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23/8/2007

Quando se trabalha demais…

Por Emerson Alecrim

Work is HellSabe, hoje cheguei à conclusão de que ando trabalhando demais ou, ao menos, me preocupando em excesso com as minhas tarefas, pois não vejo outra explicação para as coisas que relato a seguir terem acontecido em um intervalo de tempo tão pequeno:

- No início do mês, atendi ao telefone de casa dizendo “Empresa tal, Emerson, boa tarde”;

- No domingo passado, levantei às 5 horas em ponto, sem ajuda do despertador, e somente alguns minutos depois é que lembrei (alegre, é verdade) que aquele não era um dia de trabalho (a não ser aqui);

- ontem, ao utilizar o celular, pressionei a tecla 0 (zero) primeiro, sendo que isso só é necessário no telefone da empresa, por ser ramal;

- O pior vem agora: um colega me mostrou que uma camisa de seu novo uniforme estava sem a entrada para um botão. Eu disse então que a camisa viera com um bug (apelido dado às falhas de software, coisa de quem é da área). O pessoal riu, eu também, mas não disse a ninguém que tinha dito aquilo com seriedade.

Acho que preciso seguir o conselho do dono do bar, de aparecer por lá mais vezes…

Ao som de Imperia - Braveheart.

10:35 | Cotidiano | 5 comentários


18/8/2007

Doar é uma coisa, ser explorado é outra!

Por Emerson Alecrim

Não sei se é só comigo, mas além de receber ligações de empresas oferecendo cartão de crédito, assinaturas de jornais e até empréstimo financeiro, também venho recebendo muitas ligações de entidades assistenciais pedindo doações, especialmente em dinheiro. E, não somente como cidadão, mas como humano, sinto que é importante ajudar, afinal, estamos falando de instituições que, para muitos, representam a única chance de superar uma dificuldade ou até mesmo de sobreviver.

Vendo dessa forma, é até de se compreender que essas entidades façam ligações pedindo donativos. Só que tudo tem um limite. Eu, por exemplo, faço pequenas doações mensais à CAMAAC, porque sei que é uma instituição séria. Há tantos golpes por aí que eu me nego a doar 1 real sequer enquanto não tiver certeza de não estar sendo vítima de um golpe. Esse é um dos motivos que me fazem dizer não em uma ligação.

Outro motivo é o fato de que, como disse, tudo tem um limite. Se eu fizer doações pra tudo o que é entidade, vou fechar o mês deixando algumas contas pendentes. Em alguns casos, o representante da instituição que está ao telefone compreende, agradece a atenção e desliga o telefone. No entanto, outros causam irritação: tentam fazê-lo sentir culpa, insistem bastante, ligam mais de uma vez na mesma semana e até desligam o telefone na sua cara, como já aconteceu comigo uma vez.

Doar é preciso, mas não dá para atender todo mundo, me desculpe. A culpa de uma instituição filantrópica estar em dificuldades financeiras não é minha, por isso não vou ficar me matando para atender a todos os pedidos que me chegam. Acho que nem se eu fosse rico agiria assim.

E se alguém acha que estou sendo frio, saiba que poderia ser pior. Quase sempre pergunto à pessoa no telefone onde ela conseguiu o meu número. Se eu decidisse fazer doações apenas àquelas que me respondem, faria uma doação por ano. Ou até menos.

Ao som de Aesma Daeva - Odeath.

12:12 | Cotidiano | 2 comentários


5/8/2007

Quando a luz acaba

Por Emerson Alecrim

Alguém já ligou para a Eletropaulo?Eu lembro que, quando era moleque, sempre achava graça da “torcida gritando” quando a energia elétrica acabava e voltava. Para falar a verdade, até hoje acho isso engraçado. Basta a energia acabar e eu ouvir aquele coro de gente gritando “aeeeeee” para eu cair na risada. Quando a energia volta, lá vem mais um “aeeeeee” e, se ela acabar novamente instantes depois, vem aquele “ahhhhhhhh”.

O curioso é que esses gritos são automáticos. É incrível, todo mundo faz isso ao mesmo tempo. E a diversão não pára por aí. Logo depois do “aeeeeee” vem os palavrões de quem estava assistindo o jogo, o berro da criança reclamando da água que, de repente, ficou gelada no chuveiro, uma dúzia de gente perguntando se alguém já ligou para a Eletropaulo (fornecedora de energia de São Paulo), e claro, o barulho daquela correria de pessoas procurando velas.

Minutos depois, algumas pessoas saem às ruas, especialmente os homens. As perguntas são sempre as mesmas: será que algum carro derrubou um poste? Alguém já avisou a Eletropaulo? Será que volta antes do jogo terminar? Daí os minutos passam, e as pessoas começam a se entediar. Alguns vão jogar baralho, outros colam o radinho de pilha no ouvido, a molecada decide brincar de “esconde-esconde” porque é mais emocionante nessas situações e os mais impacientes perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo.

O tempo não dá descanso para os minutos e então eles passam. O tédio aumenta. Uns decidem se deitar, até porque a escuridão estimula o sono. Outros ficam quietos, pensativos, e o silêncio só é quebrado pelo barulho dos carros, pelas pessoas que descem do ônibus e se surpreendem ao ver a rua tomada pela escuridão, e pelos irritadinhos que perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo.

Daí, quando a maioria já está dormindo e a minoria está sonolenta, a energia volta. Todo mundo levanta e grita um uníssono “aeeeeeeeeeee”. Os olhos, já acostumados com a escuridão, doem um pouquinho por causa da luz, mas logo passa. Há aquela correria para apagar as velas e para ligar a televisão, alguns perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo e então a vida volta a ser como era, como se nada tivesse acontecido.

Acho que é dessa quebra de rotina que eu acho graça. São coisas que só acontecem quando a luz acaba :)

Ao som de Dominia - The Darkness of Bright Life.

12:27 | Cotidiano | 5 comentários


14/7/2007

Se táxi falasse, não pouparia nem o dono

Por Emerson Alecrim

TáxiSe você ainda não conhece o blog TAXITRAMAS, não sabe o que está perdendo. Seu autor, Mauro Castro, relata as diversas situações que enfrenta a bordo de seu táxi. Suas histórias são divertidas, inusitadas, comoventes, mas nunca entediantes.

Assim como o Mauro Castro conta suas histórias sob o ponto de vista de um taxista, hoje ouso relatar uma situação sob o ponto de vista de um passageiro. Não que eu consiga fazer isso com a mesma habilidade do Mauro, pelo contrário, mas isso serve para mostrar que nem sempre as esquisitices ocorrem apenas nos bancos dos passageiros.

A história aconteceu em 2004. Na época, eu saia todo dia do trabalho no horário do almoço e pegava um táxi para chegar até um cliente. Em um desses dias, eu estava com duas caixas abarrotadas de papéis, razão pela qual pedi ao taxista para usar o porta-malas. Ele me olhou com uma cara de assustado e disse que não daria para usar o porta-malas porque uma batida danificou a maçaneta, embora o carro estivesse inteiro. Mesmo desconfiado e nem um pouco convencido pela desculpa, concordei em deixar as caixas no banco traseiro.

Vinte minutos depois, cheguei ao prédio do cliente. Assim que desembarquei, uma mulher cheia de sacolas e acompanhada de duas crianças se aproximou do táxi. Perguntou se estava livre, e o taxista disse que sim. Tão logo eu tirei as caixas do banco traseiro, as crianças entraram devido à insistência da mulher. Percebi então que o taxista não teria outra alternativa a não ser colocar as sacolas no porta-malas. Então aguardei. Ele pediu à mulher para entrar no carro e se ofereceu para guardar as sacolas. Fiquei irritado no mesmo instante e fui questioná-lo sob o porquê de não ter permitido que eu utilizasse o porta-malas.

O taxista não sabia o que dizer e, com uma expressão de desespero no rosto, fez um sinal com a mão para que eu olhasse o que havia no porta-malas. Com receio, fui até a traseira do carro, mas mantive uma certa distância. Logo em seguida, o taxista abriu o porta-malas e eu pude ver, contendo os risos e a vontade de falar “bonito, heim?”, o que tanto lhe afligia. Havia uma boneca inflável bastante “atraente” ali dentro. O taxista colocou as sacolas todas de uma vez dentro do porta-malas, fechou a porta rapidamente e se mandou sem sequer olhar para mim.

Ele podia ter esvaziado a boneca e então tê-la guardada em uma sacola. Mas, sei lá, por algum motivo a boneca precisava ser mantida ali. Depois disso, fiquei imaginando se o taxista havia conseguido tirar as sacolas do porta-malas sem que a mulher visse aquele balão em formato grosseiramente feminino…

Ao som de Morgana Lefay - Blind.

10:09 | Cotidiano | comentar


29/6/2007

O futebol e eu

Por Emerson Alecrim

Se tornar um jogador profissional de futebol é o sonho de muitos garotos (e garotas) por aí. Eu mesmo já tive minha época de não perder um jogo do São Paulo ou da Seleção Brasileira por nada. Mas, a criançada está interessada mesmo é em jogar, e comigo não foi diferente. Na escola e no meu bairro, sempre jogava como goleiro, já que era péssimo em qualquer outra posição, mesmo a de gandula.

Nunca fui um excelente corredor, tampouco tinha firmeza suficiente para encarar uma dividida, mas sabia pular como um gato na bola. Conforme meus próprios colegas me diziam, eu me matava para defender o gol. Tinha em mente que, se era a única coisa que eu sabia fazer, tinha que ser bem feito, então não havia chute forte que me botava medo, campo ruim que me fazia evitar de pular, atacante que me intimidasse.

Fotos de trapalhadas no futebolMas o tempo foi passando, como é de sua natureza. O futebol já não era tão divertido quanto foi na minha época de moleque. Sei lá o que houve, mas senti que esse esporte foi perdendo a graça. Até que um dia, numa das raras vezes em que me arrisquei a jogar como zagueiro, levei um carrinho que me fez estourar o joelho ao cair no chão. Aquele dia foi terrível. Minha perna estava banhada de sangue e, minutos depois do ferimento, começou a doer horrores.

Quando me recuperei - o que não levou muito tempo -, voltei a jogar, mas estava cada vez mais desanimado com o esporte. Até que um dia, jogando futebol na escola, cometi um erro que não era do meu feitio, e isso me motivou a dizer “já chega”: a quadra da escola estava sem iluminação por causa da queda da energia, mesmo assim decidimos continuar jogando. Como eu jogo sem óculos (tenho astigmatismo), a luz me é imprescindível. Foi justamente a falta de luz que fez com que eu enxergasse tardiamente a bola vindo como um foguete em direção ao meu rosto. Não tive tempo suficiente para levantar os braços e proteger minha cara com as mãos, como é natural de se fazer nesses casos.

Apesar da dor momentânea, não foi nada grave e, após descansar por uns 10 minutos, voltei para o que seria a minha última partida. Depois disso, alguns colegas insistiram para que voltasse. Pensavam que o motivo da minha desistência foi a bolada e diziam que todo mundo tem um jogo ruim de vez em quando. De fato, naquele dia, eu não estava jogando nada bem, do contrário não teria levado tantos gols e não teria permitido que a bola agredisse o meu rosto. Mas isso já era conseqüência da minha crescente falta de interesse.

Isso foi com 16 anos. Na mesma época, deixei de me importar quando o São Paulo perdia, deixei de sentir raiva da zombação dos meus colegas corinthianos, deixei de achar que o título mundial era a coisa mais importante do mundo. Não comprei mais cadernos com o símbolo do São Paulo. Não sabia mais se o jogo de ontem foi pelo Campeonato Brasileiro ou pela Libertadores. Nunca mais assisti a um jogo inteiro, a não ser em época de Copa do Mundo.

Meu interesse por futebol simplesmente morreu. Algumas pessoas que não sabiam disso até se irritavam quando me perguntavam da partida do dia anterior e eu respondia que nem sabia que houve jogo. Aliás, isso acontece até hoje, quando converso com alguém que tenho pouco contato e o assunto se esgota. Na última segunda-feira, por exemplo, ao chegar ao trabalho, o segurança disse em tom de brincadeira que estava possesso da vida porque o seu Palmeiras havia perdido o último jogo. Dei uma risada cordial como resposta e fui embora. Mas, se fosse para eu ser sincero mesmo, simplesmente diria “meu amigo, me desculpe, mas para mim, tanto faz como tanto fez”.

Não que eu odeie futebol, tenho todo respeito, afinal, estou falando do esporte mais popular do país. Apenas acho que esse esporte nunca combinou comigo e eu nunca combinei com o ele. Na época em que ainda jogava, creio que foi apenas uma questão de tolerância de ambas as partes. Quando não deu mais, fizemos um acordo amigável e cada um foi para o seu lado.

Ao som de John Petrucci - Lost Without You.

7:58 | Cotidiano | 3 comentários


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