Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para julho, 2006

A São Paulo real

Um comentário

São Paulo enfrenta a segunda onda de ataques do PCC. A reação dos paulistanos, de maneira geral, reflete o estilo de vida dessa cidade: o povo se nega a parar.

Estabelecimentos foram atacados, policiais foram mortos, inocentes foram feridos. Muitos lugares ficaram sem ônibus, uma vez que estes veículos foram os principais alvos da facção criminosa. Mesmo assim, muita gente ainda conseguiu chegar ao trabalho ou ao seu compromisso.

De noite, poucos bares fecharam. Os que ficaram abertos não tiveram queda significativa de clientes. As pessoas ainda foram ao cinema, passaram na locadora perto de casa, jogaram o futebol da semana. O Metrô funcionou integralmente, embora com alguns problemas causados pela super-lotação. As pessoas não deixaram de ouvir música. Não deram descanso às ruas e às principais avenidas.

Se não todas, boa parte das pessoas viu alguma coisa do ataque. Um ônibus queimado, um banco metralhado, o cortejo de carros da polícia em direção a um cemitério. Mas, praticamente, ninguém parou.

Não foi só a obrigação que forçou o povo a continuar ou, ao menos, a tentar cumprir suas tarefas. Foi também a “consciência inconsciente” de que São Paulo só é o coração do Brasil porque, em sua história, muita gente se negou a ficar de braços cruzados.

É isso que impede não só São Paulo, mas o Brasil todo de se tornar um “Haiti”. Entre feitos e defeitos, entre erros e acertos, entre problemas e soluções, entre acomodação e reação, o que vigora é a convicção plena de que não se pode parar. É assim que o caos fica enfraquecido, mesmo quando possui tudo para imperar.

São Paulo - Avenida Paulista

Ao som de After Forever – Come.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

15/7/2006 - 12:27

Postado em Reflexão

Muito tudo isso odeio!

5 comentários

Já que é sexta-feira, que tal pedirmos comida em um lugar diferente? Foi isso o que fizemos. Decidimos testar o serviço on-line do McDonalds, uma vez que, por telefone, sempre dá a maior confusão quando os pedimos são muitos. Pelo site era mais fácil, pois além de ter todo o tempo do mundo para escolher, cada um podia retirar um determinado item do lanche, escolher um suco diferente, enfim.

Pedido feito. Era só esperar. E esperamos! Liguei quando já fazia 50 minutos que tínhamos feito o pedido. Disseram que ia chegar em 10 minutos. Passado esse tempo, um colega ligou novamente para reclamar. Mais 10 minutos e, finalmente, lá estava o pedido!

Por que, como sempre, não pedimos no Habib’s? A batata-frita veio murcha, ficou faltando meu lanche, meu sundae chegou derramado e, ainda por cima, o gerente da loja que nos atendeu me ligou para confirmar minhas reclamações (como se duvidasse das minhas palavras), depois que  entrei em contato com a central do McDonalds para exigir o reenvio dos itens.

O gerente chegou a dizer que o pedido foi verificado duas vezes. Explicou alguns procedimentos e tratei de deixar claro que aquilo era problema dele. No final das contas, não duvido, acabou sobrando para o atarefado motoboy…

Eu já não gostava muito do McDonalds. E, sabe, odeio quando estragam meu almoço… Bom, agora vou descontar minha raiva em uma telefonista da empresa. Até mais!

Ao som de Nemesea – Outro.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

8/7/2006 - 17:57

Postado em Cotidiano

Aprenda a perder, Brasil!

3 comentários

O Brasil perdeu a Copa. Ganhar seria ótimo, mas ninguém vê que essa derrota foi boa? Eu já não agüentava mais ver Pepsi, Guaraná Antarctica, Nike, Coca-Cola e principalmente a Globo falando tanto de futebol.

O Brasil, mais do que qualquer outro time, joga um futebol comercial. São câmeras para cá, bajulação para lá e muito, muito dinheiro envolvendo tudo. A conseqüência é a falsa sensação de superioridade e a terrível hipnose que leva o país a crer que não há coisa mais importante no mundo do que futebol.

A gente precisa saber perder. Aceitar e tentar não repetir os erros cometidos. Infelizmente a gente só aprende apanhando. Se o Brasil tivesse levado mais essa Copa, voltaríamos a ver todas aquelas desgraças que acometem este país, mas sem nos importarmos, afinal o Brasil ganhou a Copa! Mas a derrota não, ela tira a música da festa, atua como o despertador que, ao nos acordar, deixa claro que está na hora de ir trabalhar, faz as luzes acenderem para então vermos que a vida é muito mais importante do que todos os dizeres das bandeiras de incentivo à Seleção.

Perder uma Copa está longe de ser o fim do mundo. Quem dera nos dedicarmos aos problemas que assolam esse país com a mesma determinação que dedicamos ao futebol. Se é para festejar, que assim seja, mas que não seja só isso. Tem hora para tudo nesta vida. Espero que essa derrota, esse “estalar de dedos”, deixe isso claro. Bem claro. T+!

Ao som de Penumbra – Underwater Dream.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

2/7/2006 - 18:19

Postado em Reflexão