Quando o passado e o futuro se encontram
Por Emerson AlecrimOs mais íntimos sabem que sou viciado em livros. E não é um vício do qual quero me livrar, pois a leitura sempre me fez bem. Mas não leio porque espero uma recompensa por isso, leio porque a leitura é o melhor meio que existe para entrar em outros mundos, em outras épocas, em outras idéias, em outros conceitos. Leio porque é o único meio de comunicação imune ao tempo.
Um escritor sempre sabe que sua escrita somente será lida no futuro. Da mesma forma, um leitor sempre sabe que o que leu é fruto do passado. O que ambos raramente percebem, no entanto, é que esse encontro, esse diálogo entre o que já existiu e o que há de existir, só ocorre no presente. Essa percepção, se por si só não causa fascínio, causa quando nos damos conta de que essa forma de comunicação não só não sabe o que é tempo, como também não sabe o que é vida e morte.
A escrita é a única forma de um vivo conhecer aquilo que um morto tem a dizer. Sim, que tem a dizer, pois quem escreve nunca terá dito algo àqueles que ainda não o leram. De igual maneira, a escrita é a única forma de um vivo conversar com quem ainda nem nasceu.
A única coisa que a escrita entende é existência. Enquanto existir alguém para escrever e alguém para ler, a escrita igualmente existirá. Uma coisa que atravessa ousadamente os limites do tempo e da vida não poderia trazer outra coisa senão riqueza. Uma riqueza intelectual, que gera e distribui conhecimento. Conhecimento esse que não serve para arranjar um bom emprego, serve para usarmos nossa capacidade para viver melhor, afinal, a própria vida é como um livro: seu conteúdo pode ser único e depente exclusivamente de seu autor.

Ao som de Metallica - Nothing else matters.
21:29 | Reflexão | 3 comentários
