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30/3/2007

São Paulo sem fachada, São Paulo sem cara!

Por Emerson Alecrim

De repente, todos os estabelecimentos comerciais começaram a ficar sem fachada, desde os pequenos, até os maiores. Parecia que alguém tinha arrancado a fachada de cada loja à força, sem dó nem piedade, deixando evidente as marcas da brutalidade. Aos poucos, o colorido que amenizava a cidade mais cinza do Brasil foi dividindo espaço com marcas de ferrugem, furos na parede, manchas pretas, letreiros desmontados, lâmpadas retiradas. Aí um noticiário me explicou que tudo isso é culpa da Lei Cidade Limpa.

Com a nova lei, os estabelecimentos comerciais terão que cumprir uma série de medidas para evitar multas, entre elas, a retirada de peças publicitárias externas, adequação do tamanho da fachada de acordo com medidas estabelecidas pela prefeitura e restrição de propagandas a determinados pontos da cidade. Como é de se perceber, a intenção da prefeitura é combater a poluição visual. Só que eu acho isso exagerado em alguns aspectos…

Em determinados pontos da cidade, as fachadas dos comércios, os letreiros e até os outdoors fazem parte da imagem de São Paulo. Algumas peças são tão bem feitas, que até divertem. Embora muita gente discorde, acho que nunca houve exageros, com exceção para os outdoors, que estavam mesmo impregnando a cidade, o que não quer dizer que eles devam ser eliminados. Ainda, é necessário considerar que todas essas mudanças estão mexendo com a renda de quem trabalha fazendo e instalando fachadas, banners, etc.

Como a Lei Cidade Limpa começa a valer no dia 1º de abril (2007), um monte de estabelecimentos está correndo para fazer as mudanças. Em boa parte dos casos, os comerciantes preferiram deixar seus prédios sem fachada devido ao prazo apertado, afinal, isso deve ser melhor que possíveis penalidades, embora a prefeitura afirme que só começará a multar em meados de outubro.

O que se vê atualmente é um monte de lojas descaracterizadas. E isso é horrível, pois parece que cada estabelecimento foi entregue ao abandono. Alguns prédios ficaram até com cara de destruídos. Na minha opinião, isso também é poluição visual, portanto, creio que a prefeitura podia pegar um pouco mais leve e dar mais atenção a coisas mais importantes, não? Por que nosso estimado prefeito Gilberto Kassab não cuida melhor do nosso caríssimo e precário transporte público, por exemplo?

Ao som de Imperia - Facing Reality.

21:46 | Cotidiano | 6 comentários


21/3/2007

Domingo Legal?!

Por Emerson Alecrim

No último domingo, decidi ficar em casa. Estava com um resfriado, chovia forte e eu precisava preparar minha declaração de Imposto de Renda, então não vi motivos para sair. Lá pelas 17 horas, fiz uma pausa para um lanche e liguei a TV. Não demorou muito para eu me lembrar dos motivos que me fazem odiar a televisão…

Estava passando o tosco programa do Gugu. Sabendo que não ia encontrar coisa melhor nos outros canais, deixei no SBT mesmo. Foi quando começou um quadro que mostrava a vida de um senhor que, com sua Brasília de mais de 30 anos, socorria os vizinhos que precisavam de atendimento médico e não tinham como ir ao hospital por causa da falta de ambulâncias na região.

Aí começou todo aquele melodrama excessivamente apelativo. O Gugu mostrava o tal homem como um herói, um sujeito que, mesmo com todas as dificuldades, não se negava em ajudar o próximo. Ok, o tal homem realmente é uma pessoa de bem, mas sua história estava sendo explorada apenas para alavancar a audiência do programa, nada mais.

Em seguida, apareceu o presidente de uma cadeia de farmácias, que ficou “comovido” com a história daquele senhor e resolveu ajudá-lo: “deu-lhe” uma Kombi novinha em folha diante de todos aqueles aplausos incentivados por um tal de Liminha. Só achei engraçado o fato do executivo, mesmo comovido, não parar de pronunciar o nome de sua empresa…

Embora seja uma pessoa humilde e notoriamente pouco instruída, o tal homem não era trouxa: logo percebeu que o presente que acabara de ganhar teria seu preço e, diante das câmeras, manifestou ao Gugu sua preocupação com a Kombi, já que agora teria que lidar com custos até então insignificantes com sua velha Brasília, como o pagamento de IPVA. Rindo, mas certamente xingando o bom senhor por dentro, Gugu disse que a produção pagaria tudo e assim se livrou dessa saia justa.

Depois de ver essa cena, tive a impressão de que a velha Brasília não será aposentada. Até pode ser, mas sua substituta não será a Kombi, pois aquele senhor sabe que esse carro lhe trará despesas extras e o venderá para comprar outro mais simples e menos custoso.

