Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para janeiro, 2007

Aqui se faz, aqui se paga

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Na semana passada, fui ao Poupa Tempo solicitar um novo RG, já que o primeiro foi emitido em 1997, portanto, estava bem velhinho. Escolhi uma época ruim para fazer isso, pois o lugar estava hiper-lotado: esperei três horas e meia para ser atendido, mas tudo bem, eu estava prevenido com revistas e com meu MP3-player.

Na última terça, retornei ao Poupa Tempo para retirar o documento. A fila para isso estava grande, mas andava rápido. Fiquei lá por cerca de 20 minutos. Todavia, parecia que eu permaneci três horas e meia nessa bendita fila. Por que? Porque tinha um senhor na minha frente que não se conformava com a fila e ficava resmungando a todo momento, em um instante com o rapaz da frente, no outro, comigo.

O balcão para a retirada do RG corta um corredor, por isso, sempre tinha alguém atravessando a frente do primeiro da fila, impedindo-o de chegar ao balconista assim que chamado. Só que isso fazia a pessoa se atrasar apenas alguns segundos. No entanto, àquele senhor, parecia uma eternidade. Bastava a balconista chamar alguém duas vezes para ele começar a berrar frases como “tá chamando o próximo aí, pô”, “presta atenção aí, tá atrasando a fila”.

O cara era chato demais, não parava um minuto quieto, ouví-lo parecia um castigo. Felizmente, a fila continuou andando a contento, até que chegou a vez dele ser atendido. Fiquei feliz, não porque seria o próximo, mas porque ficaria livre daquele resmungão. Mas, adivinha o que aconteceu?

Duas ou três pessoas passaram na frente do “reclamador profissional” justamente quando ele se tornou o primeiro da fila. E o que aconteceu? Ele se atrasou, fazendo a balconista gritar “próximo” mais de uma vez. Não digo que o que fiz foi certo, mas convenhamos, o cara mereceu. Sem dó, nem piedade, e em alto e bom som, reclamei:

- Pô, olha a fila aí, tá atrasando todo mundo!
- Mas é que tinha uma mulher passando…

Todo mundo da fila começou a reclamar e o resmungão chegou ao balcão mais vermelho que tomate maduro. Pois é, “aqui se faz, aqui se paga”…

Ao som de Angra – Paradise.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

12/1/2007 - 4:17

Postado em Inusitado

Telemarketing ineficiente

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Tem horas em que me sinto vigiado, monitorado até mesmo nas minhas mais fúteis atividades. Parece que tem sempre alguém seguindo os meus passos para, no momento oportuno, me oferecer algo que se encaixe perfeitamente naquela situação. Felizmente, esses “olhadores” são meio ceguinhos…

Nas eleições de 2006, recebi uma correspondência de mala-direta do ex-ministro da educação Paulo Renato de Souza. Pedindo votos, é claro. Até aí nada de anormal, pois um monte de políticos faz isso, mas note um pequeno detalhe: tenho forte ligação com os meios acadêmicos e ele foi ministro da educação, então eu seria um eleitor em potencial. Pergunto: quem é que cruzou essas informações? Quem deu meu endereço aos assessores de marketing do Paulo Renato de Souza, sendo que não tenho sequer uma filiação partidária?

Nunca tive conta bancária no Itaú, aliás, nem lembro da última vez em que entrei numa agência desse banco. Agora, pergunto: como eles conseguiram meus dados para me enviar uma proposta de cartão de crédito na semana passada?

Outro dia me ligaram no celular. A voz do outro lado sabia meu nome completo e me ofereceu uma assinatura de uma revista de informática que acrescentaria “feedback” à minha profissão. Não pensei duas vezes antes de perguntar como tinham meus dados e como sabiam até minha área profissional, mas a pessoa com a qual eu falava não soube me explicar.

Bom, eu sei como conseguiram minhas informações. Elas foram cedidas ou vendidas. No caso da carta do ex-ministro, é possível que os dados tenham sido fornecidos pela universidade em que estudei. Nos demais casos, as informações provavelmente foram dadas por estabelecimentos onde sou cadastrado. E isso tudo aconteceu porque tomo o maior cuidado com essas coisas. Fico imaginando a quantidade de lixo ou ligações que as pessoas menos cuidadosas recebem.

No meu caso, ao menos não obtiveram informações suficientes. Eu tenho um ódio crescente dos políticos brasileiros, portanto, ao receber a correspondência do ex-ministro, simplesmente decidi que nele não votaria. Uma semana antes de receber a proposta do Itaú, solicitei um cartão de crédito internacional no Banco Real, onde tenho conta. O Itaú deveria saber que cartão nacional não me serve mais, assim como um limite de 400 reais também não. A revista que me ofereceram por telefone é a Info Exame, uma publicação totalmente irrelevante às minhas atividades profissionais.

Ao pessoal de telemarketing que esteve envolvido nessas situações, sinto muito (orgulho) por frustrá-los.

Ao som de Solaris – Ameno.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

7/1/2007 - 19:57

Postado em Cotidiano

Quando a rotina tira férias

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Depois um reveillon muito bom, cá estou novamente. Embora tenha voltado às minhas atividades regulares, não posso dizer que voltei à rotina, pois há um ambiente de calmaria muito boa aqui em São Paulo. O trânsito está menos congestionado, está mais fácil viajar sentado no ônibus ou no Metrô, os restaurantes não estão com aquela muvuca de clientes na hora do almoço, as lojas não estão hiper-lotadas e tem pouca gente apressada nas ruas.

Como é bom curtir a vida sem pressa e ficar menos tempo consultando o relógio. Como é bom comer devagar, ter tempo de prestar atenção nos detalhes, caminhar, não correr. Como é bom se dar ao luxo de parar numa sorveteria e ter a certeza de que você não se atrasará por isso. Como é bom não pegar filas, chegar em um estabelecimento e ser atendido na hora, não correr o risco de ter sua roupa amassada no empurra-empurra do ônibus. Como é bom não receber tantas ligações no trabalho =D

Em época de início de ano, São Paulo tira o pé do acelerador, deixa de funcionar a todo vapor, pára de brigar com o relógio e enxuga menos o seu suor. É por isso que eu adoro quando São Paulo dá férias à rotina…

Ao som de Liv Kristine – Coming Home.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

4/1/2007 - 2:09

Postado em Inusitado