Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para ‘Cotidiano’

Medo de voar de avião

3 comentários

Este é um post que eu havia criado para um blog sobre aviação que não foi pra frente. Mas o texto pode ser tão útil que resolvi republicá-lo aqui. Em resumo: você tem medo de avião?

Bora voar?

Bora voar?

Quem não tem esse problema pode até achar que é besteira, mas muitas pessoas – muitas mesmo! – realmente sofrem quando entram em uma aeronave. Um exemplo clássico foi o saudoso Tim Maia, que temia tanto os aviões que só entrava – e se mantinha – dentro deles quando bebia, o que o fez se envolver em diversas confusões.

Em muitos casos, a pessoa não tem necessariamente medo de voar, mas receio de algum efeito indesejado, como ouvido tampado, enjoo, dor de cabeça, etc. Outras, por claustrofobia, se incomodam com a sensação de aperto ou aprisionamento que o avião pode causar. Mas me parece que a maioria tem mesmo é medo da situação de voo como um todo.

E há como perder o medo de avião, independente de qual tipo ele seja? Bom, não sou psicólogo ou coisa parecida, mas acredito que é possível perder o medo, sim, ou pelo menos amenizá-lo. Eis algumas dicas que, creio eu, podem ajudar:

- Tenha em mente que os aviões são muito seguros. A gente se assusta quando ouve falar de algum acidente, mas não leva em conta que dezenas de milhares de voos são realizados diariamente no mundo todo e, portanto, quando algo acontece, é porque se trata de uma coisa bastante fora do comum. É muito mais fácil morrer em um acidente dirigindo confiantemente o seu carro do que em um desastre aéreo;

- Não se preocupe com o movimento das asas. Tem gente que, ao vê-las balançar, entra em pânico pensando que elas vão se soltar a qualquer momento, mas não vão. As asas possuem certa flexibilidade justamente para ajudar na sustentação da aeronave, especialmente em situações de turbulência. Mas se esse balanço ou mesmos os movimentos dos flaps e afins (partes móveis) te fazem sentir um frio na barriga, escolha uma poltrona onde você não possa ver as asas;

- Ocupe a sua mente. Leia um livro ou uma revista que prenda bastante a sua atenção, faça palavras cruzadas, ouça música (mas apenas quando e se a tripulação autorizar o uso de eletrônicos), puxe conversa com a pessoa ao lado ou mesmo preste atenção na conversa de alguém. Isso não só te permitirá esquecer um pouco o avião como também fará com que o “tempo passe mais rápido”;

- Use roupas e calçados que te deixem confortável e não limitem a sua movimentação. Deixe para colocar o terno no hotel ou mesmo no banheiro do aeroporto, por exemplo;

- Para quem tem claustrofobia, é uma boa ideia sentar numa poltrona ao lado do corredor. Ali, você conta com o espaço do centro, diminuindo a sensação de “sufocamento”. Além disso, você pode sair do lugar mais rapidamente, aliviando o sentimento de “aprisionamento”;

- Não tome bebida alcoólica ou café em excesso. Você pode ficar mais ansioso do que calmo! Você também pode tomar remédios para controlar a ansiedade, mas pelamor, só o faça com orientação médica;

- Frio na barriga, palpitação, suor? Ok, tente controlar essas sensações com respiração. Feche os olhos, respire fundo e depois solte o ar, sempre devagar. Faça isso até se acalmar. Ao mesmo tempo, pense no benefício da viagem: conhecer um lugar bacana, conseguir um cliente novo, matar as saudades de uma pessoa, enfim;

- É normal o avião balançar, inclinar, fazer algum barulho, etc. Lembre-se que há pelo menos duas pessoas dentro da aeronave que são pagas e preparadas para lidar com todos os aspectos do voo, portanto, deixe que elas se preocupem com o avião.

Perceba que não há milagre. O negócio é enfrentar o seu medo. Aliás, sentí-lo é absolutamente normal e não é motivo para vergonha. O importante é não chegar ao ponto de deixar de viajar por causa disso. Se este é o seu caso, bola pra frente: levante a cabeça e procure ajuda profissional ;)

Ao som de Serj Tankian – Baby.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

18/12/2011 - 19:33

Postado em Cotidiano

Alô? Estou ligando para encher o seu saco!

