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28/11/2006

Uma reação pequena, mas uma reação

Por Emerson Alecrim

É difícil aos paulistanos reconhecer que a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo está nas mãos das máfias. Queria eu me referir apenas ao PCC, mas não é preciso fazer uma análise muito profunda para perceber que essa organização criminosa não é a única por aqui. Há também a máfia do transporte público – que é a que destacarei neste texto – e as máfias das organizações governamentais, presentes, na verdade, em todo o Brasil.

São Paulo tem uma das maiores frotas de ônibus do mundo, mas também é uma das piores. Para ter uma idéia da máfia que é esse sistema, não houve nenhum grupo de outros estados brasileiros que participaram das licitações que ocorreram no governo da Marta Suplicy. É claro que há interesse de outros empresários, mas ninguém se atreveu a concorrer com os poderosos daqui. Não houve quem ousasse, por exemplo, enfrentar o grupo Ruas, dono de metade da frota de ônibus de São Paulo (presente também em outras cidades) e simplesmente proprietário da CAIO Induscar, uma das maiores montadoras de carrocerias de ônibus urbanos do mundo.

Como a prefeitura falha completamente na gestão do transporte público, a conseqüência não poderia ser outra: o paulistano é obrigado a usar serviços precários, com alguns ônibus novos, mas de baixa qualidade, atrasos constantes, frota insuficiente, lotação extrema, veículos sujos e mal conservados. Por investirem tão pouco, os empresários acabam fazendo fortuna, mesmo transmitindo uma imagem de “coitadinhos”, alegando falta de recursos para isso e para aquilo.

Gilberto Kassab, nosso atual prefeito (ocupou o cargo após a saída do José Serra), numa visível demonstração de que acha o povo imbecil, esperou as eleições terminarem para anunciar um aumento na tarifa de ônibus (que já é cara): de R$ 2,00 para R$ 2,30. Na verdade, esse aumento não é necessário agora, mas sua intenção é evitar que isso ocorra em 2008, ano de eleições. Está claro que esse maldito e toda sua escória sabe que o povo tem memória fraca e não vai se lembrar do aumento que ocorreu em 2006.

Bom, ao menos houve alguma reação. Um grupo de estudantes convocados pela UNE (União Nacional dos Estudantes) tem feito protestos pela cidade, pena que em baixa quantidade de participantes. Se houvesse um número muito maior de manifestantes, a situação seria mais favorável. Falta, na verdade, uma participação mais expressiva de toda a população, não só dos mais jovens.

Conforme diz o ditado, o problema do Brasil é o brasileiro. Somos um povo acomodado, de memória muito curta, que aprendeu a achar que o mínimo é um progresso. Faz um político visitar um bairro pobre e o povo fica com um sorriso de ponta a ponta, sentido-se lembrado. É triste ver que são poucos os que enxergam a realidade política como ela é. Mais triste ainda é ver que a maioria aceita tudo o que lhe é imposto muito facilmente, sem questionar.

Sabe o que acho pior? O fato de isso tudo me lembrar do livro 1984, de George Orwell. Em muitos aspectos, essa obra é de uma realidade espantosa. Quem leu, sabe do que estou falando…

Ao som de Tristania – Circus.

23:32 | Política | 4 comentários


24/11/2006

E agora, o que será que tem na garagem?

Por Emerson Alecrim

Imagine que, ao acordar, a primeira coisa que venha à sua mente é a pergunta título deste texto. Imaginou? Agora tente descobrir o que leva uma pessoa a ter essa dúvida quase todo dia, como se fosse um ritual. Huum… Talvez a garagem seja um depósito de algum ser de outra dimensão… Talvez a garagem seja a oficina de um carpinteiro que, todo dia, cria um objeto novo… Ou, talvez, o dono da garagem tenha múltiplas personalidades.

Esse assunto é capa da edição número 5 da Sapiens, uma revista da editora Abril que trata de Ciência, mas com conteúdo muito mais focado do que sua irmã mais velha, a revista Super Interessante. É uma publicação de qualidade, pena ter lançamentos esporádicos. A edição número 6, por exemplo, só deverá ser lançada em meados do ano que vem.

Pois bem, a pergunta do primeiro parágrafo é baseada em fatos reais e, entre outros casos, é mencionada na Sapiens. Trata-se de uma mulher britânica que, todo dia, ao abrir sua garagem, é obrigada a arrumar seu carro, pois sua outra personalidade alterou tudo no dia anterior: posição dos bancos, configuração dos espelhos, sintonia do rádio, etc. E o pior: certa vez, levou um susto ao abrir a garagem e ver que havia um Jaguar no lugar de seu carro popular.

A questão das múltiplas personalidades é intrigante, já que, dependendo do caso, pode ser entendida com um conjunto de pessoas com características diferentes que compartilham o mesmo corpo, cada qual assumindo o controle a cada momento, deixando as demais como meras espectadoras. Há casos, como o da mulher britânica, em que as personalidades não se conhecem, portanto, a pessoa não lembra o que seu outro eu fez anteriormente.

