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21/3/2008

Era uma vez três moças, uma poça d’água e um caminhão…

Por Emerson Alecrim

Se você sai em um temporal, mesmo que protegido por um guarda-chuva ou por uma capa plástica, é para se molhar. Se a água não vem de cima, vem de baixo. Seco ninguém fica, meu amigo.

Eu já não tenho o hábito de sair de casa com um guarda-chuva. Se o céu está desabando, o máximo que faço é me proteger em algum lugar coberto para esperar sua força diminuir. Foi isso que eu fiz no último sábado. Fiquei debaixo de um toldo de um bar por uns 20 minutos. Em frente, no outro lado da rua, três moças faziam o mesmo, com a diferença de que elas estavam se protegendo dentro de uma loja.

Murphy, que sempre lembra de mim nessas horas, me ajudou a escolher o lado errado, o que me deixou muito p***, é claro. Para começar, o bar estava cheio e o toldo não protegia muito bem. Além disso, eu estava dividindo espaço com um bando de marmanjos. Se eu tivesse escolhido a loja para escapar da chuva, ficaria melhor protegido, não estaria em um lugar tão cheio e minha companhia seria aquele trio de belas moças (bom, pelo menos pareciam belas de onde eu estava).

Então eu fiquei lá, olhando pra frente com uma cara de criança que comeu e não gostou. Enquanto isso, um cheiro de gordura misturado com pinga barata impregnava o bar. Do outro lado da rua, as meninas estavam belas e tranqüilas, conversando calmamente. Eu já estava reclamando (de novo) sobre o quanto a vida é injusta e tal, quando, de repente, ele apareceu! Veio furioso, impiedoso, imponente, determinado, barulhento, veloz, invencível e… Eu já disse impiedoso?

Gato molhadoSim, já que, depois que ele passou, as meninas pareciam gatos molhados gatas molhadas. Os cabelos, até então bem penteados, estavam tão molhados que grudavam em seus rostos. Da maquiagem bem feita, aparentemente só sobrou o batom. As roupas pingavam tanto que pareciam recém-tiradas de uma máquina de lavar. As bocas abertas e falantes demonstravam espanto e indignação. Enquanto isso, dois ou três funcionários tentavam, com rodos e vassouras, empurrar para fora a água que entrara de maneira tão brusca loja adentro. Será que foi aquela imensa poça d’água em frente ao estabelecimento que fez tanta gente preferir o bar para se proteger?

Mas, sabe, uma vez eu passei por isso. Apesar de todos os transtornos, de todos os xingamentos que fiz à mãe do caminhoneiro, a ocasião me fez pensar em questões importantes sobre a chuva, a vida e o universo. Por exemplo: por que inventaram poças de água que mais se parecem rios? Por que fazem caminhões tão pesados e com tantas rodas? Por que a água das poças é tão gelada? Por que os motoristas das carretas não passam devagar por elas?

Sei lá se aquelas belas e ensopadas moças aproveitaram a oportunidade para refletir sobre essas questões, só sei que, pelo menos para mim, nunca um bar cheio de marmanjos e cheirando à gordura pareceu um ambiente tão agradável! Ah, talvez seja por isso que Murphy tenha intensificado os seus ataques contra mim ultimamente, mas naquele dia, eu pude dizer a ele, em alto e bom som: FAIL!

Ao som de Draconian - Bloodflower.

1:57 | Cotidiano | 3 comentários


9/3/2008

Quem disse que São Paulo não pára?

Por Emerson Alecrim

Quando comecei a trabalhar na empresa em que estou atualmente, saia de casa às 5h50 da manhã e, não raramente, chegava cedo por lá. Já tenho pouco mais de dois anos de casa e, nesse meio tempo, tive que mudar meu horário de saída para 5h40, depois para 5h30, em seguida para 5h20 e, agora, saio de casa às 5h15. Confesso que já estou pensando em sair às 5h10…

O que está fazendo com que eu tenha que sair cada vez mais cedo de casa para ir ao trabalho (ou para qualquer outro compromisso) é um dos maiores problemas que os paulistanos enfrentam: trânsito congestionado. Quem sai às ruas todos os dias não consegue deixar de reparar que a situação piora em um ritmo acelerado. Eu, por exemplo, estou levando quase uma hora para fazer trechos que tomavam apenas 25 minutos do meu tempo.

