Para facilitar o troco. Ou dificultar…
Por Emerson AlecrimQuase que diariamente passo em uma lanchonete perto do meu local de trabalho para tomar café da manhã. Na maioria das vezes, gasto 3,70 reais. Como o valor é baixo, eu prefiro pagar com “dinheiro vivo” mesmo, mas na última sexta-feira descobri que nem sempre essa parece ser uma boa idéia…
Dificilmente tenho o valor exato para pagar o lanche, então dou uma nota de 5 ou 10 reais. O problema é que, ao fazer isso, o caixa é obrigado a voltar parte do troco em moedas. E eu odeio carregar moedas. Além disso, nem sempre o caixa as tem em número suficiente. Daí procurar facilitar: se tiver moedas na minha carteira, dou 10 reais e 70 centavos, com isso, o caixa me devolve exatamente 7 reais. Alguns são sacanas, e me devolvem, por exemplo, uma nota de 5 reais e quatro moedas de 50 centavos, mas tudo bem, tudo bem…
Na última sexta-feira, essa feliz jogada foi por água abaixo. A lanchonete colocou no caixa um funcionário ruim de contas, mas bota ruim nisso! Fui lá, efetuei o meu pedido e, na hora de pagar, fiz exatamente como explicado no parágrafo anterior: dei ao caixa 10 reais e 70 centavos. O problema é que ele não entendeu que os 70 centavos eram para facilitar o troco, então o cara “travou”. Bom, eu fiquei lá, parado, esperando calmamente, até que ele resolveu reagir:
- qual o seu pedido mesmo?
- Um salgado e um chá Mate.
- E você me deu…
- 10 e 70.
- Ah, tá. Ó o troco!
- Er… Você me devolveu 8 reais…
- Tá faltando?
- Não, tá sobrando 1 real, tome!
- Não, é isso mesmo…
- Hahaha… 10,70 menos 3,70 dá 7 reais!
- Não, mas é que você deu as moedas e…
E então eu perdi a paciência e resolvi ficar com o troco a mais. Você viu que eu tentei ser honesto, mas o rapaz não ajudou! Bom, depois eu contei a história para um colega de trabalho. Daí no sábado, fui ao mesmo lugar tomar café, mas dessa vez esse meu colega me acompanhou. E adivinha quem estava no caixa? Para mostrar que eu sou bonzinho, dessa vez paguei o valor exato. Mas meu colega resolveu sacanear: seu pedido deu 4,60 reais e ele deu ao caixa 10,85 reais.

O coitado do rapaz do caixa ficou tenso, parecia não saber o que fazer e, como se implorando por piedade, perguntou ao meu colega se ele não tinha o valor exato. Meu colega disse: “acho que eu tenho, mas você tem 1 real aí?”, e o rapaz lhe deu 1 real. Em seguida, meu colega lhe pagou exatamente 4,60 reais. O rapaz ficou aliviado, agradeceu e… Bom, meu colega começou a rir e, num gesto de quem tinha entendido que havia ido longe demais, devolveu a nota de 1 real ao caixa lhe dizendo que ele (o meu colega) havia errado a conta…
E eu fiquei ali, vendo de tudo de perto, incrédulo. Não pelo fato de o rapaz do caixa não conseguir fazer contas simples, já que eu não sei nada da vida dele para entender suas dificuldades, mas do fato de uma lanchonete como aquela permitir que uma pessoa despreparada assumisse o caixa. Isso é ruim não só por causar um rombo na arrecadação, mas também porque pode prejudicar o atendimento, fazendo com que o cliente mais impaciente prefira a lanchonete ao lado na próxima vez.
E em pensar que tudo começou quando eu queria facilitar o troco…
Ao som de Demether - Shy.
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