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7/5/2008

Nunca menospreze um grão de areia

Por Emerson Alecrim

Eis a definição de areia, segundo a Wikipedia:

Areia é um material de origem mineral finamente dividido em grânulos, composta basicamente de dióxido de silício, com 0,063 a 2 mm. Forma-se à superfície da Terra pela fragmentação das rochas por erosão, por ação do vento ou da água.

Em efeitos práticos, areia é parte dos materiais usados na construção civil, serve para a extração de silício para a fabricação de chips e, se você estiver na praia, é aquele monte de pequenos grãos de nada que insistem em ficar entre os dedos dos seus pés ou em outros lugares, se você não tomar cuidado :D

Tirando isso, areia é somente e simplesmente areia, não tem nada que mereça maior atenção. Era o que eu pensava até que, por acaso, descobri que alguém resolveu ver esses grãos mais de perto. E aí a surpresa: até esse insignificante material tem lá a sua beleza. Uma beleza oculta pela nossa incapacidade de enxergar coisas extremamente pequenas, mas que existe:

Bacana, não? Dá para imaginar que simples grãos de areia podem esconder tantos detalhes? Essas duas fotos microscópicas foram extraídas da galeria exibida nesta página, que inclusive fornece explicações sobre as imagens. Dê uma olhada nela para ver as outras fotos disponíveis. Depois de visualizá-las, imagino que você, assim como eu, nunca mais verá um punhado de areia como um mero punhado de areia… :)

Ao som de Elis - Remember the promisse.

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2/3/2008

Doze anos sem Mamonas

Por Emerson Alecrim

Hoje é 2 de março de 2008. Há exatos 12 anos que o Brasil vivenciou uma das suas maiores tristezas: a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. Mesmo depois de todo esse tempo, eu me lembro com detalhes daquele dia, ou melhor, da manhã do dia seguinte, quando soube da notícia. Era domingo, pouco mais das 11 horas da manhã, e eu havia acabado de acordar. Liguei a televisão, que sintonizou o canal 4, do SBT, com imagens ruins. Desde aquela época eu já não simpatizava muito com os programas dominicais, mas antes que eu pudesse trocar de canal, vi e ouvi o apresentador Gugu Liberato anunciar a tragédia.

Eu tinha 12 anos em 1996. Assim como qualquer criança da época, eu adorava a banda. Sabia as letras de quase todas as músicas dos Mamonas Assassinas e assistia a todos os programas de TV em que eles apareciam. Sentado no sofá, sozinho na sala, ficava mudando de canal para ter certeza de que havia entendido bem, afinal, como disse, a TV não exibia as imagens do SBT corretamente. Após sintonizar pela terceira ou quarta vez a TV Globo, aquela musiquinha de arrepiar do Plantão da Globo tocou e, instantes depois, um repórter forneceu mais detalhes sobre o acidente aéreo que tirou a vida dos Mamonas Assassinas.

Capa do CD dos Mamonas Assassinas

Então era verdade. Dois anos depois de ter sentido toda aquela angústia pela morte do Ayrton Senna, lá estávamos nós novamente diante daquela sensação ruim. A sede por detalhes era grande. Naquela época, eu sequer imagina que um dia utilizaria a internet para obter qualquer tipo de informação. Por conseqüência, eram rádios e TVs ligados. Em menos de uma hora, todos da casa já sabiam do ocorrido e, nos corredores do meu prédio, os vizinhos comentavam o assunto. E será que havia alguém que falava de outra coisa?

A TV já exibia imagens aéreas do local do acidente. Assim como muita gente, eu ficava na expectativa do repórter anunciar que ao menos um sobrevivente havia sido encontrado. Em vão. A dimensão da tragédia não deixou espaço para que alguém escapasse vivo do acidente. As imagens eram torturantes: exibiam demoradamente corpos cobertos sendo transportados por um helicóptero até um terreno próximo. Quando anoiteceu, não restou outra coisa, a não ser acompanhar mais detalhes sobre a tragédia no programa Fantástico…

E se passaram 12 anos. O que mais me espanta e, na verdade, o que me motivou a escrever esse texto, é o fato de, vez ou outra, eu ver crianças cantando uma música dos Mamonas Assassinas. Veja bem, eu estou falando de crianças que eram bebês no ano em que eles morreram ou que sequer tinham nascido! É claro que elas nunca saberão do quanto era bacana ver os Mamonas em ação na época do seu auge e muito menos terão idéia do estado de choque que o Brasil ficou com a tragédia. No entanto, o fato dessas crianças reconhecerem as músicas do grupo e até se divertirem com elas nos dias atuais, indica que os Mamonas Assassinas não vieram apenas para fazer sucesso e para fazer o povo rir. Vieram também para fazer história!

