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18/9/2006

A moto lá e eu aqui

Por Emerson Alecrim

Se morasse em uma cidade do interior, eu até toparia usar moto, afinal, não há trânsito, não há muitas pessoas nas ruas e há espaço suficiente para desviar de um obstáculo repentino. Agora, aqui em São Paulo…

São Paulo vive infestada de motos, e não é para menos: com tanta concentração de lojas e escritórios, receber documentos ou produtos por moto significa conforto e agilidade para muita gente. A moto não fica presa no trânsito, consome pouco combustível, tem custo de aquisição reduzido e, portanto, é um meio de transporte rápido e barato, tanto que virou profissão para muita gente.

A rede de lanchonetes Habib’s, por exemplo, tem um serviço de entrega de comida que funciona da seguinte forma: o cliente efetua o pedido pela internet ou por telefone e paga 4,90 reais pelo transporte. O motoboy tem 28 minutos para entregar a comida em perfeitas condições de consumo, caso contrário, terá que pagar a conta do cliente. Se a entrega ocorrer no tempo previsto, ele fica com os 4,90 reais. Se o entregador fizer pelo menos três entregas por hora, faturará nesse intervalo 14,70 reais. Supondo que ele trabalhe por seis horas diárias, seu faturamento será de 88,20 reais, uma renda considerável para esses trabalhadores.

O problema das motos aqui em São Paulo é a questão da segurança. Infelizmente, não é difícil ver motoqueiros acidentados. Os motivos são diversos: a disputa de espaço físico com carros, manobras arriscadas para ganhar tempo, falta de preparo para conduzir uma moto, excesso de velocidade, entre outros. É por essa razão que confesso: tenho medo de andar de moto, mesmo naquelas com poucas cilindradas.

Acho bacana ver motos como Harley Davidson e BMW, mas prefiro somente olhá-las. Você pode argumentar que basta andar com velocidade controlada e evitar manobras arriscadas, mas aqui em São Paulo não é assim que funciona. Se eu parar com uma moto atrás de um carro ao invés de ultrapassá-lo, serei motivo de piada para todos os demais motoqueiros. Motoristas não se dão bem com motoqueiros e vice-versa, logo, se um não ficar esperto, não demorará a ter problemas.

Tem gente que usa moto para sobreviver e tem gente que não usa moto para sobreviver. É óbvio que me encaixo no segundo caso.

motos.jpg

Ao som de Symphony X - Pharaoh.

9:18 | Cotidiano |


4 comentários »

  1. Motoqueiro e motociclista são coisas absolutamente diferentes! Um motociclista jamais sai costurando no trânsito, pondo em risco a sua própria vida e a dos demais. Quem tem uma Harley anda cmo quem tem um carro - primeiro, por consciência, segundo porque esse tipo de moto (custom) não permite manobras ágeis.

    Motoboy irrita mesmo. Aqui em Brasília há poucos, e já incomodam, pela total falta de respeito que demonstram pelos demais usuários das vias.

    Comentário por Lu — 21/9/2006 @ 17:41

  2. A enfermaria de Ortopedia daqui é lotadaça de motociclistas, muitos deles com fraturas expostas. Depois que passei pelo estágio em ortop, desencanei e nunca mais subi numa moto… É como o professor diz: uma coisa que nem pára em pé sozinha não pode ser segura!

    Comentário por José Marcos — 22/9/2006 @ 17:46

  3. Aqui em Marília tem muuuuitos motoqueiros, e pelo menos umas 5x por mês fico sabendo de um acidente. E pelo que parece, a maioria é imprudência deles. Eles não param nos cruzamentos, eles entram bem no cantinho da esquina que assim o carro que vier não pega. Mas em compensação, desse modo eu quase fui atropelada e uma bateu na bicicleta de uma amiga grávida. Ontem mesmo, o primeiro dia que sai de carro como motorista, eu ia mudar defaixa, qdo reparo o motoqueiro tentando me ultrapassar pela direita… fosse um deslize de novata eu ja tinha amassado o homem logo no meu primeiro dia.
    Também, mesmo se eles estiverem o mais certos possíveis, qualquer acidente idiota eles vão para o chão.
    Moto realmente é legal de pilotar, mas não vale a pena.

    Comentário por Alini — 24/9/2006 @ 0:14

  4. Faço parte de um moto grupo e também concordo que existe uma grande diferença entre motoqueiro e motociclista. O problema é que não é porque possuo uma moto de cilindrada baixa ou porque faço entregas que serei motoqueira. A diferença está em ser ou não responsável no trânsito, em zelar pela sua vida e pela de outras pessoas. Acredito que quando se pilota com equipamento adequado, faz vistorias periódicas em seu veículo, se segue as leis de trânsito, não há perigo, mas se não seguir essas coisa, até mesmo um carro é um perigo.

    Comentário por Lisiane Pletiskaitz — 22/10/2006 @ 18:38

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