O transporte público, lamentavelmente, não consegue aliviar o problema. Ônibus vivem abarrotados de gente, tanto é que às vezes penso que esses veículos já saem lotados da garagem! Com os trens da CPTM e do Metrô a situação não é muito diferente. O sistema todo chega a funcionar em 100% da sua capacidade nas horas de pico. Qualquer coisinha, por exemplo, um indivíduo que ficou preso na porta, é capaz de atrasar toda a circulação, fazendo com que mais gente se aglomere nas plataformas das estações, causando mais atrasos e tal. É um círculo vicioso!

Foto meramente (auto)provocativa
Foto meramente (auto)provocativa

O trânsito caótico não causa apenas atrasos. São tantos veículos próximos uns dos outros que é impossível não haver acidentes, fechar outros carros, ser fechado, dar freadas bruscas e até brigar por motivos banais, afinal, os nervos estão à flor da pele. E ainda tem a questão do desperdício de combustível, da concentração de poluentes, da ambulância atrás com as sirenes berrando e você sem conseguir movimentar o seu carro, do infeliz que se aproveita da situação para cometer furtos, etc, etc, etc…

O pior é saber que esse é um problema sem solução e que, na melhor das possibilidades, apenas continuará do jeito que está. Mas melhorar, ah, isso não vai acontecer nunca! O governo pode construir mais avenidas, pode duplicar vias já existentes, pode aumentar a malha ferroviária e metroviária, pode colocar mais ônibus nas ruas, pode fazer o que for, mas tudo não passará de medidas paliativas. São Paulo está abarrotada de gente e isso, por si só, é suficiente para termos todos esses transtornos.

Mesmo inconformado, o paulistano se vira como pode. Uns apelam para motos. Outros optam por trabalhar a noite. Os que podem usam helicópteros. Há quem torça para esse negócio de teletransporte virar realidade. Ao restante, cabem as opções de sair cada vez mais cedo de casa, de sair no horário e correr o risco de chegar atrasado ou, se preferir, de “chegar cedo para amanhã”…

Como complemento, eis uma reportagem sobre o assunto publicada pela revista IstoÉ.

Ao som de Nevermore - In memory.

11:03 | Cotidiano | 4 comentários


5/12/2007

Medicina pirata

Por Emerson Alecrim

medicina pirata?Diz o velho ditado que a oportunidade faz o ladrão. Triste constatar, mas é verdade. Desde que o mundo é mundo, picaretas exploram os mais variados meios para aplicar golpes e se dar bem prejudicando a vida alheia. Há práticas golpistas até mesmo em atividades consideradas legais sob o ponto de vista da lei. Mas há outras que são de tamanha ousadia que até revoltam…

Hoje, por exemplo, fiquei pasmo ao ler nos noticiários a prisão de uma falsa médica que atuou em vários hospitais do Brasil por mais de 4 anos. Tem noção do risco de uma pessoa não preparada lidar com a saúde dos outros? Segundo uma reportagem do jornal A Tarde, a falsa médica chegava a basear seus diagnósticos em resultados de consultas de outros profissionais e, certa vez, receitou uma dose muito alta de um medicamento a uma criança. Por sorte, a farmacêutica que recebeu a receita tinha conhecimento suficiente para reconhecer a superdosagem e se negou a aplicar a medicação.

O pior dessa situação toda é a desconfiança do delegado que investiga o caso de que haja uma quadrilha atuando no Brasil especializada em inserir médicos “piratas” no mercado de trabalho. Isso significa que podemos ser atendidos por gente despreparada em praticamente qualquer hospital, seja ele particular ou público. Se médicos de verdade podem cometer erros perigosos, do que não são capazes os médicos falsos?