Ao som de Mamonas Assassinas - Vira-vira.

15:56 | Interessante | 13 comentários


24/2/2008

Mappin, venha correndo, Mappin!

Por Emerson Alecrim

Lá estava eu, belo e tranqüilo, ouvindo meu MP3-player no ônibus, ao voltar para casa. Em um dos bancos da frente, uma mulher se levantou e se dirigiu à porta traseira para desembarcar. No exato momento em que ela passou por mim, tive que me controlar para não dizer “eita, p%£³#!”. Não, não havia nada de errado ou de esquisito com a mulher, exceto o fato de ela estar carregando um objeto que faz parte do passado: uma sacola do Mappin.


Logotipo do Mappin [1]

Foi sensação de nostalgia pura, entende? O Mappin completará 10 anos de falência em 2009, o seu fechamento deixou todo mundo perplexo na época, eu vi as pessoas comentando sobre o fato ao invés de comentarem sobre o jogo de ontem, e quem era cliente fiel da loja, tal como minha mãe, ficou um bom tempo sem ter um local preferido para as suas compras. Para muitos, uma única loja do Mappin era mais interessante que um shopping inteiro, inclusive para mim: a unidade localizada na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e que era um símbolo de São Paulo. Exagero? Não, meu amigo, o Mappin morreu com 86 anos de idade, praticamente viu São Paulo crescer e cresceu junto com a cidade…

De acordo com este artigo de Abramo Nicola Battilana, o Mappin nasceu com o nome Mappin Stores, em 1913, pelas mãos astuciosas dos irmãos ingleses Walter John Mappin e Herbert Joseph Mappin. Na época, contava com 11 departamentos, 40 funcionários e estava localizado na rua XV de Novembro. Seis anos mais tarde, a loja passou a ocupar um prédio na Praça do Patriarca, já contando com 34 departamentos e mais de 200 empregados.


Mappin Praça do Patriarca, em 1937 [2]

Em 1939 - olhe só, a época em que meus avós curtiam a juventude - o Mappin se mudou para o que se tornaria a sua loja mais famosa: o prédio João Brícola, próximo ao conhecidíssimo Viaduto do Chá e em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Essa era a loja que eu mais gostava de ir, pois era enorme! Em um andar havia só brinquedos, em outro, somente roupas, e assim por diante.

No início, o Mappin foi um lugar bastante requintado, vendia apenas produtos importados e oferecia serviços como salão de chá e barbearia à população mais nobre de São Paulo. Esse cenário mudou quando o empresário do café Alberto Alves Filho assumiu a operação da empresa, no início da década de 1950, devido às dificuldades que os antigos controladores tinham em se adaptar à nova realidade econômica do estado. Foi essa mudança que fez com que o Mappin passasse a comercializar produtos nacionais e atrair uma clientela com menos recursos financeiros.


Mappin Ramos de Azevedo
Comemoração da Copa de 1970 [3]

Alberto Alves Filho permaneceu no comando do Mappin até a sua morte, em 1982. Durante esse tempo, fez o Mappin ser inovador em muitos aspectos: aumentou o número de lojas, implementou o sistema de pagamento por crediário (isso em 1953), montou uma financiadora e, em 1972, criou o sistema de crédito automático. Ainda cuidou da modernização de suas lojas, fazendo estudos para a implementação de sistemas de automação.

Tanto trabalho fez do Mappin uma empresa admirada. Uma pesquisa feita pelo Gallup, em 1984, mostrou que 97% da população paulistana conhecia o Mappin, sendo que 64% dos entrevistados já havia feito compras na loja. Neste mesmo ano, a revista Exame concedeu ao Mappin o título de “Melhor empresa no varejo dos últimos 10 anos”. Era uma companhia fantástica até mesmo para os funcionários, basta perguntar aos ex-colaboradores da empresa para comprovar isso!