Essa doença, se é que pode ser chamada assim, ainda é cheia de mistérios, motivo pelo qual não se sabe, com exatidão, quais as causas. O que se sabe é que isso pode ser oriundo de uma falha de conexão entre as partes do cérebro: como cita a revista, o orgão intracraniano foi desenvolvido, ao longo dos anos, como uma casa aumentada conforme a necessidade, isto é, o cérebro não foi construído de uma só vez, teve suas “partes” criadas e encaixadas umas nas outras com o passar do tempo. Se uma dessas áreas tiver falhas de comunicação, várias conseqüências podem surgir, sendo uma delas o transtorno das múltiplas personalidades.

O que me chamou a atenção nesse assunto é o fato de que, todo mundo, inclusive você e eu, pode ter algum nível desse problema. Ah, você não, é? Pois bem, já lhe ocorreu de alguma vez você ter censurado algo que fez, sem razão aparente? Ou então de você ter executado alguma coisa de maneira tão automática, ao ponto de até ter se esquecido do feito? Ou, ainda, já passou por alguma situação em que se surpreendeu com você mesmo, seja de maneira positiva ou negativa?

Pois é, isso pode ser um tipo de múltiplas personalidades, mas não encare isso como um problema: embora ainda não haja nada certo, pesquisadores do tema dizem que isso pode ser uma proteção primitiva do cérebro desenvolvida para a mente humana ser capaz de lidar com grandes choques psicológicos. Entenda: enquanto um “eu” seu está, por exemplo, abalado, um outro assume o controle, como se fosse um piloto reserva, para garantir o funcionamento mínimo da máquina que é seu corpo, o que não significa que esse mecanismo só será acionado em momentos críticos, daí as surpresas. Essa questão só vira um problema quando o piloto reserva (ou os pilotos) acredita ser o principal. Aí, sua garagem pode se tornar palco de uma disputa entre você e você mesmo.

Ao som de Nemesis – Lucifer.

20:58 | Interessante | 4 comentários


20/11/2006

Video Games Live: eu fui!

Por Emerson Alecrim

Ontem (19/11/2006) tive o privilégio de ir com alguns amigos no Video Games Live, espetáculo ímpar que aconteceu aqui em São Paulo, na casa Via Funchal. Foi uma das apresentações mais incríveis que já vi, principalmente porque reuniu duas coisas que gosto bastante: orquestra e jogos.

O Video Games Live é um espetáculo criado e comandado por dois nomes de peso no mundo dos games: Tommy Tallarico e o maestro Jack Wall, ambos responsáveis por muitas das canções criadas para jogos. A idéia é apresentar com uma orquestra e um coral as músicas mais marcantes dos games de maior sucesso juntando, para isso, efeitos de luzes, lasers e imagens em telões. Em São Paulo, Jack Wall regeu a Orquestra Sinfônica Jovem da Unicamp e o coral da Academia Concerto.

As músicas apresentadas causaram grande empolgação. Tocaram temas de jogos como Metal Gear Solid, Castlevania, God of War (a música que mais me deixou arrepiado), Tomb Raider, Zelda, Sonic (uma das mais aplaudidas), Mario (muito bom, não poderia faltar), Final Fantasy VII e VIII, Civilization, Halo, entre outras. Como se fosse um brinde, apresentaram também uma música que homenageava os desenhos da Disney.

A apresentação também contou com a presença de Martin Leung, mais conhecido como Video Game Pianist, um jovem chinês que ficou famoso por interpretar músicas de jogos no piano. Ele tocou o tema de Super Mario Bros de olhos vendados e fez uma coisa que me surpreendeu: tocou a música do jogo Tetris, levando a platéia à loucura. Martin foi, merecidamente, aplaudido de pé.

Os pequenos detalhes também serviram para elevar a qualidade do show: durante o intervalo, o telão exibia um aviso e uma barra que dizia algo como “loading game”, simulando um jogo em carregamento. Quando os músicos voltaram, a mensagem dizia que o show foi carregado por completo e que bastava pressionar Start ou bater palmas para a apresentação recomeçar. Simplesmente genial, sem contar que, nesse momento, Jack Wall simulou um chute na caixa de lasers, no palco, em alusão ao tropeção que o aparelhou lhe causou logo no início do show, causando risos não só pelo acontecimento em si, mas pelo jeito engraçado que ele lidou com isso.

Pois é, foi inesquecível. Orquestra e coral de primeira, o pianista dando seu show, gente interessante (sim, também havia mulheres bonitas, jogos não são só para homens), músicas emocionantes, casa bacana, o pessoal (inclusive eu) trocando mensagens pelo Nintendo DS (e até disputando algumas partidas), enfim. Ali, naquele dia, a virtualidade dos jogos se misturou à nossa realidade e o resultado não poderia ter sido melhor. Não teve “game over” para ninguém.

Foto promocional do Site Herói – não levei câmera =D

Ao som de Pantera – Planet Caravan.

16:44 | Entretenimento | 5 comentários


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