Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para outubro, 2006

O que faz de um herói, eterno

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Tudo começou com uma simples indicação numa comunidade do Orkut sobre o YouTube. O vídeo, com cerca de 8 minutos, fazia uma homenagem a todos os pilotos mortos em acidentes de Fórmula 1. O último falecido me fez lembrar do penúltimo, o austríaco Roland Ratzenberger, já que o intervalo entre as duas mortes foi de apenas um dia. Você certamente percebeu que estou falando de Ayrton Senna da Silva.

Com pouco esforço, consegui encontrar no YouTube três vídeos seqüenciais (1, 2 e 3) que mostram a narração feita por Galvão Bueno, na Rede Globo, no dia do fatídico acidente. Então, como um pano tirando a poeira sobre a mesa, minha mente foi revelando, progressivamente, o que me ocorreu naquele dia…

Eu estava assistindo a corrida. Lembro perfeitamente de não ter ficado apreensivo no momento da batida, pois acreditava que não havia ocorrido nada de grave. Instantes depois, quando percebi que Senna estava inconsciente, me deu um “gelo” no corpo todo. Mentalmente dizia “levanta a cabeça”, “sai do carro”, “abre a viseira”. De repente, Senna fez um leve movimento com a cabeça e, ao contrário do Galvão Bueno, que expressou acreditar que isso significava um estado de consciência, percebi, não sei como, que aquele gesto não indicava boa coisa. Era como se ele tivesse sentindo tanta dor que, mesmo desacordado, o corpo tentava reagir.

Nos minutos seguintes afundei no sofá. O atendimento era demorado, a angústia era cada vez maior. Em um dado momento, moveram o corpo de Senna, o que permitiu à câmera mostrar uma poça de sangue. Aí me dei conta do silêncio que tomou não só minha casa, mas toda a vizinhança que, até alguns minutos atrás, fazia os ruídos típicos de um dia de domingo.

Após a corrida, todo mundo ficou grudado na TV à espera de notícias. A primeira nota dizia que o estado de Senna era de absoluta gravidade. Se me lembro bem, a notícia seguinte falou de morte cerebral. A terceira anunciou o falecimento de Ayrton, momento no qual senti um gosto amargo na garganta.

Lembro depois da chegada do corpo de Senna ao Brasil e do cortejo feito por um caminhão dos bombeiros. O mundo via pela tela das TVs a dor dos brasileiros e chorava junto com a gente. As ruas por onde o caixão passava estavam incrivelmente lotadas, até os policiais e os bombeiros não conseguiam esconder a comoção.

No ano de 1993, no GP do Brasil, Senna ganhou de uma forma até hoje inigualável. Venceu brilhantemente a corrida e fez a torcida invadir o autódromo de Interlagos. Tem cena melhor do que ver Ayrton ali, no meio do povo, erguendo as mãos pela vitória? Ou ver Senna, instantes depois, sentado na janela do Safety Car acenando para tudo e para todos?

Nos comentários dos vídeos que vi no YouTube, muitos estrangeiros expressavam o quanto gostavam de Ayrton. Os japoneses, por exemplo, fazem homenagens a Senna até hoje e, tenho certeza, sofreram tanto quanto nós com sua perda. Outro exemplo é o de uma revista italiana que, em uma enquete recente, apontou Senna como o melhor piloto de todos os tempos.

Ayrton Senna da Silva mostrou, como poucos, que apesar do Brasil ser uma merda (politicamente falando), a gente ainda tem que se orgulhar dele. Mostrou ao mundo que não há conquista sem suor, não há vitória sem disputa, não há coragem sem audácia e, acima de tudo, que o único limite de uma pessoa, é ela mesma. É isso que faz de um herói, eterno.

Ao som de Nevermore – Evolution 169.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

29/10/2006 - 14:06

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Gelatina, quem diria?

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Consumi muita gelatina durante minha infância. Achava esse doce diferente, talvez exótico, mas unicamente por causa de sua consistência incomum. Nas festinhas de aniversário, sempre mirava os potinhos de gelatina nos sabores uva e limão, à época, os meus preferidos. É claro que a gulodice de moleque não deixava eu me contentar com um pote só, mas isso mudou com o passar do tempo.

Onde trabalho, tenho um colega que é do Peru e, a pedidos, ele nos trouxe um bolo muito popular por lá. Para acompanhar, trouxe também uma bebida que nos causou espanto inicialmente: gelatina líquida. Ele ficou surpreso com nossa estranheza, pois no Peru é comum consumir gelatina assim. Fui um dos primeiros a tomar e, confesso, gostei! A impressão que tive foi a de que o gosto da gelatina era mais forte, talvez porque a bebida não estivesse gelada, embora também não estivesse quente.

