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29/4/2007

Oh, mente fertil!

Por Emerson Alecrim

Barco fantasmaA última semana me foi tão cansativa, que só hoje pude parar para fazer algumas coisas cotidianas, entre elas, ler notícias. Estava no G1 lendo a respeito da intrigante história de um barco que foi encontrado sem tripulação a 160 quilômetros da costa australiana. De acordo com o site, sabe-se que três homens ocupavam a embarcação, mas, lamentavelmente, os motivos do desaparecimento deles é um mistério até agora.

Apesar da gravidade da situação, não consegui conter as risadas ao ler os comentários que muitos leitores inseriram na página da notícia. Como se estivessem participando de uma disputa para ver quem dava a justificativa mais bizarra para o sumiço da tripulação, o pessoal soltou a criatividade. Eis alguns comentários que me arrancaram boas risadas:

:: os três se apaixonaram e fugiram de suas mulheres para viver um triângulo amoroso;
:: é tudo culpa do aquecimento global…;
:: eles estão no fundo do mar procurando o Presidente Lula;
:: quarta-feira eles estarão de volta em ‘Lost’;
:: creio que foram atraídos por algumas sereias belíssimas e estão curtindo ótimas férias junto a essas “gatas meio peixe”;
:: talvez eles nem mesmo existam. Eles representam o nosso eu interior que fugiu para o exterior. Somos fantasmas, pois nada temos dentro de nós. Eles representam a nossa incansável busca por algum propósito em nossas vidas (chorei de rir nessa);
:: eu acho que eles estavam nadando quando o monstro do lago (é que ele foi passear no mar) encontrou eles. Como o monstro estava com muita fome…;
:: Chuck Norris sabe onde eles estão, mas não vai falar porque está de mal humor;
:: eles foram atingidos por balas perdidas do Rio de Janeiro e acabaram caindo do barco;
:: eles estão mergulhando até hoje… Repare nas bolhas de ar próximas ao barco na foto;
:: devem estar andando a cavalo marinho na fazenda de Ulysses Guimarães.

Não sei quanto a vocês, mas eu não consegui segurar a risada. Eita, povinho da mente fertil! Bom, de qualquer forma, espero que ao menos descubram o causou o sumiço dos tripulantes, já que é pouco provável que eles sejam encontrados ainda com vida. Lamentável.

Referência: G1.

Ao som de Nemesea – Threefold Law.

20:22 | Inusitado | 1 comentário


15/4/2007

O mundo animal…

Por Emerson Alecrim

O jornal australiano Daily Mail publicou no último dia 12 a notícia de um gato branco e com um olho com cor diferente do outro que toma ônibus. Sim, toma ônibus! Cerca de quatro vezes por semana, esse felino, apelidado de Macavity, aguarda o ônibus que vai de Walsall a Wolverhampton e, quando o veículo chega, entra nele para desembarcar em um ponto 400 metros adiante. Ninguém sabe como o gato aprendeu a fazer isso, assim como ninguém sabe se o felino tem dono. Em todo caso, ele já é conhecido dos motoristas e passageiros regulares da linha.

A história pode ser sensacionalista ou até mesmo uma farsa, mas pelos comentários relacionados que encontrei por aí, não é. Sendo verdade ou não, só sei que gatos e cachorros (e outro animais, é claro) conseguem nos surpreender muitas vezes com coisas que achávamos que eles não eram capazes de fazer ou aprender. E não é preciso ser dono de um desses animais para perceber isso.

Certa vez, eu estava no ponto de ônibus em um momento em que lamentei por estar sozinho, pois ninguém mais pôde testemunhar o que vi: tinha um cruzamento ao lado do ponto e o semáforo estava fechado para pedestres. Bem em frente à faixa de pedestres, havia um cachorro parado, olhando para a rua. De repente, o semáforo deu sinal verde e, para o meu espanto, o cachorro começou a atravessar a avenida. Fiquei besta com aquilo: o cachorro esperou o sinal verde abrir para atravessar a rua, sem nem ao menos estar passando nenhum carro por ali.

O instinto de sobrevivência é capaz de muitas coisas. De alguma forma e por algum motivo, aquele cachorro aprendeu que atravessar a rua naquele local com a luz verde para pedestres é mais seguro. Na verdade, pode ter algo mais envolvido, pois, se eu não estiver falando alguma grande besteira, os cachorros enxergam em preto e branco. Talvez o semáforo faça algum ruído pouco ou nada perceptível aos humanos quando fica verde ou então ele observa o formato do “homenzinho” no farol. A única coisa que sei é que ele entende esse como um momento seguro para atravessar a rua.