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Em um único dia, me ligaram cinco vezes oferecendo assinaturas do jornal Folha. Naquela semana, devo ter recebido ainda outros dois ou três telefonemas me ofertando cartão de crédito; não lembro com exatidão, mas tenho certeza disso, pois recebia essas “ofertas tentadoras” constantemente. Nem acreditei quando o PROCON-SP implementou o bloqueio de telemarketing por telefone. Acreditei menos ainda quando percebi que o negócio funciona!

A ideia é muito simples: você entra no site do PROCON-SP, cadastra seus números de telefones – inclusive celulares – e, dentro de um mês, nenhuma empresa poderá te ligar para oferecer produtos ou serviços. Se alguma companhia desrespeitar sua decisão, basta fazer uma denúncia fornecendo o máximo de dados que puder.

Eu só lamento que as coisas tenham que funcionar assim, apoiada na lei, não no bom senso. Com um pensamento pra lá de antiquado, empresas não hesitam em utilizar armas desleais para vender, sem pensar nas consequências futuras. E fazem isso porque, no curto prazo, essas estratégias funcionam.

Funcionam porque temos dificuldades para dizer não, tanto que muitas vezes usamos desculpas no lugar de “não quero”, o que acaba dando brechas para a argumentação da pessoa no outro lado da linha, que por sua vez pode acabar conseguindo a sua aceitação, mesmo quando você decididamente não quer nada.

E essa argumentação é mesmo pesada. Certa vez, um vendedor de assinaturas de revistas disse até que eu poderia perder o meu emprego se não me mantivesse bem informado. Irritado, respondi que ele tinha razão, por isso eu assinava uma revista concorrente. Para outras pessoas, no entanto, esse argumento pode ser assustador, por incrível que pareça.

Os vendedores são preparados para explorar pontos fracos das pessoas. Eles conseguem fazer a pessoa se sentir mal-educada quando, na verdade, ela é quem está sendo desrespeitada. Idosos e indivíduos que se intimidam facilmente estão entre as principais “vítimas”. E quem é esperto suficiente para não cair na laia desse povo também não escapa: pode conseguir não ser enganado, porém não fica livre das irritantes ligações.

É por isso que considero o bloqueio de telemarketing do PROCON-SP uma das “invenções do século”! Você não sabe o prazer que senti quando disse a uma vendedora da Claro que iria denunciá-los por terem me ligado. E assim o fiz:

Denúncia contra a Claro no PROCON-SP

Denúncia contra a Claro no PROCON-SP

É uma pena esse tipo de serviço só funcionar em São Paulo. É uma ideia tão boa que deveria ser estendida ao país todo. Está certo que não resolve todos os problemas: ONGs que pedem doações não precisam respeitar o bloqueio. Não que eu seja contra esta prática; o que me irrita mesmo é a insistência e o excesso.

Para quem mora em São Paulo, existe o bloqueio do PROCON-SP. Para todos os outros estados, o negócio é ser duro: desligue na cara, se faça de louco, mande a pessoa para a puta que o pariu, mas não caia no papo dessa galera. Limite-se a sentir raiva com o seu telefone apenas pelos trotes ou pela conta no final do mês.

Ao som de Hypnotize – System of a Down.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

30/3/2011 - 22:13

Postado em Cotidiano

Conjuntivite: e agora?

Um comentário

Deitei na cama para dormir e, quase que imediatamente, senti uma irritação leve no olho direito. Nem dei atenção porque, para mim, era só um cisco que certamente sairia dali no decorrer da noite. No entanto, quando acordei, parecia que havia areia no olho. Cocei, instintivamente, o que me fez perceber que a região estava bastante inchada. Então pulei da cama e corri para o espelho do banheiro. Uma forte vermelhidão. Sim, eu estava com conjuntivite.

Na verdade, eu não fui a primeira vítima da família. Dias antes, meu irmão mais novo chegou em casa com os mesmos sintomas, mas conseguiu se recuperar rapidamente. Mas logo depois foi a vez da minha mãe, que chegou a ter o que se conhece como “derrame ocular”. Apesar disso, não reforcei os cuidados para evitar minha contaminação, confiando cegamente na minha saúde. Estou pagando muito caro por esse erro.

No mesmo dia, o olho esquerdo também foi afetado. Parecia que eu havia levado um soco nos dois lados. O pior de tudo é que o inchaço na região não permite a abertura total das pálpebras, me fazendo ter que usar óculos escuros para não forçar os olhos.

