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20/2/2007

A vida em câmera lenta

Por Emerson Alecrim

Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu concordo. Comer com pressa é ruim. Beber com pressa é ruim. Ler com pressa é ruim. Terminar um trabalho com pressa é ruim. Transar com pressa é ruim (especialmente às mulheres). Esse mundo é extremamente cheio de detalhes e somos incapazes de observar tudo, principalmente quando estamos com pressa. É por isso que algumas coisas merecem ser vistas em câmera lenta, para que tenhamos tempo de observar todos os detalhes e as riquezas envolvidas.

Você já viu como dançam as chamas de um palito de fósforo no ato em que se incendeia? Já observou como um morango cai tão graciosamente em um copo com leite? Já notou o show de efeitos especiais que acontece quando se estoura uma bolsa de água? Já reparou no bater de asas tão sofisticado de uma abelha? Já se espantou com os movimentos complexos e ao mesmo tempo belos de uma pessoa nadando profissionalmente?

Se você nunca viu nada disso, ao menos tem a chance de fazê-lo vendo os vídeos dessa página. Parece que estou fazendo propaganda desse site, mas não é isso. É que, ao ver os vídeos, por um momento quis que as melhores coisas da vida acontecessem assim, em câmera lenta, para podermos aproveitar tudo, sem deixar escapar nenhum detalhe. Mas, tudo tem o seu tempo, por mais relativo que isso seja.

Ao som de Leave’s Eyes - For Amelie.

18:31 | Interessante | 5 comentários


11/2/2007

Ator? Nem pensar!

Por Emerson Alecrim

O campus da universidade em que trabalho é muito bonito, tanto que o SBT decidiu gravar uma novela por lá. Já que durante as férias não aparece ninguém ali (a não ser os futuros alunos fazendo matrícula e uns veteranos que não tem o que fazer), o Silvio Santos aproveitou duas semanas de janeiro para montar um estúdio de TV por lá. Já percebeu, né? Equipamentos de iluminação aqui, câmeras que mais parecem monstros ali, cabos e mais cabos acolá, enfim.

A experiência até que foi interessante. De início, me impressionei com a quantidade de gente que tem para gravar algumas cenas. Atores, contra-regras, figurantes (quantos figurantes!), diretor e o escambau. Observando mais o trabalho deles, notei que esse ramo não difere dos outros quando o assunto é estresse, prazos, pressão do chefe (no caso, do diretor), cansaço e estresse de novo.

Não conhecia nenhum famoso dali (então não é famoso, né?), exceto uma atriz chamada Bárbara Paz, que já vi em algum lugar, provavelmente no SBT mesmo. É engraçado notar que, no meio de tanta gente, os atores são apenas pessoas. Estão ali para executar sua função e, ao final das gravações, irem para casa. Passam pela gente de maneira muito natural, como qualquer desconhecido. No máximo, acenam abaixando a cabeça rapidamente, não ligando a mínima (pelo menos aparentemente) por não terem sido reconhecidos.

Aliás, o trabalho de ator/atriz realmente é complicado. Interpretar com um monte de gente ao redor não é fácil, mas o pior, tenho certeza, é ter que repetir a mesma cena dezenas de vezes, até o diretor achar que já está bom. Certo dia, durante o almoço, fiquei observando a gravação de uma cena. Me entediei rapidamente. Se a repetição é cansativa para quem vê, imagina para quem grava!

Ah sim, não pense que eles são só simpatia. Certa vez, uma mulher da produção quis me impedir de acessar uma escada que dava acesso ao meu andar porque poderia atrapalhar não sei quem. Eu poderia ter tomado outra escada numa boa, mas o tom de voz dela me incentivou a não só seguir por ali, como também a dizer “ih, nem é da Globo e se acha a dona do pedaço”. A mulher ficou calada, talvez não pela resposta, mas por ter ficado surpresa com minha “desobediência”.

