O mundo é assim, colorido para uns, sombrio para outros, alegre de dia e triste de noite para tantos. O mundo perfeito é o desejo de todos e, por não sabermos exatamente que perfeição é essa, nós nunca estamos satisfeitos. Nunca. São poucos os que dizem “agora que consegui o que queria, posso morrer feliz”.
A verdade é que a gente mal sabe o que quer. Esse mundo é pequeno demais para nossos anseios e, ao mesmo tempo, é grande ao extremo às nossas possibilidades. Parece que temos força infinita, não aceitamos um limite, não concordamos com a placa que diz que é ali, naquele ponto, onde tudo termina. Nos sentimos fortes por isso e somente uma coisa é capaz de mostrar o quão frágil somos. Somente uma coisa é capaz de derrubar o mais perfeito intelecto, o mais engenhoso dos homens, a mais poderosa das invenções: o coração.
Não falo (apenas) daquela função do coração de procurar a mulher da sua vida ou o seu príncipe encantado. Falo do coração como visão singular dos sentimentos. A gente age conforme o que sente. Quem nunca aconselhou a si próprio a agir com a razão? Mas como podemos exigir tanto da razão, se ela perde toda a sua segurança quando o coração não vai bem e é obrigada a usar como ponto de sustentação algo que só conquistamos com o passar do tempo, a experiência?
Ao mundo, ao nosso mundo, ao mundo de cada pessoa, temos que permitir o que é da natureza humana: a coexistência da razão, do coração, da intuição e do instinto. Falta alguma coisa? Sim, a solidariedade (e não caridade) de quem está ao redor, única forma de diminuir a ação quase dominante do erro.

Ao som de Opeth – To Rid the Disease.

