Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para 16/1/2008

Profissão errada, tortura certa

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Eu fico impressionado com a quantidade de pessoas que conheço que não gostam da sua profissão. Isso deve acontecer em todas as áreas, mas tenho a impressão de que é mais comum na computação. Na universidade em que trabalho, por exemplo, sei de umas 5 ou 6 pessoas que se encontram nessa situação. E a pergunta natural é: então, por que você escolheu esta área?

As respostas são variadas, mas a maioria responde que as expectativas de boa remuneração e rápida colocação no mercado de trabalho foram as principais influências. Mas, as coisas não são tão simples assim. Boa remuneração se acha e rápida inserção no mercado de trabalho também, mas para quem realmente tem preparo e especialização. Isso significa que a pessoa precisa estudar e trabalhar muito para conseguir o conhecimento necessário, mas ninguém consegue se dedicar tanto a um assunto que lhe causa desinteresse e, não raramente, chateação.

Somente gostando do que faz é que você conseguirá êxito. Quando você gosta, as tarefas deixam de ser um peso e tornam atividades até prazerosas. Por isso, quem fez a escolha errada tem apenas duas opções: aprenda a gostar do que faz ou pula fora o quanto antes! A primeira opção, naturalmente, é muito mais difícil, mas pode ser a saída para quem não quer perder mais tempo.

I don't understand my job - Sam Brown - explodingdog
Imagem de Sam Brown – explodingdog

O que eu percebo nas pessoas que não gostam do seu trabalho é comum em todas elas: no início, até pela alegria de ter conseguido um emprego, há toda uma empolgação. Depois de algum tempo, o desânimo vem e ganha forças com o simples passar dos dias. No auge do desânimo, a pessoa não evolui, executa suas tarefas apenas para se livrar delas, se cansa e se estressa muito facilmente.

Esse desânimo ganha proporções ainda maiores quando a pessoa, além de trabalhar, faz algum curso superior na área. A conseqüente falta de interesse faz com que as aulas se tornem uma tortura. Sinto arrepios só de me imaginar sendo obrigado a estudar Direito, por exemplo, já que essa é uma área que não me atrai nem um pouco. Imagine, então, alguém começando a ter sintomas de rejeição no meio do curso?

Mas é mesmo no ambiente profissional que essa situação pode virar um verdadeiro desastre, pois no trabalho a pressão é real e maior. Para o funcionário é ruim, porque ele se sente forçado a fazer algo que não gosta. Para a empresa, idem, pois ela contratou uma pessoa cujo desempenho está cada vez mais comprometido.

É um erro grosseiro considerar apenas salário e colocação rápida no mercado de trabalho na hora de escolher uma profissão. Essa é uma decisão séria, que precisa ser feita com cuidado e paciência. Eu não sou nenhum especialista no assunto, portanto, posso estar completamente equivocado, mas a minha experiência diz que pessoas bem informadas, que gostam de ler quase tudo o que aparece na sua frente, que gastam algum tempo lendo livros por puro prazer, que visitam lugares variados, que olham mais ao seu redor do que para o próprio umbigo, têm grandes chances de um dia parar, abrir aquele sorriso no rosto e dizer “é isso que eu vou fazer”.

“Arrume um trabalho que lhe dê prazer, e você nunca terá que trabalhar na vida”. Confúcio.

Ao som de To-Mera – Mirage.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

16/1/2008 - 21:53

Postado em Reflexão