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30/11/2007

Era para ter sido o mais incrível avião do mundo…

Por Emerson Alecrim

Se ao menos tivesse voado. Estou falando do espantoso Airliner Number 4, uma monstruosa aeronave projetada em 1929 pelo americano Normal Bel Geddes. Esse brinquedinho foi desenhado para transportar até 606 passageiros e 155 tripulantes. Para divertir todo esse povo, suas instalações foram elaboradas para ter, entre outras coisas, uma biblioteca, um playground, dois bares, quatro quadras de tênis, um ginásio de esportes, uma loja, ar-condicionado, pista de dança e até salão de beleza. Ou seja, era praticamente um “cruzeiro voador”!

Airliner Number 4

É uma pena que nunca saiu do papel, mas eu não descobri o motivo. Se bem que não é difícil deduzir: esse avião é extremamente largo, o que o torna incapaz de pousar na maioria dos aeroportos do mundo. Além do mais, se um troço desse porte sofresse um acidente, seria uma catástrofe sem igual.

Airliner Number 4 - Modelo

E ainda fica uma dúvida que, creio eu, geraria discussões até entre engenheiros aeronáuticos: será que o Airliner Number 4 seria como os aviões de papel que eu fazia quando criança? Eles eram audaciosos e até bonitos, mas voar que é bom…

Caso queira mais informações, esta página possui uma interessante matéria sobre esse engavetado projeto.

Referência: cgredan blog.

Ao som de Tarja Turunen - I walk alone.

7:46 | Interessante | 1 comentário


23/11/2007

Precisa de médico? Vá ao banco!

Por Emerson Alecrim

Encerrar conta em banco dá trabalho, principalmente quando você utiliza vários serviços da instituição financeira, mas tem hora que é inevitável. Após me cansar de ser atendido por gerentes que desconhecem a maioria dos procedimentos do banco e só fazem o básico (empurrar empréstimos, títulos de capitalização, seguro, cartão de crédito, etc), resolvi fechar a contar que tenho em um dos maiores bancos do país (um que tem um logotipo vermelho e caixa eletrônico em tudo o que é lugar). E não é que no dia que fui à agência para fazer isso encontrei mais um motivo para encerrar a conta?

Ao lado da mesa em que eu estava sendo atendido, um senhor estava abrindo uma conta. Papo vai, papo vem, ele acaba informando que é médico gastro-alguma-coisa. De repente, a gerente que o atendia começou a falar que tinha uma queimação no estômago, isso e aquilo. Não demorou muito, outra funcionária se aproximou para também relatar os seus problemas. Quando fui me dar conta, o médico já estava escrevendo uma receita para cada uma delas. O que deveria ser simplesmente uma abertura de conta, virou uma consulta médica!

Bom, se o médico fez isso de boa vontade, tudo bem, né? O problema é que ainda havia umas 5 pessoas aguardando atendimento (das gerentes, não do médico). Eu olhei para trás para ver se alguém da fila reagiria de alguma forma, mas todos se limitaram a resmungar, nada mais (então tem mais é que ficar aguardando aí mesmo!).

Mas o pior veio depois: apesar de ter recebido uma consulta médica gratuita, a gerente ainda sacaneou o médico. Lhe ofereceu um título de capitalização, e o doutor aceitou! Título de capitalização, nobre leitor, é uma furada, mesmo com o argumento de que você receberá todo o valor pago corrigido após não sei quanto tempo. Se você colocar todo o dinheiro investido nisso numa poupança, vai render mais. Tremenda sacanagem com o médico bonzinho, não?

Enganaram o doutor

Nessa história toda, a gerente, para variar, é que saiu ganhando. Recebeu uma consulta de graça e ainda ganhou uma comissão por ter vendido o título. Depois disso, respondi em alto e bom som à gerente que me atendia que “sim, eu realmente quero encerrar a minha conta”.

Ao som de Battlelore - House of heroes.

23:32 | Cotidiano | 4 comentários


18/11/2007

Evento de Tunguska

Por Emerson Alecrim

No mês passado, descobri no blog Microsiervos um link para o Astronomy Picture of the Day (APOD). Trata-se de um site da NASA que mostra uma imagem astronômica por dia, cada uma delas acompanhada de uma breve explicação. Como assino o RSS do APOD , diariamente vejo o conteúdo oferecido. Foi graças à imagem do dia 14 de novembro de 2007 que tomei conhecimento do espantoso Evento de Tunguska (Tunguska Event).

Aconteceu na manhã do dia 30 de junho de 1908, na Sibéria. Uma gigantesca bola de fogo foi vista cruzando o céu rapidamente e, instantes depois, houve uma monstruosa explosão (na verdade, uma seqüência de explosões) que, segundo o site APOD, foi cerca de mil vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. Uma área de mais de 2 mil quilômetros quadrados de floresta foi desvastada. A foto abaixo, tirada quase 20 anos depois do acontecimento e exibida no APOD, mostra um dos pontos atingidos.