É melhor eu continuar não assistindo a televisão. Se antes restava alguma dúvida, hoje tenho certeza de que não estou perdendo nada ao fazer isso.

Ao som de Morgana Lefay - On the Other Side.

7:58 | Inusitado | 7 comentários


16/3/2007

Guia da Música Clássica: um achado!

Por Emerson Alecrim

Embora não faça isso com perfeição, sou do tipo que controla bem os gastos, mesmo porque o Leão leva mensalmente parte do que ganho, fazendo com que eu tenha que apertar o cinto de vez em quando. Mas, tem uma coisa que é capaz de quebrar esse meu… digamos, “auto-controle financeiro”: livros.

Leio desde os 7 anos de idade, quando descobri que a leitura é muito mais do que uma mera interpretação de um conjunto de palavras, por isso não me importo com quem considera esse “vício literário” uma característica de CDFs, nerds e outros rótulos.

Minha última aquisição une a leitura com outra coisa que gosto: música. Trata-se Guia da Música Clássica, livro editado por John Burrows e lançada pela Jorge Zahar Editor. Como disse no título deste texto, é um verdadeiro achado! O guia é uma fonte de informações poderosa sobre a música clássica, pois trata de seu contexto histórico, dos instrumentos, dos compositores e de suas obras, tudo de maneira compreensível e extremamente organizada. No início do livro também há uma introdução à música, o que ajuda os mais leigos (como eu) a entender conceitos como notas, oitavas, harmonia, ritmo, entre outros.

Minutos antes de escrever esse texto, li um trecho que descrevia os instrumentos de uma orquestra, incluindo alguns que ficaram obsoletos e que hoje fazem parte da história da música clássica. A variedade de instrumentos de sopro, por exemplo, é muito grande, tanto que eu, agindo como qualquer desentendido no assunto, chamaria todos de “flautas” se não lesse a descrição de cada um.

Em resumo, ler esse livro é como assistir a um documentário da Discovery Channel, só que em papel e com uma riqueza de detalhes bem maior. Creio que a obra seja pouco útil a músicos profissionais ou a estudiosos do assunto, mas para leigos e simples amantes da música, é algo que vale cada centavo investido. E não pense que música clássica é coisa apenas para intelectuais. Você certamente já ouviu o trecho de algum clássico em algum lugar e, mesmo sem perceber, pode ter gostado.

Se você se interessou pelo livro, talvez tenha alguma dificuldade em achá-lo, pois se esgotou na maioria das livrarias. Em todo caso, procure-o por seu ISBN para facilitar a busca em lojas on-line, caso prefira esse meio: 8571109117. Boa leitura!

Ao som de Symphony 1 - Beethoven (tinha que ser algo do tipo, né?).

0:10 | Entretenimento | 1 comentário


8/3/2007

Não inverta a sua senha

Por Emerson Alecrim

Nos casos de ’seqüestro relâmpago’, as vítimas são obrigadas a sacar dinheiro em caixas eletrônicos para, em seguida, entregar a quantia aos criminosos que ameaçam sua vida. Esse tipo de crime, infelizmente, é muito comum, especialmente em grandes centros urbanos, não se limitando ao Brasil.

Sobre esse assunto, recebi na última semana três mensagens que dão a seguinte orientação para quem enfrenta esse tipo de situação: quando estiver no caixa, digite sua senha de maneira invertida, isto é, se sua senha for abcd, digite dcba. Com isso, o sistema do banco receberá um sinal de que você está sob uma situação de risco e acionará imediatamente a polícia. Todavia, para não levantar suspeitas, o caixa executará o procedimento de saque normalmente, apenas avisará, de maneira discreta, a área responsável pelo o que está acontecendo.

Isso é uma ótima idéia, não? Talvez, se o truque fosse verdadeiro! Consultei os dois bancos em que tenho conta atualmente e todos afirmaram que esse esquema é inexistente e pode causar um transtorno muito maior à vítima: ao digitar sua senha de maneira incorreta por três vezes, o acesso à sua conta pode ser bloqueado. Se isso acontecer na frente do assaltante, as chances da pessoa ser seriamente ferida aumentam consideravelmente.

Moral da história: não acredite nessas mensagens que chegam por e-mail ou até mesmo pelo Orkut. A grande maioria delas não passam de hoax, ou seja, boatos. Na dúvida, entre em contato com a empresa envolvida. Para saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura do artigo que escrevi sobre isso em 2006.

PS.: Sim, sei que fiquei muito tempo afastado do blog. Mas, durante esse meio tempo, não tive a menor vontade de escrever aqui. Acho que agora estou de volta ao ritmo normal…

Ao som de Rhapsody of Fire - Nightfall on the Grey Mountains.

5:25 | Cotidiano | 3 comentários



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