Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para outubro, 2006

Quando o passado e o futuro se encontram

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Os mais íntimos sabem que sou viciado em livros. E não é um vício do qual quero me livrar, pois a leitura sempre me fez bem. Mas não leio porque espero uma recompensa por isso, leio porque a leitura é o melhor meio que existe para entrar em outros mundos, em outras épocas, em outras idéias, em outros conceitos. Leio porque é o único meio de comunicação imune ao tempo.

Um escritor sempre sabe que sua escrita somente será lida no futuro. Da mesma forma, um leitor sempre sabe que o que leu é fruto do passado. O que ambos raramente percebem, no entanto, é que esse encontro, esse diálogo entre o que já existiu e o que há de existir, só ocorre no presente. Essa percepção, se por si só não causa fascínio, causa quando nos damos conta de que essa forma de comunicação não só não sabe o que é tempo, como também não sabe o que é vida e morte.

A escrita é a única forma de um vivo conhecer aquilo que um morto tem a dizer. Sim, que tem a dizer, pois quem escreve nunca terá dito algo àqueles que ainda não o leram. De igual maneira, a escrita é a única forma de um vivo conversar com quem ainda nem nasceu.

A única coisa que a escrita entende é existência. Enquanto existir alguém para escrever e alguém para ler, a escrita igualmente existirá. Uma coisa que atravessa ousadamente os limites do tempo e da vida não poderia trazer outra coisa senão riqueza. Uma riqueza intelectual, que gera e distribui conhecimento. Conhecimento esse que não serve para arranjar um bom emprego, serve para usarmos nossa capacidade para viver melhor, afinal, a própria vida é como um livro: seu conteúdo pode ser único e depente exclusivamente de seu autor.

Ao som de Metallica – Nothing else matters.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

8/10/2006 - 21:29

Postado em Reflexão

Salve quem você puder!

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Eu fico triste pelo Brasil. Triste não apenas porque o povo elegeu novamente José Sarney, Fernando Collor e Paulo Maluf, mas principalmente porque dói descobrir que a maioria dos brasileiros não tem senso crítico. A falta dessa “proteção” é maléfica em vários aspectos, não apenas na política.

É duro notar que a maioria das pessoas não percebe o circulo vicioso no qual estamos. As camadas mais pobres da sociedade sofrem absurdos com a falta de condições melhores de vida, mas não conseguem sair desse estado porque os filhos – os únicos que podem mudar essa situação – aprendem, quando conseguem ingressar na escola, que estudar é chato ou que fazer um curso profissionalizante é garantia de um futuro melhor. Daí a “maldição” se repete em geração após geração.

A classe média não sai ilesa. Embora boa parte dos que enxergam o mundo do jeito que ele é esteja concentrada nela, o desinteresse por assuntos sociais ou intelectuais é grande. Cansei de ver adolescentes e adultos jovens que se preocupam somente com a próxima balada. A vida para eles, afinal de contas, é boa. O pai dá casa, carro, roupas de marca, computador e dinheiro pra balada. Tem coisa melhor?

Para as elites que mandam nesse país, é assim que as coisas devem ser. Isso está impregnado na cultura brasileira, no sangue desse povo. Se as pessoas não desenvolvem senso crítico, não conseguem pensar, não conseguem entender e se deixam conduzir por sorrisos e por manifestações falsas de humildade. Sim, porque muita gente se conforma com as desgraças que vivencia por acreditar que ser pobre é bonito. Pessoas assim não conseguem ter ambição na vida e passam essa perspectiva limitada aos filhos. Daí a história se repete.

Os que recebem tudo dos pais têm dificuldade para definir suas metas e acabam dando atenção a falsos valores. Não conseguem medir o grau de complexidade das coisas, então julgam como chato tudo aquilo que não conseguem entender. Sim, porque a vida lhes ensinou que tudo aquilo que não lhes agrada deve ser rejeitado, como se o mundo girasse ao seu redor. Acabam não percebendo que isso torna a vida limitada demais, pois não aprenderam o poder do questionamento, da criatividade, da resolução, da transformação, da realização.

O Brasil não vai ter uma revolução na educação, pois a liderança precisa manter a manipulação do povo. Já que não dá para salvar o país, salve ao menos os que lhe estão próximos. Pelo amor de tudo o que é mais sagrado, se esforce para fazer filhos, sobrinhos, netos, vizinhos, alunos, etc entenderem desde cedo que estudar é bom. Só assim essas crianças vão ter chances reais de desenvolver o senso crítico e evitar uma vida com as limitações que só a ignorância pode proporcionar. Salve quem você puder!

Ao som de Epica – Triumph of defeat.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

2/10/2006 - 0:10

Postado em Reflexão