Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para agosto, 2006

Ao mundo, o que é do mundo

6 comentários

O mundo é assim, colorido para uns, sombrio para outros, alegre de dia e triste de noite para tantos. O mundo perfeito é o desejo de todos e, por não sabermos exatamente que perfeição é essa, nós nunca estamos satisfeitos. Nunca. São poucos os que dizem “agora que consegui o que queria, posso morrer feliz”.

A verdade é que a gente mal sabe o que quer. Esse mundo é pequeno demais para nossos anseios e, ao mesmo tempo, é grande ao extremo às nossas possibilidades. Parece que temos força infinita, não aceitamos um limite, não concordamos com a placa que diz que é ali, naquele ponto, onde tudo termina. Nos sentimos fortes por isso e somente uma coisa é capaz de mostrar o quão frágil somos. Somente uma coisa é capaz de derrubar o mais perfeito intelecto, o mais engenhoso dos homens, a mais poderosa das invenções: o coração.

Não falo (apenas) daquela função do coração de procurar a mulher da sua vida ou o seu príncipe encantado. Falo do coração como visão singular dos sentimentos. A gente age conforme o que sente. Quem nunca aconselhou a si próprio a agir com a razão? Mas como podemos exigir tanto da razão, se ela perde toda a sua segurança quando o coração não vai bem e é obrigada a usar como ponto de sustentação algo que só conquistamos com o passar do tempo, a experiência?

Ao mundo, ao nosso mundo, ao mundo de cada pessoa, temos que permitir o que é da natureza humana: a coexistência da razão, do coração, da intuição e do instinto. Falta alguma coisa? Sim, a solidariedade (e não caridade) de quem está ao redor, única forma de diminuir a ação quase dominante do erro.

Ao som de Opeth – To Rid the Disease.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

7/8/2006 - 20:37

Postado em Reflexão

É claro… que NÃO!

Um comentário

Uma coisa que notei em meu dia-a-dia é o benefício de dizer não. É incrível, mas parece que por uma questão cultural – é desrespeitoso dizer não – muita gente acaba aceitando determinadas coisas apenas por não conseguir expressar sua contrariedade. Os vendedores de cartão de crédito e assinatura de jornais sabem bem disso.

Quando estava no colégio, um monte de gente me chamava para arrumar seu computador. De graça, é claro. Por não conseguir inventar uma desculpa convincente eu aceitava na maioria das vezes, mesmo que contrariado. Até que teve um momento que, tomando coragem, eu disso não, “não, porque EU não quero”. Fiquei com fama de chato, é verdade, mas aos poucos pararam de me encher o caso.

Na rua também é assim. Quanta gente me parava para me convencer a assinar algo ou a responder uma “inocente” pesquisa. Hoje, educamente, digo “não, obrigado”. Se insistirem, repito com firmeza “NÃO, OBRIGADO”. A mesma coisa acontece para alguns serviços que me pedem para fazer: “quanto você está disposto a pagar? Puxa, eu costumo trabalhar com valores maiores, fica para a próxima”.

Falando assim até parece que eu digo não para tudo, que não faço nada que me contraria. Não é bem isso, é que tem hora que passam dos limites! Não acho correto tentarem me empurrar coisas. Se é para prestar algum serviço, ambas as partes têm que estar satisfeitas. Isso se chama negociação. E tem uma diferença gritante entre trabalhar de graça e ajudar os amigos, porque estes te ajudarão quando você precisar (se forem amigos mesmos).

Dizer não, quando cabível, é uma forma de se valorizar e, dependendo do caso, de se preservar. Saber dizer não também te ensina a ser mais seguro e a ser mais honesto consigo mesmo. Dizer não é, acima de tudo, uma forma de deixar claro que você toma suas próprias decisões.

Ao som de Xandria – Answer.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

4/8/2006 - 20:33

Postado em Reflexão