A moto lá e eu aqui
Por Emerson AlecrimSe morasse em uma cidade do interior, eu até toparia usar moto, afinal, não há trânsito, não há muitas pessoas nas ruas e há espaço suficiente para desviar de um obstáculo repentino. Agora, aqui em São Paulo…
São Paulo vive infestada de motos, e não é para menos: com tanta concentração de lojas e escritórios, receber documentos ou produtos por moto significa conforto e agilidade para muita gente. A moto não fica presa no trânsito, consome pouco combustível, tem custo de aquisição reduzido e, portanto, é um meio de transporte rápido e barato, tanto que virou profissão para muita gente.
A rede de lanchonetes Habib’s, por exemplo, tem um serviço de entrega de comida que funciona da seguinte forma: o cliente efetua o pedido pela internet ou por telefone e paga 4,90 reais pelo transporte. O motoboy tem 28 minutos para entregar a comida em perfeitas condições de consumo, caso contrário, terá que pagar a conta do cliente. Se a entrega ocorrer no tempo previsto, ele fica com os 4,90 reais. Se o entregador fizer pelo menos três entregas por hora, faturará nesse intervalo 14,70 reais. Supondo que ele trabalhe por seis horas diárias, seu faturamento será de 88,20 reais, uma renda considerável para esses trabalhadores.
O problema das motos aqui em São Paulo é a questão da segurança. Infelizmente, não é difícil ver motoqueiros acidentados. Os motivos são diversos: a disputa de espaço físico com carros, manobras arriscadas para ganhar tempo, falta de preparo para conduzir uma moto, excesso de velocidade, entre outros. É por essa razão que confesso: tenho medo de andar de moto, mesmo naquelas com poucas cilindradas.
Acho bacana ver motos como Harley Davidson e BMW, mas prefiro somente olhá-las. Você pode argumentar que basta andar com velocidade controlada e evitar manobras arriscadas, mas aqui em São Paulo não é assim que funciona. Se eu parar com uma moto atrás de um carro ao invés de ultrapassá-lo, serei motivo de piada para todos os demais motoqueiros. Motoristas não se dão bem com motoqueiros e vice-versa, logo, se um não ficar esperto, não demorará a ter problemas.
Tem gente que usa moto para sobreviver e tem gente que não usa moto para sobreviver. É óbvio que me encaixo no segundo caso.

Ao som de Symphony X - Pharaoh.
9:18 | Cotidiano | 4 comentários
