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29/3/2009

Smart: o pequeno notável da Mercedes

Por Emerson Alecrim

Muita gente fica surpresa quando descobre que eu me interesso pouco por duas paixões brasileiras: futebol e carros. Bom, talvez não se trate de pouco interesse, mas sim do fato de que eu não me interesso tanto por esses assuntos quanto outras pessoas. De qualquer forma, em relação aos carros, meu “desinteresse” não é suficiente para que eu não saiba os nomes dos veículos ou deixe de ver uma notícia sobre o lançamento de um modelo. Até no Salão do Automóvel eu fui! Foi essa “curiosidade mínima” que me fez ler esta matéria e descobrir que a Mercedes-Benz vai comercializar o Smart no Brasil.

Smart fortwo - Imagem por Smart.com
Smart fortwo – Imagem por Smart.com

A característica mais marcante desse veículo, obviamente, é o seu tamanho reduzido: tem aproximadamente 2,7 metros de comprimento, cerca de 1 metro menor que um carro “normal”. O Smart só conta com dois lugares, não possui porta-malas, muito menos estepe. Apesar de ser pequeno, não transmite nenhuma sensação de fragilidade ou insegurança. Além disso, é relativamente econômico no consumo de combustível: faz cerca de 15 quilômetros por litro de gasolina no ambiente urbano e até 25 quilômetros nas estradas. Obviamente não é o rei do desempenho, mas pode atingir uma velocidade máxima de até 145 km/h.

Note que esse conjunto de características torna o Smart um veículo apropriado para grandes centros urbanos, como São Paulo ou Curitiba. Primeiro porque seu tamanho reduzido faz com que ocupe menos espaço nas ruas e dá ao motorista maior facilidade para estacionar em vagas “apertadas”. Segundo porque, pelo menos em São Paulo, a maioria dos veículos em circulação tem apenas um ocupante, isto é, o próprio condutor.

Smart fortwo cabrio - Imagem que fiz no <br/>Salão do Automóvel 2008 (São Paulo)
Smart fortwo cabrio – Imagem que fiz no
Salão do Automóvel 2008 (São Paulo)

Eu acredito que o Smart pode se dar muito bem em cidades pequenas também, onde as opções de transporte não são tão abrangentes quanto as de um grande centro urbano. Nas visitas que faço à pequena Colorado, no noroeste do Paraná, por exemplo, sempre noto que as motos são muito comuns por lá – inclusive entre as mulheres – justamente por ser um tipo de veículo que atende bem as necessidades de locomoção da população local, que quase sempre precisa de transporte individual – ou para até duas pessoas – para percorrer distâncias pequenas.

Se diante disso você já estiver cogitando a possibilidade de comprar esse carro, talvez a seguinte notícia lhe desagrade: o tamanho reduzido do Smart não o torna um veículo necessariamente barato. No Brasil, o modelo deve ter preço inicial na casa dos 60 mil reais! Não é por acaso que a Mercedes usará o apelo do “estilo” para comercializar o Smart por aqui, estratégia que provavelmente a empresa já aplica em outros países.

Smart fortwo cabrio - Imagem que fiz no <br/>Salão do Automóvel 2008 (São Paulo)
Smart fortwo cabrio – Imagem que fiz no
Salão do Automóvel 2008 (São Paulo)

Na minha opinião, a abordagem tem que ser por aí mesmo, especialmente no Brasil. Acho muito pouco provável que alguém compre esse carro levando em consideração apenas as suas principais vantagens. Tem que rolar uma simpatia por ele logo de cara, ou melhor, tem que rolar paixão! Só isso é capaz de fazer alguém desembolsar cerca de 60 mil reais sem considerar outras opções…

Referência: ISTOÉ Dinheiro, Smart.com.

10:14 | Interessante,Internet | 6 comentários


1/3/2009

Ramón Valdés, o Seu Madruga

Por Emerson Alecrim

Não é de hoje que eu não vejo mais graça na televisão, exceto para filmes, mas vez ou outra paro na frente da telinha e fico trocando de canal. Quando isso ocorre, me surpreende o fato de que eu sempre paro no SBT se estiver passando Chaves. Não importa a quantidade de vezes que eu tenha assistido aos seus episódios, pois sempre acho graça, especialmente quando um tal de Seu Madruga rouba a cena…

Chaves é um seriado mexicano que teve início em 1971 e cujo nome original é El Chavo del Ocho. Suas personagens são marcantes e únicas, mas mesmo sem saber o porquê, eu sempre simpatizei mais com o Seu Madruga. Aliás, é bom que se saiba desde já: na versão original, o nome dele é Don Ramón, em alusão ao nome do ator, que se chamava Ramón Gómez Valdés Castillo.

