Na verdade, a banda me viu parar para ouvi-la. Falo da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de São Paulo. Sua apresentação ocorreu na última quarta-feira, no campus Anália Franco da Universidade Cruzeiro do Sul. Quer saber? Adorei! Tocaram apenas obras brasileiras, como O Guarani, de Carlos Gomes e Brasileirinho, de Waldir Azevedo, mas foi muito bom. Não vi hesitação, nem erro por parte deles. Tocaram com precisão, como se o som estivesse sendo extraído diretamente de um CD.
Quando vemos carros da polícia em algum lugar, imediatamente imaginamos que boa coisa não acontece ali. É pior quando vemos a polícia em ação, atirando e recebendo bala. O que quero dizer é que sempre associamos a imagem da polícia a sentimentos de tensão. Por outro lado, ver um policial tocar um instrumento, outro dançar, um terceiro cantar ou um quarto agitar o público, faz com que a gente os veja com outros olhos, em sua real condição humana. E olha que mesmo assim eles continuam executando seu ofício, só que tendo a música como arma.
A apresentação durou cerca de uma hora e, infelizmente, nesses lugares sempre tem gente que não valoriza o pouco de cultura que recebe: houve quem ficasse gritando, conversando alto ou fazendo qualquer coisa que atrapalhava quem queria, de fato, assistir. Mas me contento, pois foi uma minoria. A maioria adorou, ouviu atenta e, assim como eu, certamente ficou contente de ver, pela primeira vez, uma orquestra ao vivo.
Ao som de Therion – Enter Vril-Ya.