Minha mãe trabalha em hospital e me disse que gelatina é muito comum por lá. O motivo não é o custo baixo, muito menos a facilidade de preparação, mas o fato da gelatina fazer bem à saúde, especialmente à pele e aos ossos. De acordo com este site, isso tem explicação: a gelatina é derivada do colágeno (extraído principalmente de bovinos), cujas proteínas oferecem nove dos dez aminoácidos essenciais ao corpo humano. Se misturarmos gelatina com frutas, por exemplo, os benefícios nutricionais aumentam. Além disso, a gelatina tem baixo teor calórico, uma notícia boa para quem vive xingando a balança.

Desde que tomei conhecimento disso, estou tentando consumir mais gelatina. Certamente não voltarei ao nível de consumo de quando era criança, mas deixarei o hábito de só comer (ou tomar, né?) gelatina de vez em quando. Uma caixinha de gelatina em pó custa menos de 2 reais e o preparo não exige muito tempo de convívio com a cozinha, então não há desculpa para fazer o contrário.

Não poderia encerrar esse texto sem dizer “abre a boca, é Royal“. Se você não lembrou do que se trata, certamente passou longe de gelatina quando criança… :D

Ao som de Xandria – Keep my secret well.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

25/10/2006 - 17:36

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O Parque do Lago Azul

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No último fim de semana, estive com meu irmão na cidade de Campo Mourão – PR, para visitar familiares. Além dos passeios pela cidade (que é muito bonita), dos jantares e de toda a diversão que nos foi oferecida, fizemos uma trilha no Parque do Lago Azul, um lugar que, segundo o namorado da minha prima (o responsável pela idéia do passeio), nem 10% dos moradores da região conhecem. Não sabem o que estão perdendo!

O Parque Estadual do Lago Azul, localizado entre Campo Mourão e Luiziana, é uma extensa área de preservação ambiental e conta com diversas espécies de árvores, plantas e animais. Além disso, o local é cortado por rios, que cortejam o ambiente com quedas d’água e cachoeiras muito bonitas. No parque há ainda um fator histórico que muitos dali desconhecem: a área contém parte da primeira usina hidrelétrica de Campo Mourão, uma das responsáveis pela fundação da cidade.

Parque do Lago Azul

A trilha que fizemos tem cerca de 3,5 km. Além de curtimos a paisagem, também tivemos a oportunidade de conhecer espécies de árvores e plantas, algumas bem perigosas. Os guias também nos instruíram sobre como andar na mata com segurança para evitar picadas de cobras, quedas e problemas causados por plantas que fazem mal ao ser humano. Quase uma aula de sobrevivência na selva!

Logo quando entramos na mata, um leve susto: ouvimos barulhos ao nosso redor, mas rapidamente um dos guias descobriu que se tratava de um lagarto. Aqui, uma constatação triste: um dos guias que estavam conosco (que, por sinal, é biólogo), disse que esses animais estão indo para a estrada para absorver calor do sol. O asfalto é ótimo para isso, mas os lagartos não têm noção do perigo e muitos acabam morrendo atropelados.

Não conseguimos ver outros animais, mesmo porque a maioria deles é de atividade noturna, mas na sede do lugar tinha umas amostras interessantes. A que mais me chamou a atenção foi a de um besouro enorme, maior que um filhote de rato. Segundo um dos guias, não é difícil encontrar esse inseto na mata, embora não tenhamos tido essa sorte.

Parque do Lago Azul

Além da parte educativa, a trilha também rendeu muitas risadas. Como “caipiras da cidade grande”, provamos com tombos, escorregões, tropeções e enroscões em galhos, o quão ignorantes somos em lidar com a natureza. Ali, se não andarmos juntos, o risco de alguém se perder é grande, mesmo seguindo a trilha. Não é por menos: quem não é acostumado com a mata se desorienta facilmente.

A trilha oferece aprendizado, diversão e boas razões para cuidarmos bem na natureza. Esse último aspecto é levado tão a sério por lá, que um dos guias teve que nos abandonar para coibir a ação de pescadores ilegais que estavam nas proximidades. Do Parque não é permitido nem mesmo arrancar uma muda de planta. Também fomos orientados a manter o máximo de discrição ao ver um animal. Como disse um dos guias, “estamos no território deles, temos que respeitá-los”.

O que é uma pena é o fato de tão poucas pessoas conhecerem o lugar. O Parque do Lago Azul tem segurança, é bem cuidado, os guias são atenciosos, as paisagens e quedas d’água são muito bonitas, e isso tudo é oferecido de graça, basta ir lá.

Se qualquer dia você estiver no Paraná (ou se você mora nesse estado), faça um esforço para visitar o local, pois vale a pena. Campo Mourão está a cerca de uma hora de Maringá e a duas horas e meia de Londrina. Não é difícil chegar lá. Vá enquanto puder, porque sabe-se lá até quando essa área vai existir…

Quer uma amostra? Veja as fotos que tirei aqui. T+!

Parque do Lago Azul

Ao som de The Shaman – Fairy Tale.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

18/10/2006 - 15:16

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