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17/10/2009

O jeito paulistano de atravessar a rua

Por Emerson Alecrim

Por que a galinha atravessa a rua? Para chegar ao outro lado. Apesar de ser uma piada “hilária”, tenho que concordar com ela, mesmo porque eu atravesso a rua pelo mesmo motivo (você não?). O problema é que, no último final de semana, me fizeram uma pergunta “igual, mas diferente”: Por que você NÃO atravessa a rua? Para esperar o carro passar, ué!

Eu estava em Campo Mourão, Paraná, andando calmamente pela cidade com a minha prima durante uma noite muito bonita. Atravessamos a primeira rua tranquilamente. A segunda, idem, mas na terceira eu parei e minha prima continuou. Daí ela olhou para trás e fez a tal pergunta. Desde então, cada vez que íamos atravessar uma rua, ela dizia que eu podia fazê-lo imediatamente, sem medo, porque os carros iam parar. E paravam. Mesmo sabendo disso, eu instintivamente hesitava em toda e qualquer travessia, fazendo minha prima achar graça daquilo.

Então expliquei que em São Paulo as pessoas estão acostumadas a atravessar a rua somente depois de os carros passarem, exceto quando os veículos estão muito longe ou quando algum gentil motorista para e sinaliza para que os pedestres atravessem. Até mesmo quando o farol (denominação tipicamente paulistana para “semáforo”) fecha, muitas pessoas só atravessam a rua quando todos os veículos param. Eu sou uma delas e mais de uma vez me senti aliviado por agir assim…

Jeito
Jeito “Beatles” de atravessar a rua

Passei então a pensar no assunto. No dia seguinte, fui para Maringá. Em uma visita anterior à cidade descobri por outros primos que se você parar numa faixa de pedestre e esticar o braço, o motorista que estiver vindo vai parar o carro (ou ao menos deveria, pois me parece que essa é uma prática recente por lá), comportamento esse que é bastante comum em Brasília, aliás.

Sozinho, sem ninguém para utilizar como cobaia ( :D ), resolvi fazer o teste por conta própria: parei em uma faixa, estiquei o braço rapidamente e… Bingo! O motorista parou como se fosse a coisa mais normal que existe. Se eu fizesse isso em São Paulo, o condutor ia pensar que eu estava acenando para um ônibus logo atrás ou que estava pedindo carona. Ou que eu era um retardado mesmo. Com base nas duas vezes em que estive por lá, acredito que no Rio de Janeiro não ia ser muito diferente…

Independente do lugar em que eu esteja, prefiro continuar com o método paulistano de atravessar a rua. Pode me deixar mais lento, mas ao menos sei que funciona, tanto é que orientei meus primos paranaenses a agirem da mesma forma quando estiverem em São Paulo. E a galinha? Bom, ela sabe muito bem o que fazer: ao invés de voltar ou de acelerar o passo para fugir do carro, ela segue na mesma direção e sentido do veículo até que este finalmente a alcance. Esperta ela: já que vai morrer mesmo, ao menos morre com muita “emoção”…

Ao som de Battlelore – Moontower.

4:48 | Cotidiano | 5 comentários


26/11/2008

Papo sério: Santa Catarina precisa de sua ajuda!

Por Emerson Alecrim

Eu já estava me acostumando com a idéia de deixar este blog que nem os livros das bibliotecas públicas do Brasil: pegando poeira. Mas tenho que interromper essa fase de “abstinência” por um motivo pra lá de sério: as enchentes em Santa Catarina, que já causaram dezenas de mortes e deixaram milhares de pessoas desabrigadas.

Já enfrentei enchentes aqui em São Paulo. Em uma delas, eu estava em um ônibus que ficou ilhado. Todos os ocupantes do veículo tiveram que esperar a água baixar para que tivessem condições de sair. Em outra situação, dentro de uma lotação, vi a água transbordando do rio de maneira extremamente rápida e agressiva. Em questão de segundos, a avenida foi tomada por aquele mar de água cor de terra. A situação só não complicou porque o motorista teve astúcia suficiente para manobrar o veículo e fugir daquele monstro que parecia querer engolir a gente.

Essas situações são terríveis, acredite. A sensação de insegurança é muito grande, assim como o sentimento de impotência. Mas, pior mesmo, é ver sua casa sendo invadida pela força das águas, não poupando nada, nem ninguém. E é justamente isso o que está acontecendo em Santa Catarina…

Enchentes em Santa Catarina

Enchentes em Santa Catarina

Imagens de Adilson Kormann, extraídas do blog Uhull.

