Certa vez, eu estava belo e tranqüilo em um trem do Metrô. Em uma estação, uma mulher carregando uma enorme sacola entrou e se sentou ao meu lado. Em seguida, ela tirou um bom pedaço de plástico-bolha da sacola e começou a estourar as tais bolhas. Só que ela fazia isso com tanta rapidez, que era impossível não se sentir incomodado. Sei lá o motivo, mas aquilo me dava tanta aflição, que quando o plástico tinha todas as bolhas estouradas, a sensação de alívio pelo silêncio era grande. Porém, sempre que isso acontecia, ela tirava mais um pedaço de plástico da sacola e continuava com o ritual…

Sempre que eu compro alguma coisa que é protegida por esse tipo de plástico, também estouro as bolhas, mas isso não me torna viciado nesse ato. Aliás, até encontrar essa mulher, eu não fazia idéia de que existia gente viciada nisso. Mas, pessoas mais espertas não só perceberam isso, como tiveram a idéia de fazer dessa descoberta uma pequena fortuna. Não, não resolveram vender plástico-bolha no mercado, não, simplesmente criaram um dispositivo que simula esse tipo de plástico: o Puchi Puchi.

Pelo nome, você já deve ter desconfiado que é coisa dos japoneses. É um produto comercializado pela Bandai (a mesma que inventou a praga dos Tamagotchis) que, após ser sucesso de vendas no Japão, está chegando em outros países. O interessante é que as versões mais recentes não se limitam a simular o estouro de plástico-bolha, mas também emitem frases ou sons diferentes quando um determinado número de bolhas é estourado. É cada uma, não?
Bom, se esse troço chegar ao Brasil (é bem capaz que clones chineses cheguem primeiro), talvez eu compre um para dar de presente à tal mulher do Metrô. Se ela não comprar um antes, é claro…
Ao som de Estrum – Yours.
