Balinhas do capeta!
Por Emerson AlecrimBastou uma colega de trabalho quase engasgar ao tomar um comprimido para dor de cabeça para eu lembrar dos apuros que já passei com aquelas malditas e saborosas balas Soft. Para os que não são da época (minha nossa, ao escrever isso, me senti idoso), essas balas eram largas e lembravam vagamente um grande botão de camisa. A Desciclopédia tem a seguinte e perfeita descrição para essas balas:
Bala em formato de disco, especialmente projetada para matar as crianças que a engolissem, já que tinha o diâmetro cientificamente estudado de suas traquéias.
Sim, meus amigos, eu não guardo lembranças muito agradáveis dessas balas, se bem que, agora, até acho graça dos apuros que eu passei com elas na infância. A situação mais traumática ocorreu quando eu estava no ônibus. Com aquela velha mania de “compra, mãe, compra!”, minha mãe acabou comprando algumas dessas balas num camelô ao lado do ponto de ônibus. Quando entramos no veÃculo, minha mãe avisou: mastiga essa bala antes de chupar! Mas você acha que eu seria idiota o suficiente para me engasgar com essa bala? Após isso, a única coisa que eu lembro foi de uma freada e, instantes depois, de um monte de gente batendo nas minhas costas. Só consegui cuspir a maldita bala quando um “gentil” senhor me deu um baita murro nas costelas. AÃ, uma gentil senhora, vendo meu rosto todo vermelho e notando minha respiração ofegante, me ofereceu água. O motorista aguardou eu levar a garrafa à boca para dar aquela arrancada com o ônibus, me fazendo beber bastante água. Pelo nariz, mas bebi…
Outra situação traumatizante ocorreu na escola. Aliás, como você sabe, a escola é um dos melhores lugares para se ter traumas. A professora estava atrasada naquele dia, então a sala parecia uma ala de hospÃcio pulando carnaval. Um “coleguinha” fazia um desenho bizarro na lousa e eu, com uma bala Soft na boca, comentei que aquele troço se parecia com a professora. Sim, isso mesmo, eu dei uma de Chaves. A professora apareceu justamente quando eu disse aquilo e, quando a vi, a bala Soft se assustou e tentou descer desesperadamente pela minha traquéia. Para a diminuição do meu azar, a bala conseguiu. O problema é que eu passei a aula toda sentindo uma dor no peito. Ah, sim, a professora foi generosa comigo. O único castigo que me deu foi o de apagar a lousa sozinho durante uma semana.
A terceira das situações traumatizantes que passei com uma bala Software Soft aconteceu quando eu voltava da escola acompanhado de um colega. Ambos com uma bala na boca, é claro. Conversa vai, conversa vem, meu amigo ri e, de repente, a bala desce goela abaixo. Eu tentei ajudá-lo, é claro, mas os tapas que eu dava em suas costas não estavam ajudando. Então, eu tentei dar tapas mais fortes, só que, antes, eu devia ter lembrado de ter tirado a bala que estava na minha boca. Então, o meu nobre colega, que naquele momento acabara de se livrar de sua bala, tentava desesperadamente me ajudar. Ou seja, a situação se inverteu completamente. Para a minha sorte, os golpes que recebi nas costas me ajudaram a engolir a maldita, mas aà eu fiquei novamente com aquela dor no peito…
Eu não sei o que aconteceu com essas armas de destruição em massa, mas nunca mais vi balas Soft à venda. Mas, nem ligo, pois elas não me fazem falta, se bem que, à s vezes, eu tenho vontade de reencontrá-las para dar à s crianças que ficam pedindo dinheiro nos semáforos ou para distribuir à molecada do meu prédio (brincadeira, gente! Hehehe…). O fato é que é motivo de orgulho ter chegado à fase adulta tendo sobrevivido à era das balas Soft. Eu e as mais de 45 mil pessoas dessa comunidade no Orkut que o digam
Ao som de Kingfisher Sky - Persephone.
12:07 | Inusitado |

Ah, Emerson.
Agora você me afetou também. E eu só tenho 20 anos! Mas adorava balinhas Soft. Adorava! Sabe que até deu vontade de chupar umas agora?
Mas é vero. Também tive situações constrangedoras com as benditas das balas coloridas. E consigo imaginar cada uma dessas cenas consternadoras.
Hoje fala-se em balas que explodem a gente, até. As balinhas Soft nem são tão perigosas assim perto dessas.
Comentário por Katia — 20/1/2008 @ 12:44
Ahhh eu me lembro bem do dia em que eu engasguei com uma maldita dessas… meus avós nunca mais compraram bala pra mim, e eu fiz até um desenho sobre isso…
Comentário por Kika — 20/1/2008 @ 18:32
As dores no peito!! Eu também passei por algumas situações com essas balas em que tudo o que eu me lembro são delas, hehehe. Mas concordo, de vez em quando dá vontade de reencontrá-las (existem, inclusive, vários “clones”, viu?).
Mas com você e eu, temos então 45.002 pessoas que chegaram à fase adulta, mesmo com alguns acidentes de percurso, tendo sobrevivido às balinhas do capeta, hehehe.
Abração!
Comentário por Daniel Santos — 21/1/2008 @ 6:52
Bela lembrança. E, não sei por quê, as verdes faziam engasgar mais que as outras. Quando aquilo descia pelo esôfago, também era uma dor lascada, de arrancar lágrima. Ainda bem que não existe mais.
Comentário por José Marcos — 23/1/2008 @ 23:19
É verdade, Katia. Comparadas às balas que nos explodem, as balas Soft são santas
Hahahahaha… Bonzinho o seu avô, Kika. Mas, para você ter feito um desenho, deve ter sido traumatizante…
Daniel, eu já ouvi falar desses “clones”, mas dizem que eles não têm o mesmo “efeito mortal”, hehehehe…
Hehehe, sei como é, José Marcos. Eu fico até me perguntando se alguém, além das dores, teve algum problema sério com essas balas.
Abraços a todos!
Comentário por Emerson Alecrim — 24/1/2008 @ 6:57
Eu tenho 24 anos e chupei bala Soft! Devo ter pego o final da fase bala Soft, porque era bem pequeno. Graças a Deus nunca tive problema sério com elas. Quando acontecia de escorregar goela a baixo elas já estavam bem pequenas
ainda bem.
Comentário por Alexandre de Sousa — 24/1/2008 @ 9:46
[...] do imposto de renda e das balinhas Soft, outra invenção que só pode ser coisa do capeta é o karaokê. Que negócio chato! Chato para [...]
Pingback por Ponto de Vista - Emerson Alecrim » Sai, Galopeira!!! — 31/1/2008 @ 7:14