Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para setembro, 2006

Percai todas as esperanças, ó vós que votais!

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Ainda há muito tempo para decidir, mas já escolhi para quem irei votar nas eleições desse ano. Devo confessar, no entanto, que farei isso a contragosto, pois considero o processo eleitoral um verdadeiro tormento.

A começar pelas propagandas. Assistir as propostas dos candidatos na TV é igual ou pior que ver um programa de baixaria. Candidatos à Presidência fazem promessas sobre ações que cabem aos municípios executar, o que já tira minha confiança. É possível notar que o interesse dos partidos é prioridade absoluta, do contrário, José Serra não teria ficado na Prefeitura de São Paulo por pouco mais de um ano para depois concorrer ao cargo de governador do estado. Talvez ele não tivesse tido votos suficientes se os eleitores soubessem que seu mandato ia durar tão pouco.

O Tribunal Superior Eleitoral tem feito campanhas para incentivar o voto consciente. Os argumentos são válidos, mas é tarefa por demais complicada identificar candidatos sérios e comprometidos com os interesses do país. Não é para menos: são tantos escândalos que a imagem de qualquer político pode facilmente se tornar negativa.

Falam de maneira elogiosa da democracia brasileira. Sinceramente, não vejo nada de democrático na obrigatoriedade de votar. Eu votaria com gosto, se houvesse seriedade. Mas a realidade é que cada candidato é pior do que o outro, nunca melhor. Mas já que sou forçado, eis os meus votos:

Presidente: Nulo
Governador: Nulo
Senador: Nulo
Deputado Federal: Nulo
Deputado Estadual: Nulo

Caso você também tenha intenção de votar nesses candidatos, basta digitar números inválidos (que não são usados) na urna e apertar Confirma.

Ao som de Nevermore – I, Voyager.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

13/9/2006 - 17:13

Postado em Política

Se elevador falasse…

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O que acho legal nos elevadores é que neles pode acontecer um monte de coisas em um intervalo de tempo muito pequeno, afinal, você só fica ali, no máximo, por 2 ou 3 minutos, a não ser que esteja em um prédio de 132 andares ou que resolva não descer em nenhum andar. Se elevador pudesse falar, seria o maior contador de histórias do mundo!

Eu, por exemplo, certa vez entrei no elevador e, quando as portas fecharam, disse a mim mesmo: “nossa, esse é dos bons, nem parece que está se mexendo”. Quando comecei a estranhar a demora para chegar em meu andar, as portas se abriram. Vi um rapaz com a mão ainda no botão do elevador dizer “nossa, já chegou?”. Daí me dei conta: o bendito não saiu do lugar, pois eu havia esquecido de apertar o botão do andar que ia… ¬¬

Teve uma vez que entrei em um elevador muito moderno, daqueles que te cumprimentam, sabe? Estava sozinho nele, quando entrou uma mulher no andar seguinte. Uma voz feminina e bastante audível disse “bom dia”. A moça ficou espantada e me olhou como se perguntasse “essa voz é sua?”. Fiquei incomodado com essa reação, então, quando desci, falei “com licença” com o tom de voz mais grave que consegui fazer, mas nem precisava: o elevador falou “bom dia” de novo e ela percebeu (espero) que não era eu.

No meu antigo emprego, estava trabalhando à noite, sozinho naquele prédio, motivo pelo qual as luzes dos corredores estavam apagadas, me deixando na escuridão. Sabia que o elevador estava desligado para manutenção, então subia e descia pelas escadas. Porém, teve um momento em que passei em frente ao dito cujo e este abriu suas portas. Como estava escuro, a luz que saia parecia mais forte, o que ajudou a piorar o meu (enorme) susto: tinha uma corda sustentando uma placa com os dizeres “Não entre. Em manutenção” dentro do elevador, mas na hora tive a impressão de ter visto alguém enforcado!

Sabe aqueles esqueletos de plástico usados em aulas de biologia, onde você pode remover os órgãos? Pois então, um conhecido meu e seus amigos resolveram levar um desses para passear… de elevador! Ele ficou revoltado por ter sido suspenso por uma semana só porque uma mulher desmaiou ao ver seu amigo esquelético bancar o ascensorista…

É, em vez de dizer “bom dia” ou tocar aquelas musiquinhas chatas, os elevadores podiam contar suas histórias, não? Ia adorar escutá-las! :D

Ao som de Elis – Come to me.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

9/9/2006 - 0:59

Postado em Inusitado

Eu vi a banda passar!

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Na verdade, a banda me viu parar para ouvi-la. Falo da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de São Paulo. Sua apresentação ocorreu na última quarta-feira, no campus Anália Franco da Universidade Cruzeiro do Sul. Quer saber? Adorei! Tocaram apenas obras brasileiras, como O Guarani, de Carlos Gomes e Brasileirinho, de Waldir Azevedo, mas foi muito bom. Não vi hesitação, nem erro por parte deles. Tocaram com precisão, como se o som estivesse sendo extraído diretamente de um CD.

Quando vemos carros da polícia em algum lugar, imediatamente imaginamos que boa coisa não acontece ali. É pior quando vemos a polícia em ação, atirando e recebendo bala. O que quero dizer é que sempre associamos a imagem da polícia a sentimentos de tensão. Por outro lado, ver um policial tocar um instrumento, outro dançar, um terceiro cantar ou um quarto agitar o público, faz com que a gente os veja com outros olhos, em sua real condição humana. E olha que mesmo assim eles continuam executando seu ofício, só que tendo a música como arma.

A apresentação durou cerca de uma hora e, infelizmente, nesses lugares sempre tem gente que não valoriza o pouco de cultura que recebe: houve quem ficasse gritando, conversando alto ou fazendo qualquer coisa que atrapalhava quem queria, de fato, assistir. Mas me contento, pois foi uma minoria. A maioria adorou, ouviu atenta e, assim como eu, certamente ficou contente de ver, pela primeira vez, uma orquestra ao vivo.

Ao som de Therion – Enter Vril-Ya.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

2/9/2006 - 3:38

Postado em Interessante