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24/8/2008

Escada rolante do capeta!

Por Emerson Alecrim

Não lembro se foi um colega ou um professor que comentou certa vez que a finalidade principal das máquinas é quebrar ou, quando menos, funcionar de maneira indevida. Não nego que essa afirmação tenha um fundo de verdade, mas verdadeiro também é o fato de que muitas vezes a culpa não é da máquina, mas de quem a opera ou a usa.

Lembro de um dia em que eu estava descendo uma escada volante rolante na estação Sé, a mais movimentada do Metrô de São Paulo. Na ocasião, um infeliz fez com que um pacote gigantesco ficasse preso na escada e, por conseqüência, todo mundo que vinha atrás se chocava contra ele ou com quem tentava se desviar do maldito. Não havia como voltar, pois a escada descia sempre cheia de gente. Eu só escapei do choque porque tive o bom senso de imitar o indivíduo que estava à minha frente: quando se aproximou da aglomeração em volta da caixa, o rapaz sentou em cima do corrimão – que também era rolante, obviamente -, permitindo-o desviar daquele monte de gente enroscada.

Esse episódio foi causado por falha humana. A escada, coitada, ficou lá fazendo o seu trabalho. Ninguém foi rápido o suficiente para apertar o botão que a faria parar. Mas há situações em que as máquinas, de fato, se revoltam (talvez porque foram mal projetadas, o que remete novamente a culpa aos humanos, mas não vou discutir isso agora). O vídeo abaixo é um belo exemplo. Nele, uma escada rolante que subia começa a fazer o contrário, isto é, a descer:

Esse curioso incidente aconteceu em Tóquio, durante um festival de animes e filmes. Do nada, a escada que subia lotada de pessoas começou a descer e de forma rápida. Confesso que ri da cena, mas com certa culpa, pois as conseqüências não foram nada engraçadas: cerca de 20 pessoas ficaram feridas.

A dúvida que fica no ar, é: o que fez a escada trabalhar de tal maneira? Eis algumas das minhas suposições:

- a escada teve uma crise de personalidade e imaginou que era a escada que conduz ao inferno, de forma que começou a descer;

- a escada quis acompanhar as ações da Vale e da Petrobras, que estão indo lá para baixo;

- a escada quis apostar corrida com a escada ao lado, que descia, mas lentamente;

- alguém disse “essa escada tem cara de ter sido feita no Brasil” e ela se revoltou com a ofensa.

A causa real, eu não sei, mas o acontecimento me deu a certeza de uma coisa: as máquinas estão cada vez mais próximas de assumir características humanas. Falhar e sacanear os outros elas já sabem :)

Referência: Blog Wired.

Morgana Lefay – On the other side.

12:52 | Inusitado | 2 comentários


17/8/2008

20ª Bienal do Livro São Paulo: eu fui!

Por Emerson Alecrim

Ontem (16/08/2008) foi o dia que escolhi para ir à 20ª Bienal do Livro de São Paulo, evento que acontece entre 14 e 24 de agosto de 2008 no Parque de Exposições Anhembi. Como bom amante de livros, não poderia deixar de visitar o local. A seguir, relato as minhas impressões.

O local fica próximo da estação Portuguesa-Tietê do Metrô (que também abriga o terminal rodoviário). De lá sai ônibus gratuito para o evento. Notei que muita gente tomava táxi ou pagava de 5 a 15 reais a motoristas ilegais para chegar à Bienal quando via o tamanho da fila de transporte. Pura precipitação. De fato, a fila estava grande, mas andava rápido, graças à grande disponibilidade de ônibus.

Entrada da Bienal do Livro
Entrada da Bienal do Livro

Ao chegar ao Anhembi, fiquei contente ao notar que não havia fila alguma para comprar ingresso (10 reais para adultos, 5 reais para estudantes). Para quem está acostumado a pegar longas filas, é uma notícia e tanto! Ao entrar na área de exposição, a primeira coisa que chamou a minha atenção foi o estande da Igreja Universal TV Record. Não, eles não estavam fazendo culto vendendo livros, mas sim fazendo gravações com os participantes da feira. Durante as minhas caminhadas por lá, também encontrei equipes de reportagem da Band, da Globo e de jornais.

Estande da TV Record
Estande da Igreja Universal TV Record

O primeiro estande que eu visitei foi o de uma editora de livros em espanhol. Dei uma boa olhada nas obras em exposição, mas saí de lá decepcionado: não encontrei nenhuma publicação que me agradasse. E olha que bons livros em espanhol não faltam! Diante disso, decidi dar uma olhada nos eventos paralelos que aconteceriam ao longo do dia. Novamente, nada me agradou. Parti então para a parte mais esperada: a compra de livros.

