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14/7/2007

Se táxi falasse, não pouparia nem o dono

Por Emerson Alecrim

TáxiSe você ainda não conhece o blog TAXITRAMAS, não sabe o que está perdendo. Seu autor, Mauro Castro, relata as diversas situações que enfrenta a bordo de seu táxi. Suas histórias são divertidas, inusitadas, comoventes, mas nunca entediantes.

Assim como o Mauro Castro conta suas histórias sob o ponto de vista de um taxista, hoje ouso relatar uma situação sob o ponto de vista de um passageiro. Não que eu consiga fazer isso com a mesma habilidade do Mauro, pelo contrário, mas isso serve para mostrar que nem sempre as esquisitices ocorrem apenas nos bancos dos passageiros.

A história aconteceu em 2004. Na época, eu saia todo dia do trabalho no horário do almoço e pegava um táxi para chegar até um cliente. Em um desses dias, eu estava com duas caixas abarrotadas de papéis, razão pela qual pedi ao taxista para usar o porta-malas. Ele me olhou com uma cara de assustado e disse que não daria para usar o porta-malas porque uma batida danificou a maçaneta, embora o carro estivesse inteiro. Mesmo desconfiado e nem um pouco convencido pela desculpa, concordei em deixar as caixas no banco traseiro.

Vinte minutos depois, cheguei ao prédio do cliente. Assim que desembarquei, uma mulher cheia de sacolas e acompanhada de duas crianças se aproximou do táxi. Perguntou se estava livre, e o taxista disse que sim. Tão logo eu tirei as caixas do banco traseiro, as crianças entraram devido à insistência da mulher. Percebi então que o taxista não teria outra alternativa a não ser colocar as sacolas no porta-malas. Então aguardei. Ele pediu à mulher para entrar no carro e se ofereceu para guardar as sacolas. Fiquei irritado no mesmo instante e fui questioná-lo sob o porquê de não ter permitido que eu utilizasse o porta-malas.

O taxista não sabia o que dizer e, com uma expressão de desespero no rosto, fez um sinal com a mão para que eu olhasse o que havia no porta-malas. Com receio, fui até a traseira do carro, mas mantive uma certa distância. Logo em seguida, o taxista abriu o porta-malas e eu pude ver, contendo os risos e a vontade de falar “bonito, heim?”, o que tanto lhe afligia. Havia uma boneca inflável bastante “atraente” ali dentro. O taxista colocou as sacolas todas de uma vez dentro do porta-malas, fechou a porta rapidamente e se mandou sem sequer olhar para mim.

Ele podia ter esvaziado a boneca e então tê-la guardada em uma sacola. Mas, sei lá, por algum motivo a boneca precisava ser mantida ali. Depois disso, fiquei imaginando se o taxista havia conseguido tirar as sacolas do porta-malas sem que a mulher visse aquele balão em formato grosseiramente feminino…

Ao som de Morgana Lefay - Blind.

10:09 | Cotidiano | comentar



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