Mesmo com o falecimento de Alberto Alves Filho, o Mappin seguiu crescendo. Abriu várias unidades, inclusive em shoppings, e continuou com a sua política de oferecer os mais variados produtos. No entanto, em 1995, uma notícia fez os alicerces do Mappin se abalarem de tal forma que nunca mais houve recuperação: a empresa anunciou o maior prejuízo de sua história, no valor de 19,46 milhões de reais.

Em 1996, o grupo Casa Anglo, que controlava o Mappin, vendeu a Financiadora Mappin para o BBA Credistaltant por 50 milhões de reais. No mesmo ano, foi a vez do Mappin em si ser vendido pela bagatela de 25 milhões de reais. O comprador foi uma empresa de nome United Indústria e Comércio, pertencente a Ricardo Mansur. Ainda em 1996, o empresário fechou a compra do banco Antônio de Queiroz, que mais tarde passou a se chamar Crefisul. As compras não pararam por aí: em 1997, foi a vez da também tradicional cadeia de lojas Mesbla ser adquirida.

Neste ponto, começa uma trama complexa, confusa e vergonhosa, tendo Mansur como principal vilão (para não dizer o único). A compra do Mappin não se mostrou errada, afinal, a empresa não estava bem das pernas, mas também não estava morta. No entanto, a ambição de Ricardo Mansur foi longe demais com a compra da Mesbla. Essa sim estava quebrada, e Mansur acabou investindo nela recursos do Mappin e do banco Crefisul, já que o seu “padrinho” Lázaro Brandão, ex-presidente do banco Bradesco e principal apoiador financeiro da aquisição do Mappin, não foi favorável à nova compra. Nada mais natural, afinal, Mansur fez jogadas financeiras arriscadas e estranhas nesse período e perdeu toda a pouca confiabilidade que tinha. Como resultado, o Banco Central acabou com a Crefisul, os fornecedores deixaram de receber os pagamentos devidos pela Mesbla e pelo Mappin, e, conseqüentemente, dezenas de processos de falência foram abertos contra ambas as empresas.


Mappin de Campinas logo após a falência [4]

Nem a contratação de José Paulo Amaral, executivo contratado para salvar ambas as empresas, foi capaz de impedir o inevitável: em 1999, a Justiça mandou o Mappin fechar as suas portas, assim como a Mesbla, colocando centenas de dedicados funcionários no olho da rua e fazendo com que São Paulo perdesse duas de suas mais tradicionais lojas de varejo. Mansur, é claro, nunca chegou a ficar “pobre” por causa disso…

A perda certamente se estende a todo o Brasil: se o Mappin ainda estivesse de pé, provavelmente estaria hoje presente em vários estados e, talvez, teríamos um rumo diferente para o comércio eletrônico no país. Pouca gente sabe, mas o Mappin chegou a comercializar produtos pela internet. De acordo com esta matéria de 16/09/1997 da Folha de São Paulo, o Mappin criou um site de vendas em 1996, mas fechou uma parceria com o UOL no ano seguinte para ampliar a oferta de produtos. Foi, portanto, uma das pioneiras do comércio eletrônico brasileiro e poderia ter tido um nome tão forte quanto o Submarino e a Americanas.com.

Aos paulistanos sobraram nomes como Casas Bahia, Americanas, Pernambucanas, Ponto Frio, Renner, C&A e, claro, os shoppings, mas nada lembra de perto os bons tempos do Mappin. Quem passa em frente ao prédio que o Mappin ocupou na Praça Ramos de Azevedo, não vai precisar ver uma mulher com uma sacola com os dizeres “Mappin” para se lembrar dos belos enfeites de natal, das vitrines chamativas, da variedade de produtos, das liquidações (que eram realmente liquidações) e do jingle da loja que tocava nos comerciais de TV:

“Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação!”

Referências: Época, Folha, Veja, Abramo N. Battilana.
Fotos: [1] Nostalgia 90, [2] Marici Bross, [3] Almanack Paulistano, [4] Unicamp/Jornal Correio Popular.

Ao som de Legion of Hetheria - Sacrifice.

22:21 | Interessante | 9 comentários


6/2/2008

Diretamente da Coréia do Sul: Melona!

