Essa comoção toda causada pela estreia do último filme da série Harry Potter nos cinemas me fez considerar este o momento ideal para escrever este post. Ideal porque traz à tona uma pergunta que me fiz assim que terminei de ler o último livro da série: por quê?
Tal como eu disse no Twitter, você pode até torcer o nariz, mas não tem como negar: Harry Potter se transformou em um marco para a literatura e para o cinema. E, desde que eu li o último livro da série, me pergunto: por que isso acontece? O que Harry Potter tem de tão especial? Fazendo uma piadinha sem graça, tamanho sucesso é oriundo de um “feitiço” de sua autora?
Como fã de livros, confesso que não tenho Harry Potter no topo da minha lista de publicações preferidas – este posto é ocupado pela trilogia O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings). Mas não posso dizer que a obra de J.K. Rowling não me fez efeito: li os sete livros em duas semanas, quando meu plano era ler apenas um neste período. Também não vou negar que nas páginas finais do último livro fiquei bastante angustiado. E novamente me pergunto: por quê?
Neste mundo fantástico criado por J.K. Rowling, a magia é, assim como o bom humor, apenas um elemento enriquecedor. Cheguei à conclusão de que, talvez, o que fascina mesmo as pessoas são os valores expostos na obra, com destaque para a amizade.
A amizade puxa varios outros sentimentos que valorizamos, mesmo quando não percebemos, entre eles, lealdade, confiança e, como não poderia deixar de ser, amor. Por mais clichês que pareçam, são valores que prezamos, com mais ou com menos intensidade. O que estou querendo dizer é que o que vemos nos livros – ou nos filmes – de Harry Potter são os reflexos de sentimentos que já experimentamos ou que desejamos ter para nós. Como consequência, simplesmente nos envolvemos com a história.
Se você estiver no pior lugar do mundo, essa situação pode não ser tão ruim ser houver boa companhia ao seu lado. E é justamente esse aspecto que faz toda a diferença na trama de Harry Potter. A história retrata sentimentos que fazem parte do cotidiano das pessoas, como tristeza, solidão, medo e ira, elementos esses que são superados mais facilmente com o apoio de braços amigos. E quem é que não gosta de saber que sempre tem com quem contar? Quem é que não sente falta de uma grande amizade que se desfez por algum motivo? Quem é que não gosta da sensação de querer bem e ser querido?
E tem mais: a obra também mostra que, por mais que a amizade seja uma diferencial, muitas vezes temos que enfrentar determinadas situações sozinhos. Em outras palavras, temos que tomar decisões.
Pois é, J.K. Rowling conseguiu explorar bem os pontos fracos da humanidade ou, se se você me permite ser mais otimista, os nossos pontos fortes. Como se não bastasse, complementou sua obra com as infinitas possibilidades da fantasia, que não só divertem e encantam, como também convidam o leitor/expectador a reavaliar aquilo que, ao longo da vida, aprendeu a encarar como sendo impossível.
Por conseguir simular tão bem essa parte da essência humana, J.K. Rowling garantiu um lugar na lista dos escritores mais admirados de todos os tempos e, como prêmio maior, verá a sua obra ignorar a ação do tempo e fascinar geração após geração, não duvido.
Mas há uma coisa que nenhuma futura geração conseguirá extrair da trama: o clima de despedida que o filme Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2) trouxe. O próprio livro oferece isso, evidentemente, mas o filme o faz de maneira coletiva e global. Não é por menos que, na première realizada hoje (07/07/2011) em Londres, fãs, atores e a própria J.K. Rowling caíram no choro. Talvez este seja o último presente da saga: a noção de que tudo nesta vida tem um fim.
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Para encerrar, um pequeno brinde: algumas frases de uma das figuras mais admiradas de toda a história de Harry Potter, Alvo Dumbledore:
- São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades;
- Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver;
- Não tenha piedade nos mortos. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor;
- A indiferença e o abandono muitas vezes causam mais danos do que a aversão direta;
- As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres;
- As meias nunca são suficientes. Mais um natal chegou e passou e não ganhei nenhum par. As pessoas insistem em me dar livros;
- Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a grande aventura seguinte;
- A verdade é uma coisa bela e terrível e, portanto, deve ser tratada com grande cautela;
- Os jovens não podem saber como os idosos pensam e sentem. Mas os velhos são culpados quando se esquecem do que era ser jovem.
Ah, e mais uma coisa: se você só conhece a história de Harry Potter pelos filmes, recomendo veementemente que leia os livros
Ao som de The Rolling Stones – Stray cat blues.
