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4/2/2007

Amor e ódio no período letivo: reclamantes e reclamões!

Por Emerson Alecrim

Início de fevereiro, época de volta às aulas nas escolas, faculdades e universidades do país. No caso do ensino superior, é curioso notar a reação de alguns calouros nos primeiros dias de aula e comparar à reação deles nos últimos dias do período letivo.

No início:

- Nossa, a faculdade/universidade é demais! Estou adorando tudo;
- Os laboratórios de informática são ótimos! A internet é rápida pra caramba, pena que não permitem usar o Orkut e o MSN, mas tudo bem;
- Os professores são muito gente boa, entendem mesmo do assunto;
- Os funcionários são muito educados e atenciosos.

No final:

- Essa universidade é uma bosta! Pago mil reais por mês (no caso das instituições particulares) por esse lixo?!
- Os laboratórios de informática são os piores que já vi. Pago mil reais por mês por uma internet lenta e por máquinas que são verdadeiras carroças (mesmo quando novas), e nem posso usar Orkut e MSN;
- O(a) professor(a) _______ (substitua _______ pelo nome de um professor de uma matéria em que o aluno está quase reprovando) é um filha da p***! Pago mil reais por mês para ter aulas com professores que não manjam p**** nenhuma do assunto;
- Os funcionários daquela merda de faculdade são uns vagabundos! Pago mil reais por mês pra receber um atendimento péssimo.

Quem trabalha nesse meio - como é o meu caso - está cansado de ver isso. É claro que, em muitos casos, o aluno tem toda a razão de se queixar, mas em boa parte das situações, ele age por impulso.

Os finais dos períodos letivos são uma época crítica, onde quase todos os alunos estão com os nervos à flor da pele por causa das provas e dos trabalhos acadêmicos. Se um laboratório de informática ficar, por exemplo, 10 minutos sem internet, já é o suficiente para eles se sentirem prejudicados, afinal, a universidade está atrapalhando suas atividades.

Por outro lado, um funcionário será chato e vagabundo caso relembre ao aluno que certas solicitações devem seguir regras ou critérios. Por exemplo, se ele sabe que a biblioteca fecha às 18h aos sábados, porque chega às 17h15? Acredita mesmo que a biblioteca ficará aberta por mais um tempo só porque ele acabou de iniciar suas pesquisas?

O que se nota é que, de maneira geral, os alunos que mais reclamam sem razão são os indisciplinados. Por uma educação falha, chegam ao ensino superior achando que ali também poderão quebrar regras e ficar impunes, assim como provavelmente acontecia na época da escola. Quando percebem que não dispõem da liberdade libertinagem esperada, são capazes de criar movimentos escandalosos de protesto, embora mal consigam definir o motivo da manifestação. Dizer que a universidade é uma merda, que os professores não estão nem aí para os alunos e que os funcionários são vagabundos não são motivos, oras!

O aluno que, por sua vez, reclama com razão, precisa saber como conduzir o caso. As instituições sérias oferecem meios organizados para receber e responder adequadamente às solicitações dos alunos, basta que este proceda da maneira correta, seguindo as diretrizes e as normas de conduta da faculdade/universidade. Somente após agir de tal forma é que o aluno deve organizar protestos, acionar o MEC ou entrar com uma ação na justiça, do contrário estará perdendo seu tempo. Palavra de quem conhece bem os dois lados da moeda.

Ao som de Dark Moor - Lovers.

14:52 | Cotidiano | 5 comentários



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