Já participei de um programa de TV uma vez (quando fiz parte de um debate sobre o Orkut na TV Vivax), achei muito legal, mas minha opinião é diferente quando é necessário atuar. Me faltaria paciência, mesmo para trabalhar na chamada “produção”. É melhor deixar isso para quem entende do assunto ou para quem curte um diretor berrando no ouvido.

Ao som de Therion - Summernight City.

20:01 | Inusitado | 4 comentários


4/2/2007

Amor e ódio no período letivo: reclamantes e reclamões!

Por Emerson Alecrim

Início de fevereiro, época de volta às aulas nas escolas, faculdades e universidades do país. No caso do ensino superior, é curioso notar a reação de alguns calouros nos primeiros dias de aula e comparar à reação deles nos últimos dias do período letivo.

No início:

- Nossa, a faculdade/universidade é demais! Estou adorando tudo;
- Os laboratórios de informática são ótimos! A internet é rápida pra caramba, pena que não permitem usar o Orkut e o MSN, mas tudo bem;
- Os professores são muito gente boa, entendem mesmo do assunto;
- Os funcionários são muito educados e atenciosos.

No final:

- Essa universidade é uma bosta! Pago mil reais por mês (no caso das instituições particulares) por esse lixo?!
- Os laboratórios de informática são os piores que já vi. Pago mil reais por mês por uma internet lenta e por máquinas que são verdadeiras carroças (mesmo quando novas), e nem posso usar Orkut e MSN;
- O(a) professor(a) _______ (substitua _______ pelo nome de um professor de uma matéria em que o aluno está quase reprovando) é um filha da p***! Pago mil reais por mês para ter aulas com professores que não manjam p**** nenhuma do assunto;
- Os funcionários daquela merda de faculdade são uns vagabundos! Pago mil reais por mês pra receber um atendimento péssimo.

Quem trabalha nesse meio - como é o meu caso - está cansado de ver isso. É claro que, em muitos casos, o aluno tem toda a razão de se queixar, mas em boa parte das situações, ele age por impulso.

Os finais dos períodos letivos são uma época crítica, onde quase todos os alunos estão com os nervos à flor da pele por causa das provas e dos trabalhos acadêmicos. Se um laboratório de informática ficar, por exemplo, 10 minutos sem internet, já é o suficiente para eles se sentirem prejudicados, afinal, a universidade está atrapalhando suas atividades.

Por outro lado, um funcionário será chato e vagabundo caso relembre ao aluno que certas solicitações devem seguir regras ou critérios. Por exemplo, se ele sabe que a biblioteca fecha às 18h aos sábados, porque chega às 17h15? Acredita mesmo que a biblioteca ficará aberta por mais um tempo só porque ele acabou de iniciar suas pesquisas?

O que se nota é que, de maneira geral, os alunos que mais reclamam sem razão são os indisciplinados. Por uma educação falha, chegam ao ensino superior achando que ali também poderão quebrar regras e ficar impunes, assim como provavelmente acontecia na época da escola. Quando percebem que não dispõem da liberdade libertinagem esperada, são capazes de criar movimentos escandalosos de protesto, embora mal consigam definir o motivo da manifestação. Dizer que a universidade é uma merda, que os professores não estão nem aí para os alunos e que os funcionários são vagabundos não são motivos, oras!

O aluno que, por sua vez, reclama com razão, precisa saber como conduzir o caso. As instituições sérias oferecem meios organizados para receber e responder adequadamente às solicitações dos alunos, basta que este proceda da maneira correta, seguindo as diretrizes e as normas de conduta da faculdade/universidade. Somente após agir de tal forma é que o aluno deve organizar protestos, acionar o MEC ou entrar com uma ação na justiça, do contrário estará perdendo seu tempo. Palavra de quem conhece bem os dois lados da moeda.

Ao som de Dark Moor - Lovers.

14:52 | Cotidiano | 5 comentários



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