Os relatos que encontro em sites de notícias, blogs, Orkut, etc, impressionam. A situação está realmente complicada, mas aparentemente as pessoas não estão tendo noção da dimensão do problema porque a imprensa não está dando o devido destaque a esses acontecimentos. Em comparação aos casos das meninas Isabella e Eloá, por exemplo, de fato há pouca atenção da mídia.

Por conta disso, pessoas sérias desse país estão se mobilizando como podem. Há quem esteja realizando arrecadações nos quatro quantos do Brasil, há quem esteja dando notícias e organizando ajuda através de Orkut, Twitter e blogs, há quem esteja fazendo doações de roupas e alimentos, enfim.

Hoje pela manhã fiz uma doação à Defesa Civil de Santa Catarina. Se você quiser fazer o mesmo, eis os dados bancários:

- Banco do Brasil, agência 3582-3, conta corrente 80.000-7; ou
- Bradesco, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1; ou
- Banco do Estado de Santa Catarina, agência 068-0, conta corrente 80.000-0.

Nome da pessoa jurídica: Fundo Estadual da Defesa Civil;
CNPJ: 04.426.883/0001-57.

Também fiz uma nota sobre o assunto lá no InfoWester. É sério, se você puder ajudar com alguma coisa, o faça. A situação está complicada por lá. Há dezenas de milhares de desabrigados e tem gente passando fome, sem itens de cuidados pessoais, sem remédios, enfim.

Essa é a hora em que devemos fazer alguma coisa. Só ficar lamentando na frente da TV ou do computador não vai ajudar em nada, portanto, mãos à obra!

Se alguém precisar de mais informações, os seguintes links podem ajudar:

- Defesa Civil de Santa Catarina;
- Notícias de Blumenau.

:)

17:55 | Cotidiano | comentar


28/9/2008

É, aprovaram a nova lei do estágio…

Por Emerson Alecrim

Uma coisa é certa: boa parte das empresas brasileiras que contratam estagiários o fazem principalmente porque esta é uma forma de se obter mão-de-obra barata. Eu mesmo passei por isso. Nos estágios que fiz durante a minha vida acadêmica, o meu nível de responsabilidade e cobrança era quase igual ao de funcionários experientes.

Por um lado isso é bom: faz você entrar no ritmo do que entendemos como mercado de trabalho, te ensina a lidar com outras pessoas e, obviamente, reforça os seus conhecimentos sobre a área que escolheu (desde que o estágio seja relacionado a essa área, é claro).

O problema é que, muitas vezes, a jornada de trabalho é tão puxada que atrapalha os seus estudos. Seu salário, ou melhor, sua bolsa-auxílio, corresponde à metade do salário de um funcionário com funções parecidas. Não ter direito a férias e a outros benefícios também é ruim, mas somente quando você percebe que o que te torna diferente de um funcionário é unicamente o que está escrito em sua carteira de trabalho, porque o resto é igual.

É claro que há exceções. Eu mesmo tive sorte de estagiar em uma multinacional que me ensinou muito, me deu responsabilidades que eu queria, me fez trabalhar em uma jornada de apenas 30 horas semanais, me pagava bem e, acima de tudo, respeitava a minha condição de estudante: se eu necessitasse faltar para fazer algum trabalho acadêmico ou mesmo para estudar para uma prova, bastava falar com a chefe e ficava tudo resolvido.

Mas, como eu disse, essa não é a realidade de boa parte das empresas. Certamente foi isso que fez com que uma nova lei de estágio fosse aprovada recentemente. Há várias mudanças que beneficiam o estagiário, como obrigatoriedade de férias, carga horária semanal limitada, contrato com duração de até 2 anos e número máximo de estagiários de acordo com a quantidade de funcionários. Neste último, se uma empresa tiver mais de 25 funcionários, por exemplo, poderá ter até 20% de estagiários.

Eu aprovo a nova lei e, para ser sincero, acho que ela chegou tarde, mas não posso negar que alguns problemas poderão ocorrer: diante das novas medidas, a quantidade de estágios disponíveis pode cair, portanto, muitos estudantes poderão ter maior dificuldade para ingressar no mercado de trabalho.

