Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para agosto, 2007

Doar é uma coisa, ser explorado é outra!

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Não sei se é só comigo, mas além de receber ligações de empresas oferecendo cartão de crédito, assinaturas de jornais e até empréstimo financeiro, também venho recebendo muitas ligações de entidades assistenciais pedindo doações, especialmente em dinheiro. E, não somente como cidadão, mas como humano, sinto que é importante ajudar, afinal, estamos falando de instituições que, para muitos, representam a única chance de superar uma dificuldade ou até mesmo de sobreviver.

Vendo dessa forma, é até de se compreender que essas entidades façam ligações pedindo donativos. Só que tudo tem um limite. Eu, por exemplo, faço pequenas doações mensais à CAMAAC, porque sei que é uma instituição séria. Há tantos golpes por aí que eu me nego a doar 1 real sequer enquanto não tiver certeza de não estar sendo vítima de um golpe. Esse é um dos motivos que me fazem dizer não em uma ligação.

Outro motivo é o fato de que, como disse, tudo tem um limite. Se eu fizer doações pra tudo o que é entidade, vou fechar o mês deixando algumas contas pendentes. Em alguns casos, o representante da instituição que está ao telefone compreende, agradece a atenção e desliga o telefone. No entanto, outros causam irritação: tentam fazê-lo sentir culpa, insistem bastante, ligam mais de uma vez na mesma semana e até desligam o telefone na sua cara, como já aconteceu comigo uma vez.

Doar é preciso, mas não dá para atender todo mundo, me desculpe. A culpa de uma instituição filantrópica estar em dificuldades financeiras não é minha, por isso não vou ficar me matando para atender a todos os pedidos que me chegam. Acho que nem se eu fosse rico agiria assim.

E se alguém acha que estou sendo frio, saiba que poderia ser pior. Quase sempre pergunto à pessoa no telefone onde ela conseguiu o meu número. Se eu decidisse fazer doações apenas àquelas que me respondem, faria uma doação por ano. Ou até menos.

Ao som de Aesma Daeva – Odeath.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

18/8/2007 - 12:12

Postado em Cotidiano

A canseira do Cansei

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Assim como um bebê conta com o choro para expressar seus anseios, o povo conta com o protesto para expressar sua insatisfação. Um protesto bem feito requer tempo, paciência, persistência e, acima de tudo, grande adesão. É possível encontrar todos esses elementos e incentivos para mantê-los quando um protesto é bem organizado e direcionado. Pensei que o movimento Cansei teria boas chances de somar todas essas características, todavia, ao buscar mais informações, descobri que a coisa não era tão simples e harmônica assim…

Não lembro se foi por e-mail ou se foi em algum noticiário que tomei conhecimento do Cansei. Para quem não sabe, trata-se de um movimento que convida o povo a comparecer em frente à Catedral da Sé, em São Paulo, no dia 17 de agosto (2007) para fazer um minuto de silêncio em protesto contra todos os problemas que estamos enfrentando no país. De acordo com o site da campanha, a iniciativa já conta com a participação de artistas, personalidades famosas, empresários, formadores de opinião e representantes de entidades religiosas. Na frente de tudo, está a OAB de São Paulo.

Até aí, nada de mais, correto? Bom, de início, confesso que estranhei a falta de incentivo à participação do público jovem, isto é, dos estudantes. Mas pouco me prendi a essa questão, já que o protesto faz um convite a toda população, sem distinção de idade ou de atividade. Passei então a ler o conteúdo oferecido na própria página do movimento Cansei, decisão essa que resultou em uma grande surpresa: a Philips do Brasil está apoiando a causa, inclusive meteu a mão no bolso para veicular campanhas publicitárias!

Oras, como uma empresa de nível internacional ousa se meter em assuntos estritamente políticos? De certo que a iniciativa partiu do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo que, como qualquer cidadão, tem o direito de expressar sua indignação com os problemas que afetam o país, mas só o deve fazer usando o próprio nome. Se ele coloca o nome da própria empresa no meio dessa história, é porque quer posicioná-la integralmente no assunto, coisa que um executivo só faria sem o alvará da matriz se estiver louco. Na minha opinião, isso quer dizer que a Philips tem algum interesse nisso, e provavelmente não são as questões sociais. O que será, então?