O mesmo deve valer para o gato. Sabe-se lá o que o faz tomar o ônibus, mas enquanto isso for seguro e permitir que ele execute o quer que esteja fazendo, ele vai continuar. Adaptação é um fator importantíssimo à sobrevivência de qualquer espécie. Se conseguir viver ao lado dos humanos já era uma prova disso, seguir nossas regras então…

Ao som de Iced Earth – Diary.

17:25 | Inusitado | 4 comentários


8/4/2007

O menino da foto

Por Emerson Alecrim

Não lembro quando me dei conta disso, mas desde que compreendi que as fotografias também são uma modalidade de arte – e não me refiro às fotos manipuladas e manipulativas da Playboy – passei a ter cada vez mais interesse por elas. Já cogitei até fazer um curso de fotografia, visto que eu realmente consigo estragar o que seria uma boa foto quando estou com uma câmera fotográfica em mãos, mas não posso fazer disso uma prioridade, pelo menos não agora.

Se eu levar em conta que de fotogênico não tenho nada e que, portanto, qualquer foto da minha pessoa tem grandes chances de se parecer com uma aberração, só tenho um jeito de me manter ativo nessa modalidade artística chamada fotografia: admirando o trabalho de outros, o que, convenhamos, é um gesto quase tão nobre quanto ser o próprio artista.

Na busca por imagens que alimentem essa necessidade artística, encontrei uma foto que provavelmente todo mundo já viu alguma vez na vida: a menina da foto de 1972. Se você não ver a foto e eu disser que ela tem nudez, provavelmente pensará que se trata de alguma imagem de nu artístico ou erótica mesmo. Mas a foto contém características que capturam a essência da mais pura crueldade, como se alguém tivesse conseguido fotografar os sentimentos de dor e desespero, tal como se esses fossem elementos palpáveis.

A nudez explícita na imagem não é tão chamativa quanto às expressões de horror ao redor, mas causou-me arrepios quando soube que a menina estava sem roupas simplesmente porque estas se queimaram em seu corpo, enquanto corria instintivamente para escapar da dor e do horror. Que barbaridade a menina teria praticado para ser digna de tamanho castigo?

No dia 8 de junho de 1972, um avião bombardeou com napalm o povoado de Trang Bang, no Vietnã. Era ali que estava Kim Phuc, a menina da foto, e sua família. Ela e todos os que estavam ao seu redor foram alertados por soldados vietnamitas de que o templo em que estavam seria atacado, portanto, deveriam sair logo dali. Foi correndo que ela foi atingida, mas continuou.

O fotógrafo Nick Ut estava naquela região, quando viu Kim correndo em sua direção ao mesmo tempo em que gritava “muito quente, muito quente”. Foi quando ele tirou a histórica fotografia e, logo depois, socorreu a menina com ajuda de Christopher Wain, outro profissional que estava ali. Ut levou a menina, seus irmãos (que também aparecem na foto) e sua tia a um hospital, e só saiu de lá após estar seguro de que todos receberiam o devido tratamento.

Sabia que devia continuar correndo, mas eu era uma menina, e a todo instante eu parava para olhar. De repente, escutei as explosões e me vi rodeada de fogo, estava por todas as partes. Senti o fogo em meu braço esquerdo. Lembro que pensei: “Oh, não! Estou queimada, não serei mais normal”. Estava muito assustada. Minhas roupas se consumiram com o fogo. Agradeço a Deus por meus pés não terem se queimado, pois isso me permitiu seguir correndo. Kim Phuc à BBC.

Mas, assim como uma foto pode registrar um momento de dor e desespero, ela também pode registrar a força da resistência, a reação da natureza, o grito silencioso e ensurdecedor da vida impondo sua justiça. Após muitas cirurgias e um tratamento longo que exigiu, inclusive, sua permanência prolongada em Cuba, Kim Phuc apareceu em mais uma fotografia, onde ela mostrou parte das cicatrizes das queimaduras. Mas, isso é apenas um detalhe. Na verdade, a foto contém características que capturam a essência do mais puro amor, como se alguém tivesse conseguido fotografar os sentimentos de alegria e ternura, tal como se esses fossem elementos palpáveis.

Eis Thomas, filho de Kim Phuc, o menino da foto.

Referências: BBC, BBC (2).

Ao som de Epica – The Ultimate Return.

18:11 | Interessante | 4 comentários


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