Instantes após o acontecimento, alguns acreditavam que se tratava de um castigo divino. Outros, na chegada do fim do mundo. Houve também os que imaginaram se tratar do início de uma guerra ou, compreensivelmente, da continuação de uma. E as incertezas eram infinitas, pois muita coisa estranha aconteceu. Por exemplo, algumas regiões da Europa e da Ásia praticamente não tiveram noite e muitos relataram a ocorrência de luzes estranhas no horizonte. Apesar disso, não houve nenhum alarde de nível mundial, mesmo porque a região atingida era pouco habitada e a preocupação com os conflitos de guerra em outros locais eram maiores.

O assunto, na verdade, poderia até ter caído no esquecimento, se não fosse o trabalho de alguns pesquisadores, entre eles, Leonid Alexejewitsch Kulik. Especialista em meteoritos, Kulik começou as pesquisas sobre o assunto trabalhando com a hipótese de um meteorito ter se chocado contra a Terra. Na expectativa de encontrar a cratera oriunda do impacto, Kulik organizou uma expedição para explorar a região, isso em 1927 (foi desse trabalho que surgiu a foto mostrada acima e outras). O pesquisador não encontrou a tal cratera, mas se deparou com uma área estranhamente devastada, onde as árvores estavam totalmente inclinadas. É de esperar que essa inclinação tenha sido causada pela força da explosão, mas Kulik também encontrou árvores retorcidas em formato espiral, pontos isolados preservados totalmente, árvores que se mantiveram totalmente em pé, mas sem galhos e folhas, troncos e terrenos parcialmente queimados, entre outras coisas espantosas.

O fato é que, até hoje, não se tem certeza do que aconteceu. Kulik acreditou se tratar de um meteorito, outros pesquisadores trabalharam com a hipótese de um cometa, também houve os que atribuíram o evento a um pequeno buraco negro e até a uma nave extraterrestre. No entanto, a possibilidade do acontecimento ter sido causado por um teste de uma arma de destruição me chamou mais a atenção. Na época, supõe-se que um físico de nome Nikola Tesla - nada menos que o inventor, entre outras coisas, dos “circuitos trifásicos” - precisasse efetuar uma demonstração de sua arma (denominada “Raio da Morte”) para conseguir mais dinheiro para suas pesquisas. Sendo assim, ele disparou a sua arma para o Pólo Norte, mas algum erro fez com que a região atingida fosse Tunguska. Isso, até certo ponto, pode ter explicado o surgimento de fenômenos estranhos nos momentos seguintes após a explosão, como as visualizações de áreas luminosas no horizontes e as tais noites que viraram dia: sabe-se que o físico trabalhava inclusive com pesquisas que pudessem criar climas artificiais, e o material energético usado em seu invento poderia ter alguma influência disso.

Existem várias hipóteses para a ocorrência da explosão porque, embora cada uma seja acompanhada de explicações lógicas, nunca foi possível comprová-las totalmente. Se se trata de um meteorito, de um cometa ou de uma nave extraterrestre, onde estão os vestígios? A explosão (e as aparentes pequenas explosões que se seguiram) não deixaram rastro de qualquer material que pudesse indicar a sua causa. Até hoje surgem notícias de pesquisadores que teriam encontrado uma cratera ou restos de materiais que podem desvendar o mistério, mas nada, nada ainda foi comprovado.

Em 2008, o Evento de Tunguska completará uma século, comemorando 100 anos de dúvidas, incertezas e boatos. Para muitos, isso pode ser bom, pois alimenta toda a sensação de mistério existente em torno da história, mas para outros, especialmente para os pesquisadores, isso não tem tanta graça assim, afinal, se até hoje não se tem certeza do que aconteceu, como é que poderemos evitar que uma catástrofe igual ou pior ocorra novamente?

Referências: APOD, Instituto de Geociências da UFGRS, Tunguska Home Page (Universidade de Bolonha).

Ao som de Galadriel - Remenbrance.

10:59 | Interessante | 3 comentários


11/11/2007

Telefone bom é telefone desligado!

Por Emerson Alecrim

Quando a internet passou a fazer parte do meu dia-a-dia, nunca mais olhei para o telefone com bons olhos. Bem verdade é que ainda não é possível dispensá-lo e, pensando bem, creio que esse dia nunca chegará. Por isso, a única coisa que posso fazer para lidar com isso é me esforçar para usá-lo o mínimo possível.

Conheço pessoas que não vivem sem telefone. Se o seu celular não tocar pelo menos uma vez no dia, vão dormir com a sensação de que há algo errado com o aparelho. Comigo é o contrário. Quanto menos me ligarem ou quanto menos eu ligar, melhor. O problema é que não consigo ver o telefone como algo que não signifique incômodo. E não é para menos, pois quem atende sempre intorrompe o que está fazendo, ou alguém aqui dedica algumas horas de seu dia só para atender telefonemas?

E quem é que não odeia receber uma ligação quando está dormindo, tomando banho ou até mesmo “fazendo aquilo”? E você vai me dizer, com razão, que o pior são os trotes (como tem gente que adora encher o saco dos outros!) e os telefonemas oferecendo cartão de crédito, assinaturas de jornais ou empréstimos bancários. Se não bastasse, inventaram agora propagandas por telefone que são, na verdade, gravações. A última que recebi foi uma do Lombardi me oferecendo um Carnê do Baú da Felicilidade. E ainda há os enganos, as ligações para outros moradores da casa, as tentativas de golpe, os telefonemas durante o trânsito, enfim.

É por isso que, dependendo do dia, simplesmente desligo os meus telefones por algumas horas. É claro que essa não é uma prática recomendável, afinal, alguma ligação pode realmente ser importante, mas é um risco que aceitei correr. E se isso parece radical, saiba que podia ser pior: eu não quebrei nenhum telefone, pelo menos não até agora…

UPDATE: por que é que depois deste post choveu ligações aqui, “amigos”? ¬¬

Ao som de 3rd Room - Poison n.5.

13:31 | Cotidiano | 9 comentários


5/11/2007

Como se faz um bebê?

Por Emerson Alecrim

Levando um bebêOs elevadores têm características incomuns: para alguns, representam a única forma de subir na vida. Para outros, funcionam como um estimulante sexual. Para outros tantos, servem para apostar corrida (sim, eu já fiz isso!). No entanto, a coisa mais incomum dos elevadores é a sua capacidade de fazer coisas engraçadas acontecer, independente do tempo que você ficar dentro deles.

A última coisa engraçada que presenciei em um elevador aconteceu na semana passada. Uma garotinha de uns 5 anos perguntou à sua mãe, após observar uma mulher que segurava um bebê, como se faz um neném. Todo mundo riu, como é de se esperar, mas a garotinha, mostrando-se irritada pelos risos, insistiu na pergunta, enquanto a maioria olhava sorridente para ela. Como havia chegado ao meu andar, só tive tempo de ouvir a mãe dizer que em casa contaria, mas ainda assim pude notar que a garotinha não se contentou com a resposta, me fazendo ganhar a sua simpatia.

Por incrível que pareça, essa situação me fez lembrar de quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, e fiz a mesma pergunta. É provável que eu a tenha feito antes, mas a situação da qual lembro é de quando eu tinha essa idade. Não fiz a tal pergunta primeiramente aos meus pais, como geralmente ocorre, mas sim ao filho dos vizinhos, que devia ter a mesma idade que eu. Ele também não sabia, então teve a idéia de procurar os seus pais. E lá fomos nós.

Chegando em sua casa, entramos na sala, onde havia muita gente, já que ele estava recebendo visitas. Com a tranqüilidade que só a inocência pode permitir, o garoto perguntou em alto e bom som à sua mãe: como se faz um bebê? Ao contrário do que aconteceu no elevador, de repente se fez um silêncio mortal. Os mais novos olhavam para nós com um ar constrangido, enquanto os mais velhos o faziam com ar de reprovação. Finalmente, a mãe do meu “coleguinha” disse que daria a resposta mais tarde. Indignado, eu disse “ahhh, eu também quero saber!”. Com rispidez, a mulher respondeu que eu teria que perguntar à minha mãe.

Voltamos para a rua tentando compreender o que fizemos de errado. Mas não perdemos muito tempo pensando nisso e voltamos a brincar, não sem antes prometermos um a outro de que perguntaríamos às nossas mães como se faz um maldito bebê! No dia seguinte, nos encontramos, ansiosos para saber se o outro obtivera a resposta. Com ar de satisfação, meu colega disse que sim. Eu também. Daí um quis saber o que a mãe do outro disse.

Meu colega veio com uma história de “sementinha que nasce nas mulheres quando elas querem ser mãe”, e que quando ele for adulto vai entender melhor. Aí eu disse a história que a minha mãe havia me contado, prontamente rebatida pelo meu nobre amigo, que não aceitou a idéia de seu pai “mijando” dentro de sua mãe (afinal, que outro líquido sai do “pipi”?).

Como crianças, tínhamos coisas mais importantes para tratar - um caminhão havia descarregado um monte de areia na parte baixa da rua - e assim resolvemos encerrar o assunto. Mas, durante a conversa, eu não havia dito que minha mãe também disse que quando eu fosse adulto entenderia melhor. De fato, hoje entendo melhor. Não a questão da “fabricação” dos bebês, pois isso entendi muito antes. Simplesmente, hoje entendo o porquê daquele monte de gente ter ficado tão constrangido com uma simples pergunta :)

Ao som de Midnattsol - Enlightenment.

0:43 | Inusitado | 4 comentários



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