Embora aquelas meninas fossem atraentes (pelo menos a maioria delas), eu estava com uma bomba nas mãos um problema tão complicado de resolver que nem prestei muita atenção nelas. No entanto, percebi que, em um determinado momento, elas discutiam sobre uma tal imagem mostrada na revista que, quando vista por mulheres, era entendida de uma forma e, quando vista por homens, era compreendida de outra. Elas ficaram surpresas quando se deram conta de que, em relação às mulheres, a revista tinha acertado.
Veja bem, ainda faltava comprovar se a revista estaria certa em relação aos homens. Naquele momento, só havia uma pessoa do sexo masculino ali: eu. Naturalmente, uma das meninas teve a idéia de levar a revista até mim e perguntar o que eu entendia da tal imagem. Eu respondi. Novamente elas se mostraram maravilhadas com a precisão da revista.
A história terminaria bem aí, se não fosse por um detalhe: uma das meninas se atrasou e chegou bem no momento em que eu dei a minha resposta. Obviamente, ela não entendeu nada e quis saber o que estava acontecendo. Uma de suas colegas tentou explicar rapidamente:
- Está vendo essa figura aqui? As mulheres a enxergam como uma senhora e os homens a entendem como uma jovem com a cabeça inclinada.
- É verdade! Que legal! E o que ele viu?
- Uma mulher com a cabeça inclinada.
- Ah, então ele é homem mesmo!
Imagine um momento de silêncio. Imaginou? Agora, me imagine parando tudo o que eu estava fazendo. Imaginou? Ok, agora me imagine fazendo a ela, com a educação que só vem à tona quando estou muito irritado, a seguinte pergunta:
- Por acaso, em algum momento, a senhorita teve alguma dúvida disso?
Ao som de After Forever – Intrinsic.