Visitando os estandes das editoras, encontrei vários e vários livros bons, gastaria muito tempo falando de todos os que folheei. Tive surpresas agradáveis, como o Guia Ilustrado Zahar de Astronomia, de Ian Ridpath, que fornece informações preciosas para quem deseja se aventurar no assunto. O livro custa 59 reais, mas graças aos cupons de desconto de 1 real do ingresso (são 10 cupons ao todo), paguei 53 reais pela obra. Ainda continuei achando caro, mas enfim…

Guia Ilustrado Zahar de Astronomia
Guia Ilustrado Zahar de Astronomia

Quando entrei no estande da Rocco, tive outra surpresa: vários livros da Anne Rice estavam à venda. Tempos atrás, quando procurei essas publicações, não encontrei nenhum à venda nas livrarias. Eram tantos, que decidi não levar nenhum, mas algo me diz que essa resistência não vai durar muito tempo…

Mesmo assim, não saí de mãos vazias da área de exposição da Rocco. Acabei dando de cara com o livro Alta Fidelidade, de Nick Hornby, e com várias outras obras do autor. O Rodrigo Ghedin havia feito uma recomendação desse livro em seu blog, então não pensei duas vezes antes de levá-lo. Ao chegar no caixa, vi que os atendentes estavam meio que desesperados. Descobri então que nenhum dos sistemas de cartão de crédito funcionava. Um rapaz tentou umas dez vezes passar o meu cartão, mas não adiantava. Daí perguntou se eu trabalhava com cheque. Eu disse que não. Perguntou se eu podia pagar com “dinheiro vivo”. Eu disse que não. Perguntou se eu não toparia levar o livro por 25 reais desde que eu pagasse dessa forma. Eu disse que sim. O livro custava 37 reais :)

Alta Fidelidade
Alta Fidelidade

Depois, foi a vez de entrar no estande da Martins Fontes. Eu tinha que cumprir uma missão ali: comprar o box com os três livros de O Senhor dos Anéis mais O Hobbit, de J. R. R. Tolkien. De quebra, ainda levei O Silmarillion. As cinco obras totalizaram 271 reais, mas consegui levar tudo por 250 reais. Confesso que quase levei Roverandom (outro livro de Tolkien), mas a preocupação com os gastos me fez mudar de idéia.

Box de O Senhor dos Anéis + O Hobbit e O Silmarillion
Box de O Senhor dos Anéis + O Hobbit e O Silmarillion

Achando que já havia comprado demais, passei a caminhar descontraidamente pelo local. Vi algumas coisas legais acontecendo por lá: uma dupla tocando repente, jovens da Fundação Casa (ex-Febem) lendo livros, vários escritores dando autógrafos, um rapaz dando explicações sobre um jogo de RPG e… só. Depois, me encontrei com um amigo, o Lucas, e continuei andando pelo local. Acabei comprando só mais um livro: Por Que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas (recomendação do Lucas).

Fotos dos estandes

Fotos dos estandes

Fotos dos estandes

É claro que nem tudo são flores. Para um evento desse porte, seria bom se os livros custassem um pouco menos, se as editoras fizessem o favor de colocar o preço das obras nas capas ou nas estantes (só a Rocco fez isso), se houvesse mais lugares para sentar (só havia na praça de alimentação), se a ventilação fosse melhor (o Lucas a todo o momento falava que eu estava “mijando pela testa” – ou algo assim), se representantes de jornais e revistas não ficassem oferecendo brindes que no final do mês se transformam em assinaturas não solicitadas e se o Senado Federal tivesse o bom senso de não estragar o humor dos visitantes com a visão de seu estande.

De qualquer forma, o saldo foi positivo. Ainda continuo achando que o livro é a melhor invenção do mundo, só perdendo para o biquíni fio dental ;)

Ao som de Amberian Dawn – Passing Bells.

18:11 | Entretenimento,Interessante | 6 comentários


12/8/2008

Feiras de ciências – Parte 2

Por Emerson Alecrim

Parte final do texto “Feiras de ciências – Parte 1″.

Minha terceira feira de ciências aconteceu no meu 1º ano do ensino médio, em outra escola. Adivinha qual era o tema da minha sala? Exatamente, sexualidade! Meu grupo ficou com a parte mais chata, embora não menos importante: planejamento familiar.

O mais legal foi que a sala toda contou com o auxílio da professora de psicologia e de uma ONG que dá apoio a pessoas soropositivo: Projeto Esperança. Graças a isso, conseguimos orientação, panfletos informativos, cartazes e até camisinhas para distribuir aos visitantes.