Cena de Chaves
Cena de Chaves – Imagem por Turma do Chaves

Ramón Valdés nasceu na Cidade do México, em 2 de setembro de 1923. Ao longo de sua carreira, participou de dezenas de filmes, seguindo os passos de seus irmãos Manuel “El Loco” Valdés e Germán “Tin Tan” Valdés, que são desconhecidos por aqui, mas que fizeram considerável sucesso no México.

Embora tenha dedicado a maior parte de seu trabalho ao cinema, a carreira de Ramón atingiu seu ápice na TV, com El Chavo del Ocho, que a partir daqui passo a chamar simplesmente de Chaves, por comodidade. Em 1968, Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito no México e como Chaves no Brasil, o convidou para fazer parte de seu elenco ao lado da atriz María Antonieta de las Nieves (Chiquinha – Chilindrina, no México) e Rubén Aguirre (Professor Girafales – Professor Jirafales, no México). Juntos, dão início ao programa Los Supergenios de la Mesa Cuadrada, que em 1970 se transformou em Chespirito e durou até 1973.

Em 1971, Chaves estreia e em 1973 é a vez de El Chapulín Colorado, Chapolin Colorado no Brasil. Embora tenha se destacado como Seu Madruga, Ramón Valdés fez várias outras interpretações neste último que ficaram bastante conhecidas, como o Pirata Alma Negra, Tripa Seca e a paródia aos EUA Super Sam.

Super Sam
Super Sam – Imagem por Turma do Chaves

Seu Madruga, no entanto, é indiscutivelmente a personagem mais cativante de Ramón Valdés. Talvez isso seja fruto de sua semelhança com o próprio ator. Para começar, vem o nome. Em seguida, a roupa: as vestimentas de Seu Madruga eram semelhantes às que Ramón Valdés usava em seu cotidiano. Três filhas de Ramón (ele se casou três vezes e teve 10 filhos, sendo que o último nasceu depois de sua morte) chegaram a dizer que seu pai sempre se vestia de maneira simples, bastante semelhante ao Seu Madruga. Dizem também que alguns de seus bordões mais conhecidos eram usados por ele atrás das câmeras.

Ramón Valdés
Ramón Valdés – Imagens por
La vecindad que quisimos ver

As pessoas que conviveram com Ramón Valdés afirmam que ele era, além de muito talentoso, uma pessoa de personalidade forte, mas divertida e atenciosa. Roberto Gómez chegou a dizer que ele foi o único comediante que já o fez “morrer de rir”. Afirmação semelhante teria feito Edgar Vivar, o Senhor Barriga (Señor Barriga, no México). Com o público, dizia-se que Ramón Valdés era sempre muito amável e respeitoso. Não é por acaso que conquistava o respeito e a admiração das pessoas, inclusive de seus colegas de trabalho.

Ramón Valdés sempre se esforçava para manter o ambiente de trabalho o melhor possível, portanto, tratava de amenizar brigas e até de dar uma de conciliador. Mas, em 1979, quando percebeu que mentiras e falsidades estavam tomando conta do lugar, decidiu sair e passou a trabalhar com Carlos Villagrán (Quico), que havia saído um ano antes por divergências com Roberto Gómez. Ambos fizeram várias viagens para apresentar o show Federrico, onde Ramón interpretava Don Moncho, dono de uma loja.

¡Ah que Kiko!
¡Ah que Kiko! - Imagem por Portal Turma CH

Em 1981, no entanto, após vários convites, Ramón Valdés voltou a trabalhar com Roberto, desta vez com o seriado Chespirito, que voltara a ser gravado. Em 1987, trabalhou com Carlos Villagrán no programa ¡Ah que Kiko! (“Kiko” passou a ser usado por Villagrán pelo fato de Roberto Gómez ter os direitos sobre o nome “Quico”), mas não ficou muito tempo, já que também se dedicava ao seu circo e seus problemas de saúde se agravaram ao ponto de impedí-lo de trabalhar.