Rua com camelôs no Paraguai
Shopping no Paraguai, bem perto da fronteira com o Brasil Andamos por mais ou menos três horas na Ciudad Del Este, tempo que me permitiu chegar às seguintes conclusões: o local, pelo menos nesta época, é excelente para comprar notebooks, câmeras digitais, tecidos e até perfumes. Mas encontrei muitos produtos de menor valor falsificados, como cartões de memória, pendrives, baterias, telefones celulares e relógios, muitas vezes com os vendedores tentando passá-los como produtos originais. De qualquer forma, uma coisa ficou muito clara: quem sabe negociar faz excelentes compras no Paraguai. Na volta, decidimos atravessar a Ponte da Amizade a pé. Quando chegamos no lado brasileiro, vimos um pequeno ônibus estacionado com destino à Puerto Iguazú, na Argentina. Não pensamos duas vezes: vamos pegá-los e procurar um lugar para almoçar por lá! Pagamos 3,20 reais e o ônibus saiu 5 minutos depois, só com a gente, situação que nos preocupou um pouco no início. Mas logo outros turistas entraram e passamos então a curtir a viagem. Quando chegamos na divisa com a Argentina, tivemos que descer e nos registrar junto às autoridades locais (aceitam somente RG ou passaporte). O procedimento foi rápido. Poucos minutos depois, já estávamos de volta para seguir viagem. Quando finalmente chegamos em Puerto Iguazú, começamos a procurar algum lugar bacana para almoçar. A namorada do meu primo conhecia um pouco da região, mas mesmo assim tivemos que pedir informações. Devo frisar: os argentinos foram bastante simpáticos com a gente.
Entrada de Puerto Iguazú. Pena que não deu para pegar o nome inteiro Achamos um lugar legal, que vendia um prato que visualmente lembra uma pizza, mas que possui uma massa mais grossa e muito mais saborosa. Simplesmente uma delícia! Meus olhos também brilharam quando vi na geladeira do estabelecimento uma Heineken de quase 1 litro. Só não passei vontade porque Cascavel está bem servido de Heineken:
Fachada de um bar em Cascavel
Esse mesmo pessoal estava no ônibus da ida também Chegamos no parque em torno das 14h00. Na hora, deu um desânimo quando vimos a quantidade de pessoas para entrar: havia uma fila enorme para comprar ingressos, uma segunda fila três vezes maior para entrar e, como se não bastasse, um terceira fila para pegar o ônibus que nos deixaria perto das cataratas. Pegamos o veículo em torno das 15h30. Por sorte, conseguimos entrar em um ônibus de dois andares, cujo andar superior é aberto. Apesar do sol, queríamos contato com a natureza desde já, então ficamos na torcida para não pegar um ônibus normal, com ar condicionado. No Parque Nacional do Iguaçu, o visitante pode escolher vários roteiros. Optamos pelo o que me pareceu depois o mais popular: a Trilha das Cataratas, com extensão de aproximadamente 1,2 quilômetro. Eu recomendo fortemente este trajeto: além das paisagens, você vai “descobrindo” as cataratas as poucos. Até encontramos um quati no caminho:
Olha o páss… Digo, olha o quati! A parte mais awesome, é claro, foi o momento em que chegamos na passarela que entra no meio daquele mundo de água. Foi o banho mais agradável que eu já tomei na vida! Não só pelo calor, mas porque estar ali parece mesmo um lance mágico! Ou algo assim.
Parque Nacional do Iguaçu O passeio ainda não estava terminado: havia uma parte mais alta, bem mais próxima às quedas d’água, que não poderíamos deixar de visitar. Podíamos ir de elevador ou retomar a trilha. Apesar do cansaço, preferimos este último e não nos arrependemos: encontramos até uma bica de água limpa para reabastecer nossas garrafas. Durante todo o passeio, várias pessoas pediam para tirar fotos delas com seus companheiros. Na passarela, cheguei a me oferecer para fazer isso com um casal de japoneses que, por causa do vento e da água, não conseguiam tirar uma foto juntos. Aceitaram na hora, todos sorrisos. “Thank you, thank you, thank you”. Também encontrei um senhor com sotaque nordestino: “ô mininu, tire uma fotografia minha, vá!”. Fazia tempo que eu não via uma máquina fotográfica de filme, mas fiz questão de caprichar, afinal, parecia muito importante para aquele senhor registrar o momento.
Passarela nas Cataratas do Iguaçu Na hora de ir embora, mais uma fila gigantesca para pegar o ônibus. Sorte que andava rápido. Não por menos, foi o dia em que o parque mais recebeu visitantes: 14.236 pessoas. Saímos de lá às 18h00. Seguimos até a rodoviária de Foz, fizemos um lanche e às 20h30 seguimos para Cascavel. Chegamos em casa em tornos das 23h00. Foi o tempo de tomar um banho e capotar na cama. Não sei quando, mas vou visitar as Cataratas do Iguaçu novamente. Mesmo não podendo homenagear o Pica-Pau descendo as cataratas num barril, VALE MUITO A PENA! Há inclusive um roteiro lá que inclui safari e outro que oferece passeio de canoa. Só espero que não seja requisito saber nadar 