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1/6/2008

A vingança de uma vítima de ligações cruzadas

Por Emerson Alecrim

Hitler tinha uma péssima relação com o telefone. Muitas vezes, as linhas se cruzavam, o que levava a situações absurdas. Certa vez alguém perguntou para Hitler quem ele era, ele respondeu dizendo o seu nome, recebendo como resposta: “Você enlouqueceu!” Em Bayreuth, perguntaram-lhe a hora pelo telefone. Outra vez, quando Hitler estava conversando com Eva Braun [sua mulher], alguém lhe disse: “Conversas particulares não são permitidas aqui”.

Esse é um pequeno trecho do livro O Dossiê Hitler, de Henrik Eberle e Matthias Uhl, que estou lendo atualmente. Trata-se de uma obra muito interessante, que conta a vida de Hitler desde que ele assumiu o poder e que foi baseada em um dossiê elaborado por ordem do ditador soviético Josef Stalin.

Ex-ditador ao telefoneO trecho que reproduzo acima não é capaz de expressar a seriedade e a contribuição informativa da obra, e é justamente isso que me deu a idéia de escrever este post. Acredite você ou não, mas quando li esse parágrafo, quase tive um ataque de risos ao imaginar a cara de Hitler ao se dar conta de que sua ligação cruzou com a de outra pessoa. Deve causar a mesma raiva que um fanático por futebol sente quando sua TV quebra no último minuto do segundo tempo da final de um campeonato!

Por um tempo, fiquei me perguntando qual a reação do ex-ditador quando descobriu que alguém mais estava ouvindo a conversa - expressamente íntima - que ele tinha com sua esposa. E será que o indivíduo que lhe perguntou as horas o faria se realmente soubesse quem estava do outro lado da linha?

Antes da privatização das empresas de telefonia no Brasil, as ligações cruzadas também eram comuns por aqui (e certamente em qualquer lugar do mundo). Eu mesmo me lembro de algumas situações engraçadas que vivenciei com isso, com destaque para a conversa de um rapaz que certa vez ligou para uma loja querendo reatar o namoro com uma funcionária. Assim que meu telefonema começou a reproduzir a conversa do casal, lembro que eu tentava completar as frases do rapaz com palavras, por assim dizer, “calientes”. É claro que não deu certo, já que, por mais que tentasse engrossar minha voz, eu era um moleque. Mesmo assim, desliguei o telefone dando altas gargalhadas…

Mas voltando às ligações cruzadas do demônio de Hitler, esses acontecimentos me chamaram a atenção não apenas pelo seu caráter inusitado, mas também pelo fato das ligações, tal como se fossem entidades vivas inatingíveis, abusarem dessa condição para “brincar” com Hitler, coisa que nenhuma outra pessoa, mesmo no auge de sua loucura, ousaria fazer. E a brincadeira, neste caso, só se mostrou realmente engraçada porque se sabe que à “vítima” em questão restaria apenas um acesso de fúria!

Hoje, as coisas mudaram. As ligações cruzadas praticamente não existem mais, a telefonia celular veio para ficar e você pode falar com uma pessoa em qualquer parte do mundo sem grandes dificuldades. O que não mudou daquela época para cá são as “dores de cabeça”, afinal, quem é que, pelos mais variados motivos, nunca passou por aborrecimentos com uma empresa de telefonia? Talvez essa tenha sido a vingança de Hitler: uma maldição que faz com que qualquer pessoa do mundo passe, em algum momento de sua vida, raiva com um telefone, por mais que a tecnologia evolua. Só resta saber o porquê de o Brasil ter recebido essa maldição em doses cavalares :D

Foto por Institute for Historical Review.

Ao som de Opeth - Burden.

22:05 | Inusitado |


2 comentários »

  1. Essa é boa! Minha mãe uma vez fofocando com a amiga, cruzou a linha, e era uma mulher ligando pra um cara dizendo: Pode vir que meu marido ja saiu, e bla bla bla…

    Ai depois de ficarem só na espreita, esperando eles darem mais detalhes na conversa… as duas se intrometeram: O queeeeeee que coisa feia! Eu conheço seu marido viu, vou contar tudo pra ele!

    Huahauh ta na cara que desligaram imediatamente

    Comentário por Alini — 4/6/2008 @ 11:51

  2. Hahahaha… Legal, Alini! Ligações cruzadas era mesmo um barato :)

    Comentário por Emerson Alecrim — 5/6/2008 @ 7:34

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