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26/4/2009

Aniversariante do dia: acidente de Chernobyl

Por Emerson Alecrim

Eu não planejava postar nada por aqui hoje, mas meio que por acaso descobri que 26 de abril de 2009 é a data de aniversário de 23 anos do maior acidente nuclear da história: a explosão da Usina de Chernobyl, na Ucrânia, mas precisamente de seu reator número 4. Em geral, aniversários servem para ser comemorados, mas este é para ser lembrado mesmo, afinal de contas, as consequências desse acontecimento não têm data para acabar.

Para muitos dos que não vivenciaram a tragédia, o acontecimento de Chernobyl, inicialmente, é apenas um detalhe histórico. Mas não se trata de um problema isolado e do tipo “pronto, já passou”. Mais de 20 anos depois, o evento impressiona, não só pelo o que aconteceu, mas também pelo o que ainda acontece. Eis alguns fatos sobre o desastre:

- É notório que autoridades tentaram ocultar fatos da tragédia para amenizar seus efeitos e suas consequências políticas. O desastre só foi reconhecido como tal dias depois do ocorrido;

- Fala-se, oficialmente, em cerca de 4 mil mortes, mas esse número é fora da realidade se levarmos em conta que os efeitos da radiação são sentidos em geração após geração das pessoas que tiveram sua saúde afetada pela tragédia. Além disso, muitos indivíduos que trabalharam no socorro e nas investigações morreram posteriormente por doenças muito provavelmente causadas pela radiação, com destaque ao câncer;

- “Nuvens” de radiação se espalharam para vários pontos da Ex-União Soviética e para trechos da Europa, portanto, é um erro pensar que se trata de um problema limitado a um único ponto geográfico;

- Estima-se que mais de 600 mil pessoas trabalharam nas operações de socorro e evacuação da região. Muitas delas foram expostas a níveis altíssimos de radiação;

- Muitas crianças da época e descendentes dos afetados ou de famílias residentes em áreas atingidas pela radiação nasceram com deficiências físicas ou com problemas sérios de saúde, como câncer, retardo mental, hidrocefalia, entre outros, tal como exemplificam as fotos abaixo;

Crianças com problemas de saúde. Imagem por Robert Knoth.
Esquerda: garota com microcefalia e garoto com retardo mental;
Direita: criança com hidrocefalia.
Imagens por Robert Knoth.

- A região de Pripyat, onde está localizada a usina, assim como várias localidades próximas, foram entregues ao abandono, como se o tempo ali tivesse estacionado. Centenas de vilarejos se encontram desabitados:

Imagem de Pripyat

Imagem de Pripyat

Imagem de Pripyat
Imagens de Pripyat extraídas deste site.

- Uma proteção chamada de “sarcófago” foi construída para “cobrir” o reator da unidade 4 e parar a propagação de radiação. Essa solução, no entanto, é limitada e o sarcófago há tempos apresenta problemas estruturais. Por isso, uma nova construção está em planejamento para proporcionar um isolamento ainda maior;

Sarcófago de Chernobyl
O “sarcófago” de Chernobyl. Foto extraída desta página.

- A tal proteção, no entanto, não é garantia de segurança por dois motivos: 1) há muitas áreas com concentrações elevadas de radiação, o que obviamente explica o isolamento da região; 2) tal como o sarcófago, a nova construção também é uma medida paliativa;

- Nós sempre nos referimos às pessoas atingidas pelo desastre, no entanto, pouca gente se dá conta de que populações de animais também compartilham dessa desgraça;

- A explosão em Chernobyl gerou cerca de 100 vezes a quantidade de radiação das bombas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki juntas.

Eu disse no início do texto que o acidente de Chernobyl precisa ser lembrado. No entanto, quando eu falo em lembrar, é no sentido de que não basta apenas se recordar da tragédia, mas também é necessário transmitir a noção de sua importância para que experiências semelhantes não sejam vividas agora ou futuramente.

E nós vamos entender isso se considerarmos Chernobyl um “Patrimônio da Humanidade”. Exagero? Não, se levarmos em conta que esse é um feito que não tem data para acabar. Radiação não é como uma tempestade que vem, faz seu estrago e logo em seguida vai embora. Os dias vão passar, as pessoas vão morrer, os tempos vão mudar, mas Chernobyl continuará lá, ostentando os seus perigos.

Para saber mais sobre a tragédia de Chernobyl, recomendo o site de Elena Vladimirovna Filatova, que a bordo de sua moto percorre a região da tragédia para contar detalhes do que aconteceu. Encontrei o link do vídeo exibido no início do texto no site dela.