De qualquer forma, uma mudança se faz necessária. Estágio é estágio, não mão-de-obra barata! Para muitas empresas, contratar funcionários é difícil, eu sei, há muito ônus e tal, mas não vejo isso como desculpa para condicionar estagiários como solução para esse problema, principalmente quando o estudante é colocado em funções que em pouco ou nada lhe acrescentam.

Essa lei é muito recente, portanto, ainda é cedo para termos certeza dos impactos – positivos e negativos – que ela terá. Por isso, é importante ao estudante interessado em um estágio procurar vagas em empresas que realmente podem lhe trazer benefícios. Para encontrar essas empresas, procure dicas na internet, converse com colegas de escola ou faculdade que já estão inseridos no mercado de trabalho (quem sabe não rola o tradicional “QI”?) e, acima de tudo, esteja ligado em tudo o que acontece na área que escolheu. Se você se esforçar, certamente conseguirá encontrar um estágio que realmente é um estágio ;)

Ao som de The Aerium – Wanderer.

12:08 | Cotidiano, Política | 4 comentários


12/8/2008

Feiras de ciências – Parte 2

Por Emerson Alecrim

Parte final do texto “Feiras de ciências – Parte 1″.

Minha terceira feira de ciências aconteceu no meu 1º ano do ensino médio, em outra escola. Adivinha qual era o tema da minha sala? Exatamente, sexualidade! Meu grupo ficou com a parte mais chata, embora não menos importante: planejamento familiar.

O mais legal foi que a sala toda contou com o auxílio da professora de psicologia e de uma ONG que dá apoio a pessoas soropositivo: Projeto Esperança. Graças a isso, conseguimos orientação, panfletos informativos, cartazes e até camisinhas para distribuir aos visitantes.

O começo da feira foi bem engraçado. Um grupo ficou responsável por explicar como se usa um preservativo. O primeiro colega responsável por fazer essa demonstração (calma gente, o grupo usou bananas para isso), estava tão nervoso e tão constrangido, que uma das meninas da sala se irritou, falou “dá isso aqui” e mostrou como se faz. No final da demonstração, ela foi até aplaudida. Eu acho que ela acabou se arrependendo, pois não apareceu mais, hehehe…

A sala era, de longe, a mais movimentada (por que será, né?). A gente viu de tudo ali. Mulheres com certa idade que não tinham noção dos perigos das doenças sexualmente transmissíveis, adolescentes e pré-adolescentes esbanjando curiosidade, meninas preocupadas com gravidez e moleques querendo saber sobre a importância do tamanho do pênis. Uma moça havia comentado comigo que seu marido se negava a usar preservativo. É claro que ela esperava de mim alguma orientação. A melhor coisa que pensei no momento foi sugerir o uso da camisinha feminina. Ela achou a idéia interessante e eu lhe entreguei um panfleto que explicava como usá-la.

Preservativo feminino

Tão logo ela foi embora, uma moça de uns 18 anos se aproximou de mim. Caro leitor, por mais vulgar que lhe pareça, me permita usar esses termos, pois somente assim a descreverei da forma mais fiel: ela era gostosa pra caramba! Corpo violão, peitões, bunda perfeita, pernões, cheiro bom, enfim. Em contraste com essa bela imagem, estava um garoto magricelo, com o rosto cheio de espinhas, óculos de lentes grandes, andar desajeitado, aparência de CDF, tímido e cabelo esquisito: eu.

A garota me chamou de canto e, sussurrando para ninguém ouvir (e, mesmo não intencionalmente, para me deixar arrepiado), me perguntou se a tal da camisinha feminina causava dores nas mulheres e se eu podia explicar um pouco detalhadamente como utilizá-la. Nobre leitor, por favor, pare e pense na cena: um mulherão daqueles pedindo conselhos íntimos para um moleque bobão…

A primeira coisa que fiz foi me perguntar: por que é que eu não caí no grupo que travava de preservativos? Em seguida, eu olhei novamente para aquele belo par de… Bom, você sabe, e disse a mim mesmo: diga algo que a impressione, rápido! Mas eu não sabia como começar e, para ganhar tempo, disse:

- Veja bem…

Nesse momento, a professora de psicologia apareceu e, com uma gentileza que somente esse tipo de profissional consegue ter, chamou a gostosona para outro canto e, ali, elas tiveram um papo de mulher para mulher. Bom, quanto a mim, fiz uma cara de “estava bom demais para ser verdade” e tratei de voltar ao trabalho.