O começo da feira foi bem engraçado. Um grupo ficou responsável por explicar como se usa um preservativo. O primeiro colega responsável por fazer essa demonstração (calma gente, o grupo usou bananas para isso), estava tão nervoso e tão constrangido, que uma das meninas da sala se irritou, falou “dá isso aqui” e mostrou como se faz. No final da demonstração, ela foi até aplaudida. Eu acho que ela acabou se arrependendo, pois não apareceu mais, hehehe…

A sala era, de longe, a mais movimentada (por que será, né?). A gente viu de tudo ali. Mulheres com certa idade que não tinham noção dos perigos das doenças sexualmente transmissíveis, adolescentes e pré-adolescentes esbanjando curiosidade, meninas preocupadas com gravidez e moleques querendo saber sobre a importância do tamanho do pênis. Uma moça havia comentado comigo que seu marido se negava a usar preservativo. É claro que ela esperava de mim alguma orientação. A melhor coisa que pensei no momento foi sugerir o uso da camisinha feminina. Ela achou a idéia interessante e eu lhe entreguei um panfleto que explicava como usá-la.

Preservativo feminino

Tão logo ela foi embora, uma moça de uns 18 anos se aproximou de mim. Caro leitor, por mais vulgar que lhe pareça, me permita usar esses termos, pois somente assim a descreverei da forma mais fiel: ela era gostosa pra caramba! Corpo violão, peitões, bunda perfeita, pernões, cheiro bom, enfim. Em contraste com essa bela imagem, estava um garoto magricelo, com o rosto cheio de espinhas, óculos de lentes grandes, andar desajeitado, aparência de CDF, tímido e cabelo esquisito: eu.

A garota me chamou de canto e, sussurrando para ninguém ouvir (e, mesmo não intencionalmente, para me deixar arrepiado), me perguntou se a tal da camisinha feminina causava dores nas mulheres e se eu podia explicar um pouco detalhadamente como utilizá-la. Nobre leitor, por favor, pare e pense na cena: um mulherão daqueles pedindo conselhos íntimos para um moleque bobão…

A primeira coisa que fiz foi me perguntar: por que é que eu não caí no grupo que travava de preservativos? Em seguida, eu olhei novamente para aquele belo par de… Bom, você sabe, e disse a mim mesmo: diga algo que a impressione, rápido! Mas eu não sabia como começar e, para ganhar tempo, disse:

- Veja bem…

Nesse momento, a professora de psicologia apareceu e, com uma gentileza que somente esse tipo de profissional consegue ter, chamou a gostosona para outro canto e, ali, elas tiveram um papo de mulher para mulher. Bom, quanto a mim, fiz uma cara de “estava bom demais para ser verdade” e tratei de voltar ao trabalho.

A minha quarta e última feira de ciências foi a mais sem graça de todas. Aconteceu no meu 3º ano do ensino médio. O tema da minha sala era eletricidade. Por um triz não pegamos sexualidade novamente. Para ser sincero, eu não lembro exatamente do que o meu grupo tratou. Eu sei que um grupo vizinho tinha uma bela de uma casa de bonecas feita em madeira toda iluminada. Era a principal atração da sala. A única coisa da qual me lembro bem é que, em um dado momento, fui apresentar o meu trabalho a um grupo de visitantes e… Bom, o que acontece com quem brinca com energia elétrica? Exato, levei um baita de um choque na frente de todo mundo!

Eu juro que até tentei fazer um trabalho decente. Depois do choque, tratei de organizar melhor os fios para que as futuras vítimas não fossem os visitantes. Esse foi o meu erro. Quando já estava anoitecendo, um grupo entrou na sala e começou a tocar axé, funk, forró, etc. O lugar virou uma zona! Se eu não tivesse organizado os fios, as chances de algum daqueles infelizes ter levado um choque seriam bem maiores.

Não restou outra coisa a não ser recolher tudo e ir assistir à apresentação de uma banda de rock no pátio. O grupo não tocava muito bem, mas aquilo era bem melhor do que ouvir aquelas porcarias que estavam tocando na sala em que eu estava.

E assim termina a minha saga pelas feiras de ciências da vida. De todos os eventos que tinham nas escolas pelas quais passei, esses eram, de longe, os que mais agradavam aos alunos, mesmo porque era aberto ao público e, no final, sempre havia algum tipo de comemoração. E foi nessas feiras que comecei a lidar com coisas com as quais lido até hoje, como prazo apertado, impressão de que tudo vai dar errado, improvisos, negociações e etc. Azar de quem não soube aproveitar :)

Ao som de Soultakers – Floating.

10:46 | Cotidiano | 2 comentários


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