Referências: Wikipedia, BBC, Chernobyl.info, Chernobyl’s Legacy (IAEA), A catástrofe de Chernobyl vinte anos depois (SciELO), Elena Vladimirovna Filatova.

Ao som de Within Temptation – Our Farewell.

17:08 | Interessante,Reflexão | 8 comentários


20/4/2009

Meu primeiro livro

Por Emerson Alecrim

Todo mundo (ou quase todo mundo) lembra do primeiro beijo, da primeira transa, do primeiro dia na escola, enfim. As pessoas também se lembram da primeira fez que lidaram com algo que gostam bastante. Entre os meus amigos e os leitores regulares deste blog, não é segredo que eu sou amante de livros. Como tal, não só lembro do primeiro livro que li como o tenho até hoje!

O Mistério da Cidade-Fantasma

O Mistério da Cidade-Fantasma, de Marçal Aquino. Eu o li quando estava na 5ª série do que hoje conhecemos como ensino fundamental. O livro faz parte da lendária e querida Coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. Conta a aventura de um grupo de amigos que se dirigia a um acampamento, mas vai parar numa cidade abandonada ao descer do ônibus no local errado.

O Mistério da Cidade-Fantasma

Naquela época, minha professora de português havia pedido um trabalho sobre o livro. A intenção dela era justamente a de despertar o hábito da leitura entre os alunos. Os livros da Coleção Vaga-Lume são acompanhados de um complemento com exercícios e foi justamente isso que serviu de trabalho.

Eu venho de família de baixa renda e, naquela época, não podia me dar ao luxo de comprar livros. No entanto, graças a um acordo com a editora, os professores da escola podiam adquirir livros em lote contando com bons descontos. Por conta disso, consegui comprar o Mistério da Cidade-Fantasma usando apenas a minha pequena mesada.

Gostei tanto da leitura que logo parti para outros livros. O segundo foi o Mistério do Cinco Estrelas, de Marcos Rey. Quando me dei conta, já tinha vários outros livros do autor, como Na Rota do Perigo e Doze Horas de Terror (títulos interessantes, não?). Não demorou muito para que eu pulasse o muro da Coleção Vaga-Lume e explorasse outras obras. No entanto, só passei a comprar livros pra valer mesmo depois que comecei a trabalhar. E não é difícil entender o motivo: infelizmente, livros são muito caros no Brasil.

O Mistério do Cinco Estrelas

Vale ressaltar que, apesar de ter tido o meu primeiro livro quando estava na 5ª série, eu já tinha o hábito da leitura desde os meus 6 ou 7 anos. Comecei de uma maneira simplesmente sensacional: com gibis. Mas isso é assunto para outro post ;)

Ao som de John Petrucci – Animate-Inanimate.

0:38 | Entretenimento,Interessante,Internet | 4 comentários


5/4/2009

Os filmes de terror da minha infância

Por Emerson Alecrim

Devo a Freddy Krueger a minha predileção por filmes de terror. Quando era criança, lembro de ter assistido Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) e de ter sonhado com o filme na mesma noite. Eu devia ter uns 7 anos nessa época. Quando acordei, fiquei fascinado com o grau de “realismo” da produção, afinal, são justamente os sonhos que Freddy Krueger usa para atacar. No meu sonho, eu o havia derrotado, fato que é suficiente para encher de coragem uma criança ao ponto de fazê-la enfrentar os medos que, quando crescemos, descobrimos que não passam de bobagens.

Freddy Krueger - Imagem por New Line Cinema
Freddy Krueger – Imagem por New Line Cinema

Com ar de provocação, vez ou outra eu aproveitava as noites de silêncio na frente da TV para, do nada, cantar o “hino” de Freddy:

Um dois, Freddy vem te pegar /
Três, quatro, é melhor a porta do quarto trancar /
Cinco, Seis, Agarre seu crucifixo /
Sete, oito, Fique acordado até tarde /
Nove, dez, não durma nunca mais” /

Apesar de não lembrar da letra inteira, eu tentava, sem sucesso, imitar o tom de voz das crianças que cantavam essa música nos filmes. Era o meu jeito de dizer que não tinha medo de produções de terror. A ideia deu certo, pois acho que foi graças a isso que minha mãe permitiu que eu ficasse acordado até tarde para assistir O Exorcista (The Exorcist, 1973), apesar de ser impróprio para crianças. E eu fiz isso. Sozinho.

