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12/4/2010

Quem diria: eu no Rodeio de Colorado!

Por Emerson Alecrim

Com a maioria dos meus parentes por parte de mãe morando em Colorado, no norte do Paraná, viajo para lá com certa frequência. Consequentemente, sempre ouço falar da festividade mais conhecida não só da cidade, mas de toda aquela região: a Festa do Peão de Colorado. Tão tradicional e popular é o evento que a cidade é considerada a capital do rodeio do Estado. Não por menos, sempre tive a curiosidade de conferir de perto como é esse acontecimento. Neste ano, tive essa oportunidade e confesso: foi uma das experiências mais divertidas que já tive.

Entenda: eu não tenho nada contra nenhum estilo de música. Mas, desde pequeno, sou acostumado a ouvir rock. Lembro até hoje de ficar ouvindo o vizinho escudar bandas como Pink Floyd, Guns N’ Roses, Deep Purple e Queen quando eu tinha uns 7 ou 8 anos. Embora minha família toda, por tradição, sempre tenha preferido música sertaneja, a influência do meu vizinho foi tamanha que hoje eu escuto não só diversos estilos de rock, mas também de metal. Tirando música clássica, que eu aprendi a gostar ouvindo bandas como Therion e Epica, e também pela sua existência em filmes e jogos, nunca consegui dar espaço para outros estilos musicais.

Sendo assim, não fazia sentido trocar os bares, shows e baladas mais, por assim dizer, “rock ‘n’ roll” que eu frequento de vez em quando por uma festividade com uma tradição sertaneja tão enraizada que faz ser normal encontrar boa parte das pessoas da cidade usando roupas de estilo country mesmo na manhã de um tedioso domingo. Mas, como experiências anteriores já me mostraram que mudar de ares de vez em quando pode ser muito divertido, tratei de saciar a minha curiosidade e, entre os dias 25 e 28 de março (2010), estive em Colorado para finalmente conhecer o tão falado rodeio.

E foi muito legal! O local do rodeio em si parece uma gigante balada a céu aberto: cheio de gente que vai pra lá para dançar, beber e, você sabe, “se dar bem”. É claro que as arquibancadas e camarotes da arena também enchem de pessoas querendo ver as montarias, apesar de eu ter percebido que muita gente só ia para essa área quando alguma dupla sertaneja subia ao palco para dar o seu show. Tudo bem, afinal, só estar lá já era o suficiente para aproveitar bastante.

O rodeio de Colorado em si

O Parque do Rodeio de Colorado é bem grande, então há, além da arena, área para alimentação, um pequeno parque de diversões, um lugar chamado “barraca” ou “barracão” criado especialmente para o pessoal dançar e até uma pracinha para sentar com os amigos, abrir uma cerveja e conversar ou, novamente, “se dar bem”. Aliás, devo frisar que as meninas de lá são muito atenciosas. Acredite, se você convidar alguma garota para dançar, muito provavelmente receberá um sim, mesmo daquelas mais bonitas e bem vestidas, que o passar do tempo nos ensina que, na maioria dos casos, são mais “difíceis”. Não que isso vá significar que no final da dança você vai conseguir “se dar bem” com ela, mas mesmo assim, é uma atitude que pode tornar sua noite bastante interessante. O detalhe é que você precisa saber dançar. Não precisa ser um expert no assunto, mas precisa saber alguma coisa…


Slideshow de fotos: é só clicar no Play

Mas, a parte que mais me impressionou não veio do rodeio em si, mas das ruas. Explico: no penúltimo dia do rodeio, centenas de pessoas de cidades vizinhas – e de outras nem tão perto assim – chegam com seus carros e barracas para acampar nas ruas de Colorado próximas ao Parque do Rodeio. Quando a “ocupação” é, por fim, estabelecida, os carros ficam com o som ligado, as pessoas pegam suas bebidas e todas tratam de começar a se divertir.

A diversão não para: atravessa a noite e vai até o dia seguinte. Andando no meio desse pessoal, você percebe que a preocupação de todos é uma só: curtir a vida. Vi coisas curiosas no meio desse povo: uma galera dançando com pessoas humildes que transitavam por ali, “cowboys” literalmente laçando meninas mais “desavisadas” que passavam por eles (nem todas gostavam, é verdade, mas não deixava de ser engraçado), uns caras andando nas ruas apenas de cueca, botas e chapéu (infelizmente, não vi nenhuma menina só de calcinha, mas juro que vi um sutiã jogado em um fio da rede elétrica), e até um rapaz que, tentando bravamente resistir ao cansaço, tratou de dormir em pé (sério!).

A animação era tão grande que nem a chuva desanimou o povo – a maioria, pelo menos. Ali, todo mundo era bem-vindo. Lembro que minutos depois de ter chegado às ruas “ocupadas”, parei na casa da tia de uma prima e, na residência ao lado, uma menina – lindíssima, por sinal – acenava constantemente para mim como se dissesse: “vamos, cara, se anima!”. Interessante também foi notar que a maior parte dos moradores das ruas “dominadas” tratou de entrar na farra também, em vez de simplesmente reclamar da bagunça. E para quem fica preocupado com a segurança, bom, pelo menos enquanto estive por lá, não vi uma única briga. Eu mesmo, tanto no rodeio, quanto nas ruas, recebia uma tapinha nas costas de “não foi nada” das pessoas cujos pés a bebida me fazia pisar. Sem contar que a polícia esteve todo o tempo por perto.

Rua de Colorado tomadas: é o tal do “fervo”

No dia 28, domingo, acho que somente os moradores de Colorado ou das cidades próximas assistiram ao encerramento do rodeio. Os demais, incluindo eu, voltaram para casa, dando novamente às ruas o seu natural clima de lugar pacato. Cheguei em São Paulo na segunda-feira de manhã, em torno das 06h30. No Metrô Barra-Funda, ainda acenei de longe para duas meninas que estavam no mesmo ônibus que eu. Elas responderam, certamente sem nenhum interesse maior, mas com ar de cumplicidade, como que para dizer que aquela multidão de pessoas que estavam ao nosso redor não fazia ideia do quanto nos divertimos em Colorado. E tenho a ligeira impressão de que vou encontrar elas e a toda a galera que vi por lá no rodeio de 2011 :)

Ao som de Edward Maya – Stereo Love (embora não seja sertaneja, essa foi uma das músicas que mais ouvi nas ruas de Colorado).

2:47 | Entretenimento | comentar


21/6/2009

Querido diário, sou eu, Doug!

Por Emerson Alecrim

Doug, assim como TinTin, faz parte da imensa lista de desenhos e animações da TV Cultura que alegraram a infância de muita gente em parte dos anos de 1980 e 1990. Doug, no entanto, tem uma característica peculiar em relação às demais produções: é um dos desenhos que retratam com maior fidelidade uma das épocas mais importantes na nossa vida, a chegada da adolescência.

O primeiro episódio já ilustra bem isso. Nele, a família Funnie se muda de Bloatsburg para Bluffington, e Doug leva consigo os receios de encarar uma vida totalmente nova. Eu sei o que é isso. Aos 9 anos de idade, eu tive que mudar de bairro e, portanto, abandonei amigos, vizinhos, escola e toda a familiaridade que eu tinha com o lugar em que eu morava desde que nasci. Para um adulto, esse tipo de mudança pode até causar pouco impacto, mas para uma criança a coisa é muito diferente. Doug retrata bem isso com suas incertezas sobre fazer novos amigos, saber onde ficam os estabelecimentos do local e assim por diante, tal como ocorreu comigo e com pelo menos boa parte das pessoas que vivenciaram mudanças de bairro ou cidade durante a infância/adolescência.

A Família Funnie
A Família Funnie

Uma característica marcante de Doug é a sua abertura fantástica à fantasia. Qualquer acontecimento é capaz de fazê-lo se imaginar na pele de um agente secreto, de um herói (o Homem-Codorna), de uma celebridade e assim por diante. E quem é que nunca fez isso? Quem é que nunca se imaginou enlouquecendo plateias ao ouvir uma música bacana e se colocar no lugar do cantor? Quem é que nunca se imaginou em um grande time de futebol ao jogar bola na rua?

Doug não usa sua imaginação meramente como forma de abstração, mas também como um mecanismo para lidar com os seus problemas. Por outro lado, esse truque também tem suas ciladas: muitas vezes, Doug se mete em uma enrascada e a sua imaginação faz aquele problema se transformar em algo maior, isto é, cria uma situação de “tempestade em copo d’água”. É o que aconteceu, por exemplo, em um episódio em que ele quebrou a churrasqueira de seu vizinho, o Sr. Dink, e o imaginou se transformando em um monstro dominado pela ira ao descobrir quem fez aquilo. Exagero puro, causado apenas por sua sensação de culpa, sentimento presente apenas nas pessoas de boa índole.

Os amigos e colegas de Doug são um show à parte. São totalmente diferentes um dos outros, já que ostentam gostos, condições financeiras e aspectos físicos bastante particulares (cada um possui uma cor de pele diferente, por exemplo). O destaque fica por conta de seu melhor amigo, Skeeter Valantine, um rapaz inquieto, não tão inteligente, mas receptivo, generoso, seguro de si, ciente das coisas que acontecem ao seu redor e um excelente confidente. Foi Skeeter que notou o quanto Doug estava perdido ao chegar a Bluffington e tratou de incorporá-lo à cidade.

Doug e Skeeter
Doug e Skeeter

No entanto, tal como acontece em qualquer escola, sempre há uma valentão na turma que vive infernizando a vida dos “bonzinhos”. Cabe a Roger Klotz esse papel, um “espertão” que passa a atormentar Doug desde a sua chegada à cidade, desafiando-o, tentando causar-lhe medo e assim por diante. Mas logo Doug percebe que Roger não é, necessariamente, uma pessoa ruim, mas um garoto perturbado e, pacifista como é, desde então, passa a tolerá-lo e até a perdoar suas investidas.

Roger Klotz
Roger Klotz

É impossível falar de Doug e seus amigos sem citar Patti Mayonnaise, seu “amor à primeira vista”. O garoto se apaixona completamente por ela e aqui é importante ressaltar os motivos: muitas vezes, nos sentimos atraídos por garotas lindas, de corpo escultural, maquiagem e cabelos bem feitos, e roupas perfeitamente combinadas, ou seja, somos atraídos por aquilo que os olhos veem. Porém, para nos apaixonarmos verdadeiramente por uma pessoa, é necessário uma combinação de fatores.

Patti Mayonnaise
Patti Mayonnaise

Doug se apaixona por Patti assim que a vê pela primeira vez. No entanto, o desenrolar dos episódios logo mostra que Patti não é apenas uma garota bonita: é simpática, estudiosa, divertida, esportista e comunicativa. Não é, tal como a personagem riquinha Beebe Bluff, o tipo de garota que monta um altar para si. No que conhecemos como vida real, quem é que nunca encontrou uma pessoa tão cheia de si que se acha intocável? Por sua vez, quem é que nunca simpatizou por uma pessoa que tinha tudo para ser esnobe (beleza física, dinheiro, status social, etc), mas que é atenciosa com todo mundo e não se acha melhor que ninguém? Patti Mayonnaise é assim.

Quem já sofreu com amores platônicos sabe que simplesmente cultivar uma amizade com a pessoa amada já é uma grande conquista. Doug parece saber disso, mas seus instintos o fazem tentar algo mais, mesmo sabendo que as chances de sucesso são remotas. Ou, nem tanto: às vezes é seu medo que atrapalha. De qualquer forma, o garoto valoriza cada segundo da presença de Patti, tanto que quem assiste não consegue evitar a torcida para que ele, finalmente, consiga beijar a senhorita Mayonnaise.

Nesse sentido, um dos episódios mais marcantes é um em que Doug e Patti vão ao cinema, sozinhos. É o encontro do século! Para Doug (e, talvez, para Patti), o filme é o que menos importa. Doug observa a mão de Patti no encosto da cadeira e pensa em segurá-la. Finalmente ele toma coragem para isso, mas Patti aparentemente percebe e tira sua mão para coçar o nariz. Uma nova oportunidade surge, Doug estava quase lá, mas novamente a garota parece perceber e, para disfarçar, oferece balas (ou algo assim) a Doug. É dramático! Na volta, Doug acompanha Patti até a sua casa. No momento da despedida, um rosto vai se aproximando do outro, quem assiste grita mentalmente “vai, vai, vai!”, mas na “hora H”, a menina desiste. O clima de decepção é inevitável, não só para Doug e para quem assiste, como também para seus colegas, que, pasme, estavam escondidos para ver o que aconteceria. O reconforto está no fato de que, ao menos, Patti ficou balançada. Assim que entrou para dentro de casa, subiu ao seu quarto e, da janela, observou o triste Doug ir embora…

Doug quase beija Patti

A relação de Doug com sua família é muito boa. Dificilmente o rapaz se envolve em conflitos com os seus pais, todavia, em uma primeira olhada, ele não se dá bem com a sua irmã mais velha, Judy Funnie. A garota, sempre envolvida com o seu desejo de se tornar uma grande atriz dramática, causa incômodos em Doug por pensar diferente e por vez ou outra colocá-lo em situações constrangedoras. Mas, no fundo, ambos se amam e demonstram isso nas ocasiões em que só resta a um pedir ajuda ao outro.

Não dá para deixar de falar de Costelinha, o cachorro de Doug, que de tão amigo é considerado membro da família, pelo menos por seu dono. É um animal incomum, capaz de dançar por iniciativa própria ou de participar de jogos de tabuleiro com Doug, por exemplo. Ninguém tem um cachorro tão inteligente, mas conheço muita gente que considera seu animal de estimação um amigo inseparável, tal como Costelinha o é. Assim como Doug afirmou mais de uma vez, “Costelinha é o seu melhor amigo não humano”.

Acredito que Doug fez muito sucesso não só por ser divertido, mas também por brincar com os nossos anseios de adolescente e por muitas vezes fazer com que nos identifiquemos com determinados episódios. Criado pela Nickelodeon, lamentavelmente perdeu parte da sua essência quando foi entregue nas mãos da Disney (embora eu não tenha considerado essa fase totalmente ruim). Nela, as personagens da série sofrem algumas mudanças e as histórias parecem não ter a mesma graça que antes. Talvez isso tenha feito com que a série fosse cancelada em 1999.

O que resta dizer sobre esse desenho é que foi bom enquanto durou, pena que nunca saberemos se Doug conseguiu deixar de ser apenas um bom amigo para Patti Mayonnaise… :)

Referências: Wikipedia, IMDb.

Ao som de Liv Kristine – Blue Emptiness.

21:54 | Entretenimento | 5 comentários


24/5/2009

Eita, povo curioso!

Por Emerson Alecrim

Dias atrás eu encontrei a Paloma no Metrô, uma ex-companheira de trabalho. Empolgados pela surpresa do encontro, fomos conversando sem parar durante o trajeto. Para a sorte da nossa conversa, desembarcamos na mesma estação. Quando subíamos a escada rolante, o celular dela tocou. Era o pai da Paloma avisando que estava nos arredores para buscá-la. Ela estranhou, pois o “velho”, de acordo com suas palavras, não tinha esse hábito, mas logo ele revelou que havia comprado um carro naquele dia e queria mostrá-lo.

Ela não estava conseguindo entender bem onde seu pai havia encostado o carro, só sabia que era na Radial Leste (para quem não conhece, uma gigantesca avenida em São Paulo paralela à linha 3 do Metrô). Então, me passou as características do veículo e me pediu para ajudá-la a localizá-lo visualmente, já que estávamos na passarela da estação que liga os dois lados da avenida.

Encontrei o carro e disse a ela “acho que é aquele ali”. Para confirmar, ela pediu por telefone para o seu pai fazer algum sinal com as mãos. Ele o fez, ela ficou feliz, se despediu de mim, pediu para que eu mantivesse contato e foi embora. Bom, na verdade, foi quase isso…

Ela foi embora, de fato, no entanto, não sem antes notar, absolutamente surpresa, que tinha umas 5 ou 6 pessoas ao nosso lado na passarela olhando para a direção que segundos antes apontávamos. Também surpreso, olhei fixamente para uma dessas pessoas, uma senhora do tipo que pelo olhar você percebe ser fuxiqueira. Ao perceber que estava sendo observada, no mesmo instante ela perguntou: “o que que vocês estão olhando? É algum acidente, é?”

A Paloma expressou sua indignação com a curiosidade do povo simplesmente olhando para cima e, antes de finalmente se mandar, me fez um último aceno. Quanto a mim, sugeri à senhora curiosa que continuasse olhando que logo ela descobriria o alvo de nossa atenção e, em seguida, também fui embora. Fui sem olhar para trás, porque se o fizesse, tenho certeza que encontraria um volume maior de pessoas olhando pela passarela, uma tentando descobrir inutilmente o que a outra estava vendo e, com isso, fazendo o grupo aumentar.

A situação toda ao menos me serviu para ter certeza de uma coisa: deixar um monte de gente morrendo de curiosidade é deveras divertido :)

Ao som de Nevermore – The river dragon has come.

16:44 | Entretenimento,Inusitado | comentar


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