Cada país com os carros que merece
Por Emerson AlecrimÉ verdade que eu nunca me interessei muito por carros, mas uma conversa em grupo pode tornar qualquer assunto interessante, por mais enfadonho que lhe seja. Foi então que, num descontraído bate-papo com colegas durante o almoço, discutimos sobre o carro ideal para cada um. Dessa conversa, descobrimos que, na atualidade, o Fiat Doblò seria o carro com melhor relação custo-benefício para a maioria dali. Embora uma minoria discordasse nesse ponto, todos concordaram que, se fosse para comprar esse modelo, seria por seus recursos, não por sua estética - o Fiat Doblò é feio demais.
É claro que essa é uma questão de gosto, e mesmo quando iguais, cada um tem o seu. Eu até que não acho o Doblò tão feio assim, mas dei boas risadas quando um dos colