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11/2/2007

Ator? Nem pensar!

Por Emerson Alecrim

O campus da universidade em que trabalho é muito bonito, tanto que o SBT decidiu gravar uma novela por lá. Já que durante as férias não aparece ninguém ali (a não ser os futuros alunos fazendo matrícula e uns veteranos que não tem o que fazer), o Silvio Santos aproveitou duas semanas de janeiro para montar um estúdio de TV por lá. Já percebeu, né? Equipamentos de iluminação aqui, câmeras que mais parecem monstros ali, cabos e mais cabos acolá, enfim.

A experiência até que foi interessante. De início, me impressionei com a quantidade de gente que tem para gravar algumas cenas. Atores, contra-regras, figurantes (quantos figurantes!), diretor e o escambau. Observando mais o trabalho deles, notei que esse ramo não difere dos outros quando o assunto é estresse, prazos, pressão do chefe (no caso, do diretor), cansaço e estresse de novo.

Não conhecia nenhum famoso dali (então não é famoso, né?), exceto uma atriz chamada Bárbara Paz, que já vi em algum lugar, provavelmente no SBT mesmo. É engraçado notar que, no meio de tanta gente, os atores são apenas pessoas. Estão ali para executar sua função e, ao final das gravações, irem para casa. Passam pela gente de maneira muito natural, como qualquer desconhecido. No máximo, acenam abaixando a cabeça rapidamente, não ligando a mínima (pelo menos aparentemente) por não terem sido reconhecidos.

Aliás, o trabalho de ator/atriz realmente é complicado. Interpretar com um monte de gente ao redor não é fácil, mas o pior, tenho certeza, é ter que repetir a mesma cena dezenas de vezes, até o diretor achar que já está bom. Certo dia, durante o almoço, fiquei observando a gravação de uma cena. Me entediei rapidamente. Se a repetição é cansativa para quem vê, imagina para quem grava!

Ah sim, não pense que eles são só simpatia. Certa vez, uma mulher da produção quis me impedir de acessar uma escada que dava acesso ao meu andar porque poderia atrapalhar não sei quem. Eu poderia ter tomado outra escada numa boa, mas o tom de voz dela me incentivou a não só seguir por ali, como também a dizer “ih, nem é da Globo e se acha a dona do pedaço”. A mulher ficou calada, talvez não pela resposta, mas por ter ficado surpresa com minha “desobediência”.

Já participei de um programa de TV uma vez (quando fiz parte de um debate sobre o Orkut na TV Vivax), achei muito legal, mas minha opinião é diferente quando é necessário atuar. Me faltaria paciência, mesmo para trabalhar na chamada “produção”. É melhor deixar isso para quem entende do assunto ou para quem curte um diretor berrando no ouvido.

Ao som de Therion - Summernight City.

20:01 | Inusitado | 4 comentários



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