Por Emerson Alecrim

O ano de 2007 passou sem eu ter feito uma única visita demorada à Liberdade, o bairro mais japonês de São Paulo. No entanto, estive por lá no último sábado, em companhia do Claudio Freitas. Andando pelas ruas do local, notei que uma infinidade de pessoas tinha algo que parecia um “picolé retangular” em mãos. Quase todos eram de uma cor verde clara, mas eventualmente aparecia alguém com um picolé no mesmo formato, mas rosa ou amarelo. Até que eu não resisti e perguntei ao Claudio se ele sabia o que era aquilo: simplesmente uma delícia chamada Melona!

MelonaEra tanta gente com Melona nas mãos e tantas lixeiras lotadas de embalagens vazias do produto (como estamos no Brasil, havia embalagens no chão também), que resolvi experimentar. Paramos em um ponto de venda e pedimos o Melona mais tradicional, de sabor melão. De início, não gostei de ter que pagar 3,50 reais por esse inusitado sorvete, mas levando em consideração que se trata de um produto importado, resolvi deixar de ser pão-duro por alguns segundos.

Após experimentar o Melona, me arrependi de ter ficado tanto tempo sem andar pela Liberdade. Cara, esse sorvete é muito bom! Além do delicioso sabor, o Melona parece um sorvete de massa, só que mais concentrado e consistente. Tem até cheiro! Gostei tanto, que pensei em experimentar os outros sabores que vi por lá (morango e banana), mas resolvi deixar para outro dia.

Assim que pude, procurei por mais informações sobre o Melona na internet, já que, até então, apenas sabia que esse é um sorvete desenvolvido na Coréia do Sul. Descobri algumas coisas curiosas. Uma delas é a de esse produto foi lançado em 1991 e, por vários anos, bateu recordes de venda. Ou fato é que, além da própria Coréia e da Ásia em si, o Melona também é bastante comercializado nos EUA e - adivinhe - no Brasil.

Mas não é todo mundo que vê o Melona com bons olhos, e os motivos são compreensíveis: não se pode dizer que o sorvete é saudável, afinal, é rico em corantes, conservantes e outras substâncias que, se não fazem mal à saúde, bem é que não fazem. Mesmo assim, não vejo problema em tomar um ou outro de vez em quando. Eu preciso lembrar disso: de vez em quando, de vez em quando…

Ao som de Dominia - With pain into eternity.

18:30 | Interessante | 5 comentários


30/11/2007

Era para ter sido o mais incrível avião do mundo…

Por Emerson Alecrim

Se ao menos tivesse voado. Estou falando do espantoso Airliner Number 4, uma monstruosa aeronave projetada em 1929 pelo americano Normal Bel Geddes. Esse brinquedinho foi desenhado para transportar até 606 passageiros e 155 tripulantes. Para divertir todo esse povo, suas instalações foram elaboradas para ter, entre outras coisas, uma biblioteca, um playground, dois bares, quatro quadras de tênis, um ginásio de esportes, uma loja, ar-condicionado, pista de dança e até salão de beleza. Ou seja, era praticamente um “cruzeiro voador”!

Airliner Number 4

É uma pena que nunca saiu do papel, mas eu não descobri o motivo. Se bem que não é difícil deduzir: esse avião é extremamente largo, o que o torna incapaz de pousar na maioria dos aeroportos do mundo. Além do mais, se um troço desse porte sofresse um acidente, seria uma catástrofe sem igual.

Airliner Number 4 - Modelo

E ainda fica uma dúvida que, creio eu, geraria discussões até entre engenheiros aeronáuticos: será que o Airliner Number 4 seria como os aviões de papel que eu fazia quando criança? Eles eram audaciosos e até bonitos, mas voar que é bom…

Caso queira mais informações, esta página possui uma interessante matéria sobre esse engavetado projeto.

Referência: cgredan blog.

Ao som de Tarja Turunen - I walk alone.

7:46 | Interessante | 1 comentário


18/11/2007

Evento de Tunguska

Por Emerson Alecrim

No mês passado, descobri no blog Microsiervos um link para o Astronomy Picture of the Day (APOD). Trata-se de um site da NASA que mostra uma imagem astronômica por dia, cada uma delas acompanhada de uma breve explicação. Como assino o RSS do APOD , diariamente vejo o conteúdo oferecido. Foi graças à imagem do dia 14 de novembro de 2007 que tomei conhecimento do espantoso Evento de Tunguska (Tunguska Event).

