Hoje é 2 de março de 2008. Há exatos 12 anos que o Brasil vivenciou uma das suas maiores tristezas: a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. Mesmo depois de todo esse tempo, eu me lembro com detalhes daquele dia, ou melhor, da manhã do dia seguinte, quando soube da notícia. Era domingo, pouco mais das 11 horas da manhã, e eu havia acabado de acordar. Liguei a televisão, que sintonizou o canal 4, do SBT, com imagens ruins. Desde aquela época eu já não simpatizava muito com os programas dominicais, mas antes que eu pudesse trocar de canal, vi e ouvi o apresentador Gugu Liberato anunciar a tragédia.
Eu tinha 12 anos em 1996. Assim como qualquer criança da época, eu adorava a banda. Sabia as letras de quase todas as músicas dos Mamonas Assassinas e assistia a todos os programas de TV em que eles apareciam. Sentado no sofá, sozinho na sala, ficava mudando de canal para ter certeza de que havia entendido bem, afinal, como disse, a TV não exibia as imagens do SBT corretamente. Após sintonizar pela terceira ou quarta vez a TV Globo, aquela musiquinha de arrepiar do Plantão da Globo tocou e, instantes depois, um repórter forneceu mais detalhes sobre o acidente aéreo que tirou a vida dos Mamonas Assassinas.

Então era verdade. Dois anos depois de ter sentido toda aquela angústia pela morte do Ayrton Senna, lá estávamos nós novamente diante daquela sensação ruim. A sede por detalhes era grande. Naquela época, eu sequer imagina que um dia utilizaria a internet para obter qualquer tipo de informação. Por conseqüência, eram rádios e TVs ligados. Em menos de uma hora, todos da casa já sabiam do ocorrido e, nos corredores do meu prédio, os vizinhos comentavam o assunto. E será que havia alguém que falava de outra coisa?
A TV já exibia imagens aéreas do local do acidente. Assim como muita gente, eu ficava na expectativa do repórter anunciar que ao menos um sobrevivente havia sido encontrado. Em vão. A dimensão da tragédia não deixou espaço para que alguém escapasse vivo do acidente. As imagens eram torturantes: exibiam demoradamente corpos cobertos sendo transportados por um helicóptero até um terreno próximo. Quando anoiteceu, não restou outra coisa, a não ser acompanhar mais detalhes sobre a tragédia no programa Fantástico…
E se passaram 12 anos. O que mais me espanta e, na verdade, o que me motivou a escrever esse texto, é o fato de, vez ou outra, eu ver crianças cantando uma música dos Mamonas Assassinas. Veja bem, eu estou falando de crianças que eram bebês no ano em que eles morreram ou que sequer tinham nascido! É claro que elas nunca saberão do quanto era bacana ver os Mamonas em ação na época do seu auge e muito menos terão idéia do estado de choque que o Brasil ficou com a tragédia. No entanto, o fato dessas crianças reconhecerem as músicas do grupo e até se divertirem com elas nos dias atuais, indica que os Mamonas Assassinas não vieram apenas para fazer sucesso e para fazer o povo rir. Vieram também para fazer história!
Ao som de Mamonas Assassinas – Vira-vira.