Ramón Valdés praticamente era amigo de todos os seus colegas, mas teve especial amizade com dois atores de Chaves: Carlos Villagrán e Angelines Fernández, a Dona Clotilde (Doña Cleotilde, no México). Quando Ramón já estava no hospital, já muito mal de saúde, Carlos Villagrán percebeu a situação e, numa atitude digna de bons amigos, disse: “nos vemos lá em cima, no céu”. Com o bom humor que o acompanhou até o fim, Ramón respondeu: “não se faça de louco, nos vemos lá embaixo, no inferno”.

Mas, era mesmo com Angelines que Ramón Valdés tinha excepcional convivência. O seu papel de Dona Clotilde foi obtido graças a Ramón, que a apresentou a Roberto Gómez, o que demonstra que a amizade entre ambos surgiu antes de Chaves. No dia do enterro de Ramón, Angelines permaneceu cerca de duas horas ao lado do caixão, lamentando profundamente a morte do amigo. Durante todo o velório, permaneceu dizendo “mi rorro”, apelido carinhoso que atribuiu a Ramón. Amigos e familiares afirmam que Angelines nunca mais foi a mesma depois desse dia. Descuidou demais de sua saúde e acabou falecendo quase 6 anos depois de Ramón devido a um câncer de pulmão.

E foi também o câncer que levou a vida de Ramón Valdés. No início da década de 1980, um tumor maligno foi descoberto em seu estômago, provavelmente oriundo de outro tumor já existente em seu pulmão – Ramón Valdés era um fumante muito ativo, não largando o vício nem mesmo quando permaneceu internado. Seus últimos dias no hospital foram terríveis. Ramón passou a maior parte do tempo sedado por conta das fortes dores. No dia 9 de agosto de 1988, aos 64 anos de idade, faleceu, deixando as lembranças de seu humor e de seu talento como uma generosa herança:

Soy Charro de Levita
Filme Soy Charro de Levita (1949) - Imagem por
La vecindad que quisimos ver

Los Tres Mosqueteros y Medio
Filme Los Tres Mosqueteros y Medio (1957) -
Imagem por
La vecindad que quisimos ver

Las Mil y Una Noches
Filme Las Mil y Una Noches (1958) – Imagem por
La vecindad que quisimos ver

Seu Madruga e Dona Clotilde
Seu Madruga e Dona Clotilde - Imagem por
La vecindad que quisimos ver

Seu Madruga
Seu Madruga - Imagem por La vecindad que
quisimos ver

Antes de encerrar esta pequena homenagem a Ramón Valdés, o nosso Seu Madruga, algumas curiosidades:

- Ramón Valdés com frequência se atrasava para as gravações. No entanto, isso nunca chegou a atrapalhar a memorização de suas falas, uma vez que ele tinha uma habilidade incrível para fazer isso rapidamente;

- A qualidade dos vídeos de Chaves e Chapolin faziam o público pensar que Ramón tinha olhos castanhos ou, quando muito, verdes. Na verdade, ele tinha olhos azuis;

Chanoc vs el Foso de las Serpientes
Filme Chanoc vs el Foso de las Serpientes (1974) -
Note que é possível ver a cor dos olhos de Ramón

Imagem por La vecindad que quisimos ver

- Lá pelos fins dos anos de 1960, Ramón Valdés tatuou seu braço direito. Não se sabe exatamente quando, mas supõe-se que foi nessa época porque em seus filmes da década de 1950 ele não aparece com a tatuagem. Esta, que pode ser vista com certa clareza no filme Chanoc vs El Foso de las Serpientes, mostra que a imagem tatuada é um navio pirata;

Chanoc vs el Foso de las Serpientes
Filme Chanoc vs el Foso de las Serpientes (1974) -
Tatuagem de um navio pirata em Ramón
- Imagem por
La vecindad que quisimos ver

- Ramón Valdés era grande fã de futebol e torcedor do time mexicano Club Necaxa.

Pois é, que me desculpe Chaves e companhia, mas sem o Seu Madruga, o seriado não teria tanta graça… ;)

Referências: Wikipedia, Turma do Chaves, Vila do Chaves, Chavo del 8, La vecindad que quisimos ver, Chespirito.org, La historia de Ramón Valdés (vídeo de uma TV chilena), Homenaje al Chavo del Ocho, Portal Turma CH.

Ao som de L’Âme Immortelle – Letting Go.

23:18 | Entretenimento,Interessante | 26 comentários



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