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25/9/2006

Um castelo de areia chamado Arrogância

Por Emerson Alecrim

Se tem uma coisa que aprendi com o tempo é respeitar as pessoas, mas respeitar de verdade, não para parecer educado. Sabe quando alguém fala com extrema cortesia só porque está diante do dono da empresa? Sabe quando alguém nem olha no rosto da faxineira só porque ocupa um alto cargo? Então, isso está errado, é deselegante, é sintoma de incompetência.

Já tive minhas idas e vindas em várias empresas e posso garantir que uma dose diária de simpatia e humildade faz muito bem. Quando falo de humildade, há quem pense em um sujeito que se veste de maneira simples, que compra o carro mais barato e que almoça marmita, mas não é isso. Humildade é ter os pés no chão, saber que você não é melhor do que ninguém, muito menos pior! Quando você consegue entender isso, deixa de se preocupar excessivamente com a aparência, com a falsa sensação de poder e em tentar se parecer infalível ou inteligente.

Seja em que ambiente for, não há nada melhor do que agir naturalmente. Você só consegue isso se deixar essas preocupações irritantes de lado. Mesmo porque, acredite, quem é chefe consegue perceber quando o indivíduo está sendo falsamente gentil. E tem outra: se você vai passar boa parte do dia no trabalho, vale a pena viver num ambiente hostil, torcendo para as horas passarem e para o fim de semana chegar logo? Não é melhor trabalhar com um clima legal, onde você age com gosto, sem se sentir entediado ou, pior, torturado?

Baixa esse nariz e passe a ser mais humano! Ninguém é nem mais nem menos que isso. Cumprimente o porteiro, o segurança, a faxineira. De vez em quando, converse com eles. Ajude-os quando possível, porque eles também te ajudarão, sem hesitar, quando você precisar. Deixe de lado essa coisa de achar que só é mais importante quem ocupa um cargo superior. Nessas idas e vindas em empresas que mencionei, tive a oportunidade de conhecer gente poderosa, que sabe das coisas. E eles não chegaram onde estão cultivando a arrogância, as aparências. Garanto que não, pois do contrário, eles não perderiam tempo dando conselhos e orientações a alguém que, à época, ostentava no crachá o mero cargo de estagiário. Sabiam eles que, um dia, suas palavras seriam importantes ao novato. Com a experiência de quem sentiu na pele, posso afirmar: eles estavam certos!

Ao som de Heavenfalls – Masquerade Down.

18:53 | Reflexão | 5 comentários


22/9/2006

“Dia Mundial sem Carro” uma ova!

Por Emerson Alecrim

Hoje, 22 de setembro, é comemorado o Dia mundial sem Carro. A idéia é fazer com que as pessoas deixem seus carros na garagem e usem bicicletas, caronas ou o transporte público para chamar a atenção aos problemas que o excesso de veículos causa  – em especial a poluição.

É uma iniciativa muito bonita, a causa é nobre, mas quer saber? Aqui em São Paulo não rola. A SPTrans, entidade que controla o transporte público da capital paulista, incentiva em sua campanha o uso dos ônibus nesse dia. Daí, pergunto: quem é o louco que vai deixar o conforto de seu carro para andar em veículos extremamente lotados, atrasados, sujos, vandalisados e, muitas vezes, velhos?

Em São Paulo, a campanha é boa àqueles que podem ir ao trabalho ou ao seu compromisso de bicicleta ou até mesmo a pé, pois aí passa a valer a questão da saúde e tal. Para os demais casos, é melhor continuar no carro mesmo, a não ser que a pessoa queira ter sua roupa amassada, ter seu sapato recém-engraxado pisado, ser empurrado ou ser apertado. Se for mulher então, ainda pode curtir uma boa encoxada de um marmanjo qualquer. Aos paulistanos, feliz Dia Mundial sem com Carro!


 
Ao som de Myriads – The day of wrath.

17:13 | Cotidiano | 2 comentários


18/9/2006

A moto lá e eu aqui

Por Emerson Alecrim

Se morasse em uma cidade do interior, eu até toparia usar moto, afinal, não há trânsito, não há muitas pessoas nas ruas e há espaço suficiente para desviar de um obstáculo repentino. Agora, aqui em São Paulo…

São Paulo vive infestada de motos, e não é para menos: com tanta concentração de lojas e escritórios, receber documentos ou produtos por moto significa conforto e agilidade para muita gente. A moto não fica presa no trânsito, consome pouco combustível, tem custo de aquisição reduzido e, portanto, é um meio de transporte rápido e barato, tanto que virou profissão para muita gente.

A rede de lanchonetes Habib’s, por exemplo, tem um serviço de entrega de comida que funciona da seguinte forma: o cliente efetua o pedido pela internet ou por telefone e paga 4,90 reais pelo transporte. O motoboy tem 28 minutos para entregar a comida em perfeitas condições de consumo, caso contrário, terá que pagar a conta do cliente. Se a entrega ocorrer no tempo previsto, ele fica com os 4,90 reais. Se o entregador fizer pelo menos três entregas por hora, faturará nesse intervalo 14,70 reais. Supondo que ele trabalhe por seis horas diárias, seu faturamento será de 88,20 reais, uma renda considerável para esses trabalhadores.

O problema das motos aqui em São Paulo é a questão da segurança. Infelizmente, não é difícil ver motoqueiros acidentados. Os motivos são diversos: a disputa de espaço físico com carros, manobras arriscadas para ganhar tempo, falta de preparo para conduzir uma moto, excesso de velocidade, entre outros. É por essa razão que confesso: tenho medo de andar de moto, mesmo naquelas com poucas cilindradas.

Acho bacana ver motos como Harley Davidson e BMW, mas prefiro somente olhá-las. Você pode argumentar que basta andar com velocidade controlada e evitar manobras arriscadas, mas aqui em São Paulo não é assim que funciona. Se eu parar com uma moto atrás de um carro ao invés de ultrapassá-lo, serei motivo de piada para todos os demais motoqueiros. Motoristas não se dão bem com motoqueiros e vice-versa, logo, se um não ficar esperto, não demorará a ter problemas.

Tem gente que usa moto para sobreviver e tem gente que não usa moto para sobreviver. É óbvio que me encaixo no segundo caso.

motos.jpg

Ao som de Symphony X – Pharaoh.

9:18 | Cotidiano | 4 comentários


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