Se notícias desse tipo se tornarem mais freqüentes, é possível que os hospitais - especialmente os particulares - tomem medidas mais rígidas para evitar a contratação de médicos falsos. Seria interessante até que entidades médicas dedicassem atenção ao assunto, uma vez que, além de pôr em risco a saúde dos pacientes, esses golpistas estão tomando o emprego de pessoas que realmente se prepararam para assumir um cargo da área de medicina.

Todavia, enquanto nada acontece, nos resta tomar cuidado nas consultas médicas. Não há fórmula mágica para isso, mas penso que, se o médico der sinais de insegurança, relutar em dar informações úteis ao seu diagnóstico e não esclarecer suas dúvidas de maneira satisfatória, é melhor procurar outro profissional. Pode até ser que ele seja um médico de verdade, mas um médico assim não é um bom profissional, concorda?

Referência: A Tarde.

Ao som de Symphony X - The Odyssey.

22:38 | Cotidiano | 1 comentário


23/11/2007

Precisa de médico? Vá ao banco!

Por Emerson Alecrim

Encerrar conta em banco dá trabalho, principalmente quando você utiliza vários serviços da instituição financeira, mas tem hora que é inevitável. Após me cansar de ser atendido por gerentes que desconhecem a maioria dos procedimentos do banco e só fazem o básico (empurrar empréstimos, títulos de capitalização, seguro, cartão de crédito, etc), resolvi fechar a contar que tenho em um dos maiores bancos do país (um que tem um logotipo vermelho e caixa eletrônico em tudo o que é lugar). E não é que no dia que fui à agência para fazer isso encontrei mais um motivo para encerrar a conta?

Ao lado da mesa em que eu estava sendo atendido, um senhor estava abrindo uma conta. Papo vai, papo vem, ele acaba informando que é médico gastro-alguma-coisa. De repente, a gerente que o atendia começou a falar que tinha uma queimação no estômago, isso e aquilo. Não demorou muito, outra funcionária se aproximou para também relatar os seus problemas. Quando fui me dar conta, o médico já estava escrevendo uma receita para cada uma delas. O que deveria ser simplesmente uma abertura de conta, virou uma consulta médica!

Bom, se o médico fez isso de boa vontade, tudo bem, né? O problema é que ainda havia umas 5 pessoas aguardando atendimento (das gerentes, não do médico). Eu olhei para trás para ver se alguém da fila reagiria de alguma forma, mas todos se limitaram a resmungar, nada mais (então tem mais é que ficar aguardando aí mesmo!).

Mas o pior veio depois: apesar de ter recebido uma consulta médica gratuita, a gerente ainda sacaneou o médico. Lhe ofereceu um título de capitalização, e o doutor aceitou! Título de capitalização, nobre leitor, é uma furada, mesmo com o argumento de que você receberá todo o valor pago corrigido após não sei quanto tempo. Se você colocar todo o dinheiro investido nisso numa poupança, vai render mais. Tremenda sacanagem com o médico bonzinho, não?

Enganaram o doutor

Nessa história toda, a gerente, para variar, é que saiu ganhando. Recebeu uma consulta de graça e ainda ganhou uma comissão por ter vendido o título. Depois disso, respondi em alto e bom som à gerente que me atendia que “sim, eu realmente quero encerrar a minha conta”.

Ao som de Battlelore - House of heroes.

23:32 | Cotidiano | 4 comentários


11/11/2007

Telefone bom é telefone desligado!

Por Emerson Alecrim

Quando a internet passou a fazer parte do meu dia-a-dia, nunca mais olhei para o telefone com bons olhos. Bem verdade é que ainda não é possível dispensá-lo e, pensando bem, creio que esse dia nunca chegará. Por isso, a única coisa que posso fazer para lidar com isso é me esforçar para usá-lo o mínimo possível.

Conheço pessoas que não vivem sem telefone. Se o seu celular não tocar pelo menos uma vez no dia, vão dormir com a sensação de que há algo errado com o aparelho. Comigo é o contrário. Quanto menos me ligarem ou quanto menos eu ligar, melhor. O problema é que não consigo ver o telefone como algo que não signifique incômodo. E não é para menos, pois quem atende sempre intorrompe o que está fazendo, ou alguém aqui dedica algumas horas de seu dia só para atender telefonemas?

E quem é que não odeia receber uma ligação quando está dormindo, tomando banho ou até mesmo “fazendo aquilo”? E você vai me dizer, com razão, que o pior são os trotes (como tem gente que adora encher o saco dos outros!) e os telefonemas oferecendo cartão de crédito, assinaturas de jornais ou empréstimos bancários. Se não bastasse, inventaram agora propagandas por telefone que são, na verdade, gravações. A última que recebi foi uma do Lombardi me oferecendo um Carnê do Baú da Felicilidade. E ainda há os enganos, as ligações para outros moradores da casa, as tentativas de golpe, os telefonemas durante o trânsito, enfim.

É por isso que, dependendo do dia, simplesmente desligo os meus telefones por algumas horas. É claro que essa não é uma prática recomendável, afinal, alguma ligação pode realmente ser importante, mas é um risco que aceitei correr. E se isso parece radical, saiba que podia ser pior: eu não quebrei nenhum telefone, pelo menos não até agora…

UPDATE: por que é que depois deste post choveu ligações aqui, “amigos”? ¬¬

Ao som de 3rd Room - Poison n.5.

13:31 | Cotidiano | 9 comentários


26/9/2007

É castigo, só pode…

Por Emerson Alecrim

Reverendo LovejoyEu nunca me senti desconfortável ao usar roupa social, mas tenho utilizado a minha velha e querida combinação de tênis, calça jeans e camiseta até mesmo no trabalho, só para não ter o desgosto de ser confundido com um crente. Sério! Antes de prosseguir, já deixo bem claro que não tenho nada contra nenhuma religião, cada um deve ser respeitado em suas crenças.

Quando falo aos meus amigos que pessoas na rua que perguntam onde é minha congregação (!!!), se eu aceito evangelizar não sei aonde e etc, eles caem na risada, como não poderia deixar de ser. Pior foi a vez em que, no Metrô, um colega de trabalho me passou seus fones de ouvido para eu conhecer uma banda que ele gostava. Um senhor de terno e bíblia na mão perguntou se eu estava ouvindo cantos de louvor! Esse meu colega até hoje diz “aleluia, irmão” quando me vê…

Mas nada me foi tão horrível quanto o que me aconteceu na semana passada. Eu estava em um supermercado e, de repente, uma senhora se aproximou e disse “pastor não sei o quê, que benção encontrá-lo por aqui”. É óbvio que eu fingi que não era comigo, mas a mulher levantou a mão para me cumprimentar (ainda bem que não quis me abraçar), não tive como escapar.

Eu disse em alto e bom som à senhora que ela estava me confundindo com alguém, mas a mulher só acreditou quando chamou um garoto que provavelmente era seu neto, e ele confirmou que eu não era o tal pastor. Aliviado, voltei a olhar para as prateleiras, mas a chata da mulher queria mesmo conversar. Perguntou de qual religião eu era e, já irritado, respondi que não tinha religião e nem cogitava ter.

No mesmo instante, notei que a senhora tentaria me “converter” ali. Não perdi tempo: disse à ela, me controlando para não falar gritando, que esse assunto estava me incomodando. Ela fez cara feia e saiu de perto. Mas engana-se quem pensa que ela, finalmente, havia me deixado em paz…

Instantes depois, a %*$#! da mulher apareceu novamente, mas acompanhada de um senhor que me dirigiu a palavra. A primeira coisa que ele disse foi algo como “você precisa aceitar Jesus”. Já vermelho de raiva, perguntei num tom de voz que não expressava a minha ira:

- O senhor acha que vai para o céu?
- Pela misericórdia de Jesus, sim.
- Então se o senhor for para lá, eu prefiro ir para o inferno!

Eu saí andando rápido, e eles falavam quase gritando que eu ia me arrepender disso. Mas sabe o que é pior nessa história toda? Eu acabei não comprando o aparelho de barbear que precisava e, notei depois, horrorizado: eles me confundiram com alguém da religião deles sem que ao menos estivesse usando roupa social. Eu mereço…

Ao som de Demether - Whitin the mirror.

12:55 | Cotidiano | 10 comentários


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