Quem diria: eu no Rodeio de Colorado!
Por Emerson AlecrimCom a maioria dos meus parentes por parte de mãe morando em Colorado, no norte do Paraná, viajo para lá com certa frequência. Consequentemente, sempre ouço falar da festividade mais conhecida não só da cidade, mas de toda aquela região: a Festa do Peão de Colorado. Tão tradicional e popular é o evento que a cidade é considerada a capital do rodeio do Estado. Não por menos, sempre tive a curiosidade de conferir de perto como é esse acontecimento. Neste ano, tive essa oportunidade e confesso: foi uma das experiências mais divertidas que já tive.
Entenda: eu não tenho nada contra nenhum estilo de música. Mas, desde pequeno, sou acostumado a ouvir rock. Lembro até hoje de ficar ouvindo o vizinho escudar bandas como Pink Floyd, Guns N’ Roses, Deep Purple e Queen quando eu tinha uns 7 ou 8 anos. Embora minha família toda, por tradição, sempre tenha preferido música sertaneja, a influência do meu vizinho foi tamanha que hoje eu escuto não só diversos estilos de rock, mas também de metal. Tirando música clássica, que eu aprendi a gostar ouvindo bandas como Therion e Epica, e também pela sua existência em filmes e jogos, nunca consegui dar espaço para outros estilos musicais.
Sendo assim, não fazia sentido trocar os bares, shows e baladas mais, por assim dizer, “rock ‘n’ roll” que eu frequento de vez em quando por uma festividade com uma tradição sertaneja tão enraizada que faz ser normal encontrar boa parte das pessoas da cidade usando roupas de estilo country mesmo na manhã de um tedioso domingo. Mas, como experiências anteriores já me mostraram que mudar de ares de vez em quando pode ser muito divertido, tratei de saciar a minha curiosidade e, entre os dias 25 e 28 de março (2010), estive em Colorado para finalmente conhecer o tão falado rodeio.
E foi muito legal! O local do rodeio em si parece uma gigante balada a céu aberto: cheio de gente que vai pra lá para dançar, beber e, você sabe, “se dar bem”. É claro que as arquibancadas e camarotes da arena também enchem de pessoas querendo ver as montarias, apesar de eu ter percebido que muita gente só ia para essa área quando alguma dupla sertaneja subia ao palco para dar o seu show. Tudo bem, afinal, só estar lá já era o suficiente para aproveitar bastante.
O rodeio de Colorado em si
O Parque do Rodeio de Colorado é bem grande, então há, além da arena, área para alimentação, um pequeno parque de diversões, um lugar chamado “barraca” ou “barracão” criado especialmente para o pessoal dançar e até uma pracinha para sentar com os amigos, abrir uma cerveja e conversar ou, novamente, “se dar bem”. Aliás, devo frisar que as meninas de lá são muito atenciosas. Acredite, se você convidar alguma garota para dançar, muito provavelmente receberá um sim, mesmo daquelas mais bonitas e bem vestidas, que o passar do tempo nos ensina que, na maioria dos casos, são mais “difíceis”. Não que isso vá significar que no final da dança você vai conseguir “se dar bem” com ela, mas mesmo assim, é uma atitude que pode tornar sua noite bastante interessante. O detalhe é que você precisa saber dançar. Não precisa ser um expert no assunto, mas precisa saber alguma coisa…
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Mas, a parte que mais me impressionou não veio do rodeio em si, mas das ruas. Explico: no penúltimo dia do rodeio, centenas de pessoas de cidades vizinhas – e de outras nem tão perto assim – chegam com seus carros e barracas para acampar nas ruas de Colorado próximas ao Parque do Rodeio. Quando a “ocupação” é, por fim, estabelecida, os carros ficam com o som ligado, as pessoas pegam suas bebidas e todas tratam de começar a se divertir.
A diversão não para: atravessa a noite e vai até o dia seguinte. Andando no meio desse pessoal, você percebe que a preocupação de todos é uma só: curtir a vida. Vi coisas curiosas no meio desse povo: uma galera dançando com pessoas humildes que transitavam por ali, “cowboys” literalmente laçando meninas mais “desavisadas” que passavam por eles (nem todas gostavam, é verdade, mas não deixava de ser engraçado), uns caras andando nas ruas apenas de cueca, botas e chapéu (infelizmente, não vi nenhuma menina só de calcinha, mas juro que vi um sutiã jogado em um fio da rede elétrica), e até um rapaz que, tentando bravamente resistir ao cansaço, tratou de dormir em pé (sério!).
A animação era tão grande que nem a chuva desanimou o povo – a maioria, pelo menos. Ali, todo mundo era bem-vindo. Lembro que minutos depois de ter chegado às ruas “ocupadas”, parei na casa da tia de uma prima e, na residência ao lado, uma menina – lindíssima, por sinal – acenava constantemente para mim como se dissesse: “vamos, cara, se anima!”. Interessante também foi notar que a maior parte dos moradores das ruas “dominadas” tratou de entrar na farra também, em vez de simplesmente reclamar da bagunça. E para quem fica preocupado com a segurança, bom, pelo menos enquanto estive por lá, não vi uma única briga. Eu mesmo, tanto no rodeio, quanto nas ruas, recebia uma tapinha nas costas de “não foi nada” das pessoas cujos pés a bebida me fazia pisar. Sem contar que a polícia esteve todo o tempo por perto.
Rua de Colorado tomadas: é o tal do “fervo”
No dia 28, domingo, acho que somente os moradores de Colorado ou das cidades próximas assistiram ao encerramento do rodeio. Os demais, incluindo eu, voltaram para casa, dando novamente às ruas o seu natural clima de lugar pacato. Cheguei em São Paulo na segunda-feira de manhã, em torno das 06h30. No Metrô Barra-Funda, ainda acenei de longe para duas meninas que estavam no mesmo ônibus que eu. Elas responderam, certamente sem nenhum interesse maior, mas com ar de cumplicidade, como que para dizer que aquela multidão de pessoas que estavam ao nosso redor não fazia ideia do quanto nos divertimos em Colorado. E tenho a ligeira impressão de que vou encontrar elas e a toda a galera que vi por lá no rodeio de 2011
Ao som de Edward Maya – Stereo Love (embora não seja sertaneja, essa foi uma das músicas que mais ouvi nas ruas de Colorado).
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