Esqueceram deles!
Por Emerson AlecrimSe os objetos tivessem sentimentos, certamente os guarda-chuvas seriam os mais depressivos. Vá a qualquer lugar que tenha uma seção de “achados e perdidos” para comprovar, os guarda-chuvas são sempre os mais esquecidos. Em segundo lugar devem vir os celulares. Em terceiro, as carteiras.
Como trabalho em uma universidade (e meu primeiro emprego também foi em uma), vira e mexe encontro objetos perdidos dos alunos. Além dos itens supracitados, o pessoal costuma esquecer óculos escuros, blusas, bonés, cadernos, livros, CDs e disquetes. Há também uns engraçadinhos que “esquecem” de jogar o papel de bala no lixo. Todavia, não é raro encontrar objetos, por assim dizer, inesperados. Já encontrei ursinho de pelúcia, sacola com roupas íntimas femininas, aparelho odontológico, nota de 1 dólar, mochilas (sim, no plural), alicate de unha, espátula, capacete, pacote com dois DVDs alugados, álbum de fotos e um pedaço de cartolina com os dizeres “escrevi e saí correndo, pau no ** de quem tá lendo”, frase típica de porta de banheiro…
O objeto mais estranho que encontrei, no entanto, foi em um ônibus. Lá estava eu indo para não sei onde, quando uma mulher mal-humorada desembarcou juntamente com umas três crianças. O veículo fechou as portas e partiu. Parou alguns metros depois, no semáforo. De repente, a mulher que tinha descido passou ao lado da janela em que eu estava “numa velocidade”! Ela berrava para o motorista abrir a porta porque, pasme, havia esquecido um de seus filhos dentro do ônibus! O moleque, coitado, estava dormindo e acordou com aquela cara de quem não está entendendo nada. Ainda teve que agüentar sua mãe chamando-o de “peste”, “moleque dos infernos” e outros elogios.
Ainda bem que o semáforo não se esqueceu de acionar o sinal vermelho, não?

Ao som de Dream Theater - Through her eyes.
22:52 | Inusitado | 3 comentários