Sabe, depois do filme, eu passei a achar Freddy Krueger um cara simpático. Em seus filmes, ele não me causou medo suficiente para que eu resistisse à vontade de ir ao banheiro, dormisse com a luz do meu quarto acessa, cobrisse a cabeça com o cobertor numa noite de calor e olhasse com extrema desconfiança para a minha cama com medo de ela começar a balançar.

Mas, O Exorcista também conseguiu despertar a minha indignação. Por que a menina não pulou logo quando a cama começou a balançar? Por que a deixaram sofrer tanto nas mãos dos médicos? Como é que ela enfiava uma cruz na barriga (é, eu pensei que foi na barriga) e permanecia viva? O que ela fez para ser escolhida pelo demônio?

Cena de O Exorcista
Cena de O Exorcista

Acho que eu só voltei a assistir O Exorcista na adolescência, mas não fiquei esse tempo todo sem ver um filme de terror. Com a minha mãe na sala, eu me senti corajoso para assistir a Poltergeist (1982). Minha mãe resistiu entediada até a metade do filme e então decidiu dormir. Confesso que cogitei essa ideia, mas a curiosidade em saber como a garotinha Carol Anne foi parar em outro mundo era maior que o medo.

Assisti ao filme até o final, mas tenho que reconhecer que aquela menininha branquela, delicada e de cabelos absurdamente loiros tinha um aspecto que eu considerava tão incomum, que eu não consegui simpatizar com ela, tal como se a garota fosse um demônio disfarçado. Na verdade, a minha implicância não era com a personagem, mas com a atriz. Sendo mais claro, eu achava aquela menina estranha, #prontofalei não me pergunte o porquê!

Não faz muito tempo que eu vi Poltergeist novamente e, curioso para saber como estaria a menininha loira nos dias de hoje, fiz uma pesquisa no Google que me deu um banho de água fria: vítima de uma inflamação severa no intestino, Heather O’Rourke, o nome verdadeiro da garota, faleceu em 1988, aos 12 anos de idade, logo depois de filmar Poltergeist 3. Quando assisti a Poltergeist pela primeira vez, lá pelos idos de 1990, estranhei a garota sem saber que, do “mundo real”, ela já não fazia mais parte…

A falecida Heather O'Rourke em uma cena de Poltergeist
A falecida Heather O’Rourke em Poltergeist – Imagem por Child Stars

Já mais crescido, lembro de ter encontrado na locadora perto de casa a fita de A Casa das Almas Perdidas (The Haunted: A True Story, 1991). Junto com um filme de Os Trapalhões (eca!), levei a fita para casa. Novamente assisti ao filme sozinho, durante a noite, só desta vez sem nenhuma preocupação. Mesmo assim, não nego que muitas cenas me deixaram bastante arrepiados.

A Casa das Almas Perdidas é um filme bem elaborado e intenso, apesar de não ter o mesmo glamour que as produções supracitadas. Seu forte se baseia no que é contado e não nas cenas de susto (tanto é que não consegui escolher nenhuma imagem que representasse a tensão do filme). A filmagem relata a vida de uma família que se muda para uma casa sem saber que ela é mal-assombrada. Até aí, nada de inovador, mas o desenrolar da história é dramático. Nem a Igreja Católica consegue uma solução para o problema. Médiuns, vizinhos e um grupo de religiosos tentam ajudar, mas quando tudo parecia se acertar, os espíritos voltavam a se manifestar, como se fosse uma doença incurável, mas que apresenta períodos de melhora.

Cena de A Casa das Almas Perdidas
Cena de A Casa das Almas Perdidas

Hora do Pesadelo, O Exorcista, Poltergeist e A Casa das Almas Perdidas são, portanto, os meus filmes de terror preferidos, embora hoje eu considere algumas de suas cenas toscas e até engraçadas. É claro que eu gosto de alguns filmes de terror mais recentes, como O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), O Chamado (The Ring, 2002), Espíritos (Shutter, 2004), Vozes do Além (White Noise, 2005), O Orfanato (El Orfanato, 2007) e até O Grito (The Grudge, 2004). No entanto, acredito que nenhum deles conseguiria o que os filmes clássicos citados nesse texto conseguiram: me impressionar e agradar tanto ao ponto de eu lembrar até hoje do dia em que os assisti pela primeira vez :)

Ao som de Kamelot – Farewell.

22:57 | Entretenimento | 5 comentários



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