Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para janeiro, 2008

Profissão errada, tortura certa

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Eu fico impressionado com a quantidade de pessoas que conheço que não gostam da sua profissão. Isso deve acontecer em todas as áreas, mas tenho a impressão de que é mais comum na computação. Na universidade em que trabalho, por exemplo, sei de umas 5 ou 6 pessoas que se encontram nessa situação. E a pergunta natural é: então, por que você escolheu esta área?

As respostas são variadas, mas a maioria responde que as expectativas de boa remuneração e rápida colocação no mercado de trabalho foram as principais influências. Mas, as coisas não são tão simples assim. Boa remuneração se acha e rápida inserção no mercado de trabalho também, mas para quem realmente tem preparo e especialização. Isso significa que a pessoa precisa estudar e trabalhar muito para conseguir o conhecimento necessário, mas ninguém consegue se dedicar tanto a um assunto que lhe causa desinteresse e, não raramente, chateação.

Somente gostando do que faz é que você conseguirá êxito. Quando você gosta, as tarefas deixam de ser um peso e tornam atividades até prazerosas. Por isso, quem fez a escolha errada tem apenas duas opções: aprenda a gostar do que faz ou pula fora o quanto antes! A primeira opção, naturalmente, é muito mais difícil, mas pode ser a saída para quem não quer perder mais tempo.

I don't understand my job - Sam Brown - explodingdog
Imagem de Sam Brown – explodingdog

O que eu percebo nas pessoas que não gostam do seu trabalho é comum em todas elas: no início, até pela alegria de ter conseguido um emprego, há toda uma empolgação. Depois de algum tempo, o desânimo vem e ganha forças com o simples passar dos dias. No auge do desânimo, a pessoa não evolui, executa suas tarefas apenas para se livrar delas, se cansa e se estressa muito facilmente.

Esse desânimo ganha proporções ainda maiores quando a pessoa, além de trabalhar, faz algum curso superior na área. A conseqüente falta de interesse faz com que as aulas se tornem uma tortura. Sinto arrepios só de me imaginar sendo obrigado a estudar Direito, por exemplo, já que essa é uma área que não me atrai nem um pouco. Imagine, então, alguém começando a ter sintomas de rejeição no meio do curso?

Mas é mesmo no ambiente profissional que essa situação pode virar um verdadeiro desastre, pois no trabalho a pressão é real e maior. Para o funcionário é ruim, porque ele se sente forçado a fazer algo que não gosta. Para a empresa, idem, pois ela contratou uma pessoa cujo desempenho está cada vez mais comprometido.

É um erro grosseiro considerar apenas salário e colocação rápida no mercado de trabalho na hora de escolher uma profissão. Essa é uma decisão séria, que precisa ser feita com cuidado e paciência. Eu não sou nenhum especialista no assunto, portanto, posso estar completamente equivocado, mas a minha experiência diz que pessoas bem informadas, que gostam de ler quase tudo o que aparece na sua frente, que gastam algum tempo lendo livros por puro prazer, que visitam lugares variados, que olham mais ao seu redor do que para o próprio umbigo, têm grandes chances de um dia parar, abrir aquele sorriso no rosto e dizer “é isso que eu vou fazer”.

“Arrume um trabalho que lhe dê prazer, e você nunca terá que trabalhar na vida”. Confúcio.

Ao som de To-Mera – Mirage.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

16/1/2008 - 21:53

Postado em Reflexão

Tropinha de elite

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criançada em rodaAqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem círculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.

Hoje, era para ter sido um dia mais ou menos assim. Saí do trabalho, peguei minha combinação de ônibus + Metrô, desci e caminhei até a entrada do meu prédio. Ao passar pelo portão, lá estavam elas, as crianças. Cantavam, como sempre fazem, mas desta vez, a música era diferente. Bem diferente. É verdade que, eventualmente, elas cantam algum “hit”, tal como “Ela dança, eu danço”, algum funk mirabolante e até forró. Mas, eu nunca imaginaria que elas cantariam a seguinte música como se fosse a coisa mais normal do mundo:

“Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o Satanás!”

Você tem idéia do quão bizarro é ouvir crianças cantando isso como se fosse uma cantiga de roda qualquer? Quando eu era moleque, se ousasse falar ou cantar coisas assim, levava um tapão na boca! Se insistisse, minha mãe pegava um cinto que ela tinha que era mágico: conseguia alcançar minhas pernas onde quer que eu fosse. Hoje, só faltou aquela criançada brincar de polícia e ladrão e gritar coisas como “você é um fanfarrão!”, “pede pra sair, pede pra sair!”, “no rosto não pra não estragar o velório!”, enfim…

Ao som de Tihuana – Tropa de Elite Sirenia – In Summerian Haze.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

11/1/2008 - 22:02

Postado em Inusitado

Conselho de amigo: pague à vista!

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Sim, meus amigos, só faltou eu estourar champagne para comemorar o fim da CPMF. Não que esse imposto pesasse tanto no bolso, mas estou de saco cheio de dar BOA PARTE do meu dinheiro para o governo e ter como retorno estradas em péssimas condições, hospitais ruins, transporte público precário, educação falida, etc, etc e etc. A expectativa era a de que o governo compensasse as perdas com a extinção da CPMF gastando melhor o nosso suado dinheiro, mas, no fundo, todo mundo sabia que o assunto não morreria aí.

Em Brasília

E não morreu. Tão logo 2008 começou, o governo anunciou um pacote de medidas para evitar um rombo nos cofres públicos. Entre as novidades, está o aumento na cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na prática, isso significa que, quando você comprar um produto a prazo, pagará juros ainda maiores.

Não é necessário ser especialista em economia para saber que compras financiadas nunca foram um bom negócio, embora muitas vezes isso seja inevitável. Agora, mais do que nunca, é necessário fazer esforço para comprar à vista. As vantagens são inúmeras, por exemplo:

- pagando à vista, é possível conseguir um desconto. Se o vendedor da loja se negar a negociar, basta dizer “ok, obrigado, vou comprar em outro lugar”;

- pagamento à vista lhe proporciona a ótima sensação de ter uma conta a menos para pagar no mês seguinte;

- ao parcelar um pagamento, você corre o risco de não conseguir honrar as dívidas e ter seu nome cadastrado em entidades de defesa ao crédito;

- pagando à vista você diminui sensivelmente as chances de perder o controle sob suas finanças.

É claro que há situações em que o pagamento à prazo é inevitável. Nestes casos, a dica é optar pelo menor número de parcelas possível. Isso porque, quanto mais parcelas um financiamento tiver, maiores serão os seus gastos. Além disso, pesquisar para saber qual empresa oferece taxa de juros menores também é uma prática a se considerar.

Por fim, fuja dos empréstimos bancários. Aperte o cinto, deixe de comprar, economize na cervejinha do fim de semana, mas não peça dinheiro emprestado aos bancos. Os juros são exorbitantes! Da mesma forma, não caia no truque do pagamento mínimo dos cartões de crédito. Pague a fatura de uma vez e, se necessário, cancele o seu cartão para evitar gastos maiores.

Por mais difícil que lhe pareça, coloque essas dicas em prática. Pelo menos, tente. A corrupção nunca deixará de existir, os impostos nunca diminuirão (no máximo, serão substituídos por outros, como o que vemos agora) e os bancos sempre tentarão extrair o máximo de você. Portanto, uma reação, por menor que seja, pode diminuir os furos existentes no seu bolso…

Ao som de Kamelot – Silence of darkness.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

4/1/2008 - 16:24

Postado em Política