Fiquei intrigado. Comecei então a pesquisar mais pelo assunto, mas essa pesquisa durou pouco. Por quê? Porque eu cansei, assim, logo de cara. A mídia resume o movimento e todas as manifestações contrárias ao protesto como sendo uma guerra onde um lado é a favor do governo Lula e o outro, contra. Essa visão é entendida por alguns como sendo também uma disputa “pró PT” versus “contra PT”. Mas aí Zottolo diz à Folha que o movimento Cansei é um ato de indignação contra os problemas que afetam o país, não contra o governo. Se é assim, por que João Dória foi envolvido na história, justamente um dos apoiadores de Geraldo Alckmin? E, novamente pergunto, o que a Philips tem a ver com isso?

Não sei e dificilmente saberei, mas estou certo de que tem alguma coisa estranha aí. Não existe almoço grátis, logo é possível que haja outros interesses por trás dessa campanha. No final das contas, vai tudo continuar a mesma merda de sempre: vamos continuar convivendo com o caos aéreo, com a violência descarada, com os escândalos no governo, com as greves, com a burocracia excessiva, com impostos altos, com os buracos nas estradas, com a educação falida, enfim. Isso cansa, viu? E como cansa…

Referências: Folha, Notidiasdot.com, UOL News, Google News.

Ao som de Legião Urbana – Faroeste Caboclo.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

15/8/2007 - 10:25

Postado em Política

75 anos de LEGO

Um comentário

A minha familiaridade com os computadores faz com que muita gente pense que o meu interesse por essas máquinas surgiu na infância e que, portanto, um videogame ou até mesmo um PC foi o melhor presente que já ganhei quando criança. Grande engano! O melhor presente que já tive foi uma caixa de LEGO.

LEGOSim, os famosos e divertidos blocos de montar. Gostava tanto desse brinquedo que ano após ano pedia uma caixa de LEGO de presente para a minha mãe. Minha insistência era tanta que, na última vez, acabei ganhando um balde inteiro dessas peças!

O primeiro desafio, é claro, era o de montar o brinquedo conforme as instruções do manual. Lembro que o mais complexo foi um guindaste de seis rodas, isso porque eu me atrapalhava todo com a sua corda. Mas, depois que consegui montá-lo, o orgulho foi tanto que o deixei em exposição na estante da sala por uma semana.

Depois, vinham os “auto-desafios”, como construir casas. O objetivo era sempre construir uma casa mais bonita do que a outra. E a criatividade não se limitava a isso: era também necessário lidar com a falta de peças, já que sempre faltava uma, por mais blocos que houvesse.

E não parava por aí: carros, barcos, caminhões de lixo (eu deixava até um bonequinho pendurado atrás do caminhão, como se fosse um catador), ônibus, naves espaciais, carro de bombeiro, robôs gigantes (inspirados em séries como Jaspion), pirâmides (que se pareciam com tudo, menos com pirâmides), palcos de show, enfim, tudo era motivo para ser representado em LEGO.

LEGO de madeiraFoi assim por um bom tempo, até que eu entrei na adolescência e perdi totalmente o interesse pelo assunto. Mas aí descobri que ontem, dia 10 de agosto, o brinquedo LEGO completou 75 anos de existência, daí me lembrei de tudo isso que contei acima. Puxa vida, 75 anos! Isso significa que até meus avôs poderiam ter brincado com LEGO durante a infância! É claro que com algumas limitações, já que os blocos de LEGO começaram a ser fabricados em peças plásticas apenas em 1947. Até então, eram feitos de madeira.

Mesmo existindo a tanto tempo, esses blocos de montar estão longe de cair no esquecimento. São populares até hoje, embora não tanto no Brasil (até pela questão do preço) e, pelo jeito, serão agradáveis presentes para os meus netos. Assim espero :)

Referência: LEGO Corporate Information.

Ao som de Morgana Lefay – On the Other Side.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

11/8/2007 - 13:07