reação dos paulistanos, de maneira geral, reflete o estilo de vida dessa cidade: o povo se nega a parar.
Estabelecimentos foram atacados, policiais foram mortos, inocentes foram feridos. Muitos lugares ficaram sem ônibus, uma vez que estes veículos foram os principais alvos da facção criminosa. Mesmo assim, muita gente ainda conseguiu chegar ao trabalho ou ao seu compromisso.
De noite, poucos bares fecharam. Os que ficaram abertos não tiveram queda significativa de clientes. As pessoas ainda foram ao cinema, passaram na locadora perto de casa, jogaram o futebol da semana. O Metrô funcionou integralmente, embora com alguns problemas causados pela super-lotação. As pessoas não deixaram de ouvir música. Não deram descanso às ruas e às principais avenidas.
Se não todas, boa parte das pessoas viu alguma coisa do ataque. Um ônibus queimado, um banco metralhado, o cortejo de carros da polícia em direção a um cemitério. Mas, praticamente, ninguém parou.
Não foi só a obrigação que forçou o povo a continuar ou, ao menos, a tentar cumprir suas tarefas. Foi também a “consciência inconsciente” de que São Paulo só é o coração do Brasil porque, em sua história, muita gente se negou a ficar de braços cruzados.
É isso que impede não só São Paulo, mas o Brasil todo de se tornar um “Haiti”. Entre feitos e defeitos, entre erros e acertos, entre problemas e soluções, entre acomodação e reação, o que vigora é a convicção plena de que não se pode parar. É assim que o caos fica enfraquecido, mesmo quando possui tudo para imperar.

Ao som de After Forever - Come.
12:27 | Reflexão | 1 comentário
