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6/7/2008

Internet como meio, nunca como fim

Por Emerson Alecrim

A última quinta-feira (03/07/2008) foi um caos aqui em São Paulo. Desta vez, a culpa não foi do trânsito, da paralisação do Metrô ou de protestos na Avenida Paulista. A culpa foi do “apagão digital”, mais precisamente, da pane na rede de dados da Telefônica que deixou centenas de milhares de pessoas e empresas sem acesso à internet em quase todo o estado.

O caos se estabeleceu porque a falha afetou também serviços essenciais à população. Como relatei lá no InfoWester, delegacias deixaram de emitir boletins de ocorrência, o Poupatempo praticamente não funcionou, a CET teve dificuldades em emitir seus boletins de trânsito e até agências bancárias operaram instavelmente.

Muita gente teve prejuízo. Lan houses deixaram de abrir, pessoas que compram e vendem ações pela internet tiveram dificuldades em realizar operações, desenvolvedores deixam de entregar seus projetos e donos de sites - inclusive eu - sentiram no bolso as conseqüências da redução no número de visitas às suas páginas.

Vício na internetPor causa de todos esses problemas, notei que a maioria das pessoas ficou revoltada com o ocorrido, o que é de se esperar. No entanto, soube de indivíduos que, se não entraram em verdadeiro pânico, simplesmente não sabiam o que fazer da vida sem acesso à internet. Tomei conhecimento de casos de pessoas que ficaram desesperadas para entrar em jogos on-line e soube até de gente que parecia que ia morrer se não entrasse logo no Orkut e no Windows Live Messenger. Falar de vício nessas horas é bobagem, suponho…

Apesar do prejuízo financeiro, eu não senti, nem um pouco, falta da internet. Talvez esse tenha sido o único ponto dessa história toda que me agradou. Está certo que, no tal dia, eu pude acessar a “grande rede” na empresa em que trabalho e em casa, durante a noite, mas meramente para ver notícias e executar minhas atividades, ou seja, não acessei por necessidade “fisiológica”.

Entre os seus vários benefícios, a internet se destaca por não respeitar fronteiras e por permitir que pessoas em qualquer lugar do mundo se conheçam e se comuniquem. Nenhum outro meio de comunicação tem tamanho poder. Por outro lado, a internet pode fazer com que as pessoas se tornem tão dependentes dela, que muita gente se limita ao computador para dar sentido à sua vida.

E assim, mesas de bares deixam de ser testemunhas de um bom bate-papo, cadeiras de cinemas deixam de constatar o quão uma pessoa é boa companhia à outra, o sol deixa de ver rostos que lhe eram tão conhecidos em um passado não muito distante e as noites ficam sedentas para mostrar seus encantos a novos olhos. Feliz mesmo só está uma tela de computador, orgulhosa de ser o centro das atenções de uma pessoa durante tantas horas por dia.

Sua vida é única, meu amigo, portanto, não dê espaço ao desperdício. Ter uma vida meramente on-line é como uma droga: no início, parece a melhor coisa que existe, mas depois te torna escravo e infeliz. Use a internet como meio, nunca como fim.

Ao som de Battlelore - Into the new world.

15:36 | Cotidiano, Reflexão | 2 comentários



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