Aconteceu na manhã do dia 30 de junho de 1908, na Sibéria. Uma gigantesca bola de fogo foi vista cruzando o céu rapidamente e, instantes depois, houve uma monstruosa explosão (na verdade, uma seqüência de explosões) que, segundo o site APOD, foi cerca de mil vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. Uma área de mais de 2 mil quilômetros quadrados de floresta foi desvastada. A foto abaixo, tirada quase 20 anos depois do acontecimento e exibida no APOD, mostra um dos pontos atingidos.

Instantes após o acontecimento, alguns acreditavam que se tratava de um castigo divino. Outros, na chegada do fim do mundo. Houve também os que imaginaram se tratar do início de uma guerra ou, compreensivelmente, da continuação de uma. E as incertezas eram infinitas, pois muita coisa estranha aconteceu. Por exemplo, algumas regiões da Europa e da Ásia praticamente não tiveram noite e muitos relataram a ocorrência de luzes estranhas no horizonte. Apesar disso, não houve nenhum alarde de nível mundial, mesmo porque a região atingida era pouco habitada e a preocupação com os conflitos de guerra em outros locais eram maiores.

O assunto, na verdade, poderia até ter caído no esquecimento, se não fosse o trabalho de alguns pesquisadores, entre eles, Leonid Alexejewitsch Kulik. Especialista em meteoritos, Kulik começou as pesquisas sobre o assunto trabalhando com a hipótese de um meteorito ter se chocado contra a Terra. Na expectativa de encontrar a cratera oriunda do impacto, Kulik organizou uma expedição para explorar a região, isso em 1927 (foi desse trabalho que surgiu a foto mostrada acima e outras). O pesquisador não encontrou a tal cratera, mas se deparou com uma área estranhamente devastada, onde as árvores estavam totalmente inclinadas. É de esperar que essa inclinação tenha sido causada pela força da explosão, mas Kulik também encontrou árvores retorcidas em formato espiral, pontos isolados preservados totalmente, árvores que se mantiveram totalmente em pé, mas sem galhos e folhas, troncos e terrenos parcialmente queimados, entre outras coisas espantosas.

O fato é que, até hoje, não se tem certeza do que aconteceu. Kulik acreditou se tratar de um meteorito, outros pesquisadores trabalharam com a hipótese de um cometa, também houve os que atribuíram o evento a um pequeno buraco negro e até a uma nave extraterrestre. No entanto, a possibilidade do acontecimento ter sido causado por um teste de uma arma de destruição me chamou mais a atenção. Na época, supõe-se que um físico de nome Nikola Tesla - nada menos que o inventor, entre outras coisas, dos “circuitos trifásicos” - precisasse efetuar uma demonstração de sua arma (denominada “Raio da Morte”) para conseguir mais dinheiro para suas pesquisas. Sendo assim, ele disparou a sua arma para o Pólo Norte, mas algum erro fez com que a região atingida fosse Tunguska. Isso, até certo ponto, pode ter explicado o surgimento de fenômenos estranhos nos momentos seguintes após a explosão, como as visualizações de áreas luminosas no horizontes e as tais noites que viraram dia: sabe-se que o físico trabalhava inclusive com pesquisas que pudessem criar climas artificiais, e o material energético usado em seu invento poderia ter alguma influência disso.

Existem várias hipóteses para a ocorrência da explosão porque, embora cada uma seja acompanhada de explicações lógicas, nunca foi possível comprová-las totalmente. Se se trata de um meteorito, de um cometa ou de uma nave extraterrestre, onde estão os vestígios? A explosão (e as aparentes pequenas explosões que se seguiram) não deixaram rastro de qualquer material que pudesse indicar a sua causa. Até hoje surgem notícias de pesquisadores que teriam encontrado uma cratera ou restos de materiais que podem desvendar o mistério, mas nada, nada ainda foi comprovado.

Em 2008, o Evento de Tunguska completará uma século, comemorando 100 anos de dúvidas, incertezas e boatos. Para muitos, isso pode ser bom, pois alimenta toda a sensação de mistério existente em torno da história, mas para outros, especialmente para os pesquisadores, isso não tem tanta graça assim, afinal, se até hoje não se tem certeza do que aconteceu, como é que poderemos evitar que uma catástrofe igual ou pior ocorra novamente?

Referências: APOD, Instituto de Geociências da UFGRS, Tunguska Home Page (Universidade de Bolonha).

Ao som de Galadriel - Remenbrance.

10:59 | Interessante | 3 comentários


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