A minha quarta e última feira de ciências foi a mais sem graça de todas. Aconteceu no meu 3º ano do ensino médio. O tema da minha sala era eletricidade. Por um triz não pegamos sexualidade novamente. Para ser sincero, eu não lembro exatamente do que o meu grupo tratou. Eu sei que um grupo vizinho tinha uma bela de uma casa de bonecas feita em madeira toda iluminada. Era a principal atração da sala. A única coisa da qual me lembro bem é que, em um dado momento, fui apresentar o meu trabalho a um grupo de visitantes e… Bom, o que acontece com quem brinca com energia elétrica? Exato, levei um baita de um choque na frente de todo mundo!

Eu juro que até tentei fazer um trabalho decente. Depois do choque, tratei de organizar melhor os fios para que as futuras vítimas não fossem os visitantes. Esse foi o meu erro. Quando já estava anoitecendo, um grupo entrou na sala e começou a tocar axé, funk, forró, etc. O lugar virou uma zona! Se eu não tivesse organizado os fios, as chances de algum daqueles infelizes ter levado um choque seriam bem maiores.

Não restou outra coisa a não ser recolher tudo e ir assistir à apresentação de uma banda de rock no pátio. O grupo não tocava muito bem, mas aquilo era bem melhor do que ouvir aquelas porcarias que estavam tocando na sala em que eu estava.

E assim termina a minha saga pelas feiras de ciências da vida. De todos os eventos que tinham nas escolas pelas quais passei, esses eram, de longe, os que mais agradavam aos alunos, mesmo porque era aberto ao público e, no final, sempre havia algum tipo de comemoração. E foi nessas feiras que comecei a lidar com coisas com as quais lido até hoje, como prazo apertado, impressão de que tudo vai dar errado, improvisos, negociações e etc. Azar de quem não soube aproveitar :)

Ao som de Soultakers – Floating.

10:46 | Cotidiano | 2 comentários


13/7/2008

Estrelando: Pica-Pau!

Por Emerson Alecrim
Pica-PauMeus pais não eram nem nascidos quando Pica-Pau (Woody Woodpecker) deu o ar da graça pela primeira vez. Foi no ano de 1940 que um dos pássaros mais malucos do mundo dos desenhos animados surgiu. Até hoje, Pica-Pau é sinônimo de sucesso, de desenho que não enjoa, fazendo com que geração após geração se divirta com os seus mais variados episódios. Que o diga a TV Record, que atualmente alcança ótimos índices de audiência com a exibição de Pica-Pau em variados horários.

Pica-Pau surgiu pela mente geniosa do cartunista americano Walter Lantz. Dizem que, certa vez, Lantz e sua esposa Grace Stafford estavam curtindo sua noite de núpcias em um chalé em Sherwood Lake, mas um pica-pau passou horas e horas bicando o telhado do lugar. Quando o pássaro foi embora, começou a chover e, graças às goteiras, descobriram que o pica-pau havia feito vários buracos no telhado. Grace teve então a idéia de sugerir a Walter que criasse um pica-pau irritante em seus desenhos animados. Não se sabe, porém, se essa história é verdadeira, pois Walter e Grace se casaram depois que o desenho de Pica-Pau estreou, em 1940.

O que se sabe mesmo é que a primeira aparição de Pica-Pau foi como coadjuvante no episódio Knock Knock, de Andy Panda. Nesse desenho, Pica-Pau inferniza a vida de Andy e seu pai ao fazer buracos no teto de sua casa. Os dois ursos tentam de tudo para fazer Pica-Pau parar, inclusive colocar sal na cauda do pássaro maluco.

Pica-Pau se mostrou tão irreverente que agradou os produtores da Universal Pictures, fazendo com que ganhasse episódios exclusivos dali por diante e ocupasse o posto de principal desenho de Walter Lantz, deixando Andy Panda como personagem secundário.

Pica-Pau e Andy Panda
Pica-Pau e Andy Panda

Quando eu era moleque, ficava intrigado com as constantes mudanças na aparência do Pica-Pau. Não é preciso ser muito atento aos detalhes para notar que suas patas (ou pernas?), suas penas vermelhas da cabeça (ou cabeleira?) e até a sua fisionomia não eram iguais em todos os episódios. Isso aconteceu porque, ao longo do tempo, os desenhos de Pica-Pau passaram pelas mãos de vários artistas.

O primeiro visual de Pica-Pau faz jus à idéia original, isto é, a de um pássaro totalmente biruta. Pica-Pau tinha patas totalmente amarelas, tórax vermelho, cauda verde, dava gargalhadas insanas e não raramente ficava vesgo. O visual mais gracioso e “normal” de Pica-Pau surgiu pelas mãos de Emery Hawkins e, aparentemente, teve sua primeira aparição no episódio The Barber of Seville, quando Pica-Pau perdeu a aparência de maluco (embora não o tenha deixado de ser) e passou a ter penas azuis em suas pernas e cauda. Depois disso, Pica-Pau teve outras mudanças, mas nada muito radical.

O primeiro e o segundo visual de Pica-Pau
O primeiro e o segundo visual de Pica-Pau

É claro que a gente não pode falar de Pica-Pau sem dar destaque à sua inusitada risada. Quem é que, ao menos uma vez na vida, não tentou rir como o Pica-Pau? Quem é que não se frustrou ao descobrir que não era tão fácil assim? O que pouca gente sabe é que a risada que virou marca registrada de Pica-Pau não é, necessariamente, original. Ela foi usada, inicialmente, por um coelho chamado Happy Rabbit que, pasme, mais tarde se transformou no Pernalonga (Bugs Bunny).

E como é que essa risada foi “tomada” por Pica-Pau? A tal risada foi criada pelo dublador americano Mel Blanc. Antes de dublar Pica-Pau, Blanc dublou Happy Rabbit e chegou a fazer o coelho usar a risada em quatro episódios. Um deles se chama Elmer’s Candid Camera e pode ser visto aqui (se o link não funcionar, é porque o YouTube tirou o vídeo do ar, mas basta procurar por seu nome na internet para encontrá-lo). Parece que, nos extras do DVD Looney Tunes: Back in Action, é possível encontrar uma cena cortada do filme que mostra Pernalonga sendo atingido por um raio que o faz voltar a ter a aparência de Happy Rabbit, ocasião em que ele dá a tal risada, só que com uma voz mais grossa.

Pena que essa história teve lá seus problemas. Devido a um contrato que fechou com a Warner, Blanc só pôde dublar três ou quatro episódios de Pica-Pau. O problema é que os dubladores seguintes não conseguiam imitar sua risada, de forma que Lantz se viu obrigado a usar uma gravação da risada de Blanc nos outros episódios. Ta fato acabou gerando uma briga judicial entre Blanc e Lantz.

Happy Rabbit, que mais tarde se tornou Pernalonga
Happy Rabbit, que mais tarde se tornou Pernalonga

Não se pode dizer que Pica-Pau é um exemplo de desenho politicamente correto. Para alcançar seus objetivos, como conseguir comida fácil, arranjar um local para descanso ou mesmo conquistar uma garota, Pica-Pau, seus amigos e seus inimigos usam os mais variados artifícios. Portanto, violência e trapaça, por exemplo, são eventos corriqueiros em seus episódios.

Por outro lado, isso não quer dizer que Pica-Pau incentiva práticas maléficas. O desenho preza pelo fator diversão e combina vários elementos para alcançar esse fim, inclusive violência. Mas, o seu principal truque são as coisas que, por serem humanamente impossíveis (ou quase), nos causam surpresa e, logo em seguida, graça, por sua característica inusitada. Quantas e quantas vezes Pica-Pau apareceu em lugares inesperados ou fez coisas que beiram o impossível, como descer, em um barril, as Cataratas do Niágara?

Descer as Cataratas do Niágara em um barril? Só no Pica-Pau...
Descer as Cataratas do Niágara em um barril? Só no Pica-Pau…

Se respeitasse as leis do que conhecemos como “mundo real”, hoje, Pica-Pau seria um velhinho, perto de seus 70 anos. Mas, nem esquente com isso. Os filhos dos seus filhos também darão boas gargalhadas com ele e sua turma. E saiba que, se pudesse, Pica-Pau daria a sua tradicional risada agora, apenas para debochar do fato de o tempo passar para você, mas não para ele… :)

Pica-Pau velho?
Pica-Pau velho? “Só em desenho”…

Referências: Wikipedia, Wikipedia (BR), Woody Woodpecker (site oficial), The Woody Woodpecker Gazette.

Ao som de The Woody Woodpecker Song.

17:16 | Cotidiano | 3 comentários


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