Estou indo para a segunda semana com a doença, o que me fez cancelar uma série de compromissos. O que mais me chateia é que algumas pessoas deram a entender que eu, na verdade, apenas arranjei uma desculpa para não comparecer aos eventos. Talvez elas não entendam como a conjuntivite é.

Até pouco tempo atrás, eu mesmo não dava importância ao assunto, mesmo com os alertas de epidemia em São Paulo, já que acreditava que qualquer problema do tipo seria resolvido com remédios que aceleram a recuperação. De fato, até há medicamentos do tipo para conjuntivite bacteriana ou alérgica, mas na viral, que é o meu caso, o tratamento consiste simplesmente em combater os sintomas. Tal como numa gripe, é necessário esperar que o corpo reaja ao invasor. Não há remédio capaz de “matar” os vírus, mesmo porque estes sofrem mutações constantemente.

Se tiver estômago pra isso, clique na figura abaixo caso queira ver como ficaram meus olhos:

Eu com conjuntivite (desenho)

Mais do que qualquer colírio, uma coisa que tem me ajudado bastante a combater os efeitos da conjuntivite são as compressas de água gelada. Essa ação ajuda a aliviar os edemas em volta dos olhos e diminui, mesmo que temporariamente, a irritação na região. Se não fosse isso, acho que já teria pirado.

A conjuntivite é uma doença altamente contagiosa. Acredite se quiser, mas a melhor maneira de prevení-la é lavando (bem) as mãos com frequência. Se não houver uma pia com sabão por perto, a dica é usar álcool em gel, que não necessita de água e pode ser transportado facilmente na mochila ou na bolsa, por exemplo.

Geralmente, a contaminação ocorre quando a pessoa toca em uma região que contém o vírus ou a bactéria – o ferro de apoio do ônibus ou uma maçaneta, por exemplo – e, depois, leva os dedos aos olhos. É por isso que lavar as mãos é tão importante, assim como evitar ao máximo coçar os olhos.

É bom frisar que simplesmente olhar para uma pessoa com conjuntivite ou se aproximar dela não causa contaminação. Do contrário, médicos e enfermeiros atenderiam os doentes com roupas de astronauta.

De qualquer forma, é bom evitar abraços, apertos de mão, beijos e objetos compartilhados, como toalhas de rosto, por exemplo (sexo então…). Se houver alguém com conjuntivite na casa, também é bom limpar telefones, controles remotos, maçanetas, mouses, interruptores de luz e qualquer objeto tocado constantemente.

Se você pegou a doença, a primeira coisa a fazer é: não entrar em pânico. Em seguida, contar com uma boa dose de paciência. Não cometa o erro de usar colírios deliberadamente. Só o faça com orientação médica, pois o problema pode piorar se você aplicar o medicamento errado. E não é difícil entender o porquê: se você usar colírios antibacterianos para uma conjuntivite viral, não haverá efeito positivo. Além disso, os problemas podem variar de pessoa para pessoa. Por exemplo: o médico pode receitar um colírio para um amigo para controlar a pressão intraocular. Se você tomar esse remédio sem ter problemas do tipo, poderá enfrentar complicações.

Os cuidados preventivos devem ser mantidos mesmo se você já estiver doente, não só para evitar que outras pessoas sejam contaminadas, mas também para diminuir os riscos de recidiva do vírus ou da bactéria. Não coce o olho. Como disse, compressas de água gelada (filtrada, fervida ou mineral) ajudam a lidar com a irritação. Mas, para isso ou para a limpeza da região afetada, utilize sempre materiais descartáveis, como gaze ou discos de algodão. Nunca use toalhas ou lenços de pano. Ah, óculos escuros também podem ajudar a evitar irritação, pois diminui à sensibilidade à luz (fotofobia). Também ajuda a evitar sustos alheios, hehehe…

A conjuntivite não é uma doença “letal”, mas também não é uma enfermidade simples, portanto, leve a sério o tratamento, pois as complicações podem inclusive diminuir sua capacidade de enxergar. E lembre-se de que o médico oftalmologista é a pessoa certa para indicar o caminho a seguir, portanto, não aplique nenhum medicamento nos olhos sem orientação especializada.

Tendo você ficado doente ou não, os cuidados de higiene devem ser mantidos, mesmo porque o fato de ter pegado conjuntivite não significa que você não poderá ser contaminado novamente. Além disso, essa prática ajuda a evitar outras doenças ;)

Ao som de Dream Theater – Through Her Eyes.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

20/3/2011 - 16:24

Postado em Cotidiano