Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para novembro, 2007

Telefone bom é telefone desligado!

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Quando a internet passou a fazer parte do meu dia-a-dia, nunca mais olhei para o telefone com bons olhos. Bem verdade é que ainda não é possível dispensá-lo e, pensando bem, creio que esse dia nunca chegará. Por isso, a única coisa que posso fazer para lidar com isso é me esforçar para usá-lo o mínimo possível.

Conheço pessoas que não vivem sem telefone. Se o seu celular não tocar pelo menos uma vez no dia, vão dormir com a sensação de que há algo errado com o aparelho. Comigo é o contrário. Quanto menos me ligarem ou quanto menos eu ligar, melhor. O problema é que não consigo ver o telefone como algo que não signifique incômodo. E não é para menos, pois quem atende sempre intorrompe o que está fazendo, ou alguém aqui dedica algumas horas de seu dia só para atender telefonemas?

E quem é que não odeia receber uma ligação quando está dormindo, tomando banho ou até mesmo “fazendo aquilo”? E você vai me dizer, com razão, que o pior são os trotes (como tem gente que adora encher o saco dos outros!) e os telefonemas oferecendo cartão de crédito, assinaturas de jornais ou empréstimos bancários. Se não bastasse, inventaram agora propagandas por telefone que são, na verdade, gravações. A última que recebi foi uma do Lombardi me oferecendo um Carnê do Baú da Felicilidade. E ainda há os enganos, as ligações para outros moradores da casa, as tentativas de golpe, os telefonemas durante o trânsito, enfim.

É por isso que, dependendo do dia, simplesmente desligo os meus telefones por algumas horas. É claro que essa não é uma prática recomendável, afinal, alguma ligação pode realmente ser importante, mas é um risco que aceitei correr. E se isso parece radical, saiba que podia ser pior: eu não quebrei nenhum telefone, pelo menos não até agora…

UPDATE: por que é que depois deste post choveu ligações aqui, “amigos”? ¬¬

Ao som de 3rd Room – Poison n.5.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

11/11/2007 - 13:31

Postado em Cotidiano

Como se faz um bebê?

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Levando um bebêOs elevadores têm características incomuns: para alguns, representam a única forma de subir na vida. Para outros, funcionam como um estimulante sexual. Para outros tantos, servem para apostar corrida (sim, eu já fiz isso!). No entanto, a coisa mais incomum dos elevadores é a sua capacidade de fazer coisas engraçadas acontecer, independente do tempo que você ficar dentro deles.

A última coisa engraçada que presenciei em um elevador aconteceu na semana passada. Uma garotinha de uns 5 anos perguntou à sua mãe, após observar uma mulher que segurava um bebê, como se faz um neném. Todo mundo riu, como é de se esperar, mas a garotinha, mostrando-se irritada pelos risos, insistiu na pergunta, enquanto a maioria olhava sorridente para ela. Como havia chegado ao meu andar, só tive tempo de ouvir a mãe dizer que em casa contaria, mas ainda assim pude notar que a garotinha não se contentou com a resposta, me fazendo ganhar a sua simpatia.

Por incrível que pareça, essa situação me fez lembrar de quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, e fiz a mesma pergunta. É provável que eu a tenha feito antes, mas a situação da qual lembro é de quando eu tinha essa idade. Não fiz a tal pergunta primeiramente aos meus pais, como geralmente ocorre, mas sim ao filho dos vizinhos, que devia ter a mesma idade que eu. Ele também não sabia, então teve a idéia de procurar os seus pais. E lá fomos nós.

Chegando em sua casa, entramos na sala, onde havia muita gente, já que ele estava recebendo visitas. Com a tranqüilidade que só a inocência pode permitir, o garoto perguntou em alto e bom som à sua mãe: como se faz um bebê? Ao contrário do que aconteceu no elevador, de repente se fez um silêncio mortal. Os mais novos olhavam para nós com um ar constrangido, enquanto os mais velhos o faziam com ar de reprovação. Finalmente, a mãe do meu “coleguinha” disse que daria a resposta mais tarde. Indignado, eu disse “ahhh, eu também quero saber!”. Com rispidez, a mulher respondeu que eu teria que perguntar à minha mãe.

Voltamos para a rua tentando compreender o que fizemos de errado. Mas não perdemos muito tempo pensando nisso e voltamos a brincar, não sem antes prometermos um a outro de que perguntaríamos às nossas mães como se faz um maldito bebê! No dia seguinte, nos encontramos, ansiosos para saber se o outro obtivera a resposta. Com ar de satisfação, meu colega disse que sim. Eu também. Daí um quis saber o que a mãe do outro disse.

Meu colega veio com uma história de “sementinha que nasce nas mulheres quando elas querem ser mãe”, e que quando ele for adulto vai entender melhor. Aí eu disse a história que a minha mãe havia me contado, prontamente rebatida pelo meu nobre amigo, que não aceitou a idéia de seu pai “mijando” dentro de sua mãe (afinal, que outro líquido sai do “pipi”?).

Como crianças, tínhamos coisas mais importantes para tratar – um caminhão havia descarregado um monte de areia na parte baixa da rua – e assim resolvemos encerrar o assunto. Mas, durante a conversa, eu não havia dito que minha mãe também disse que quando eu fosse adulto entenderia melhor. De fato, hoje entendo melhor. Não a questão da “fabricação” dos bebês, pois isso entendi muito antes. Simplesmente, hoje entendo o porquê daquele monte de gente ter ficado tão constrangido com uma simples pergunta :)

Ao som de Midnattsol – Enlightenment.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

5/11/2007 - 0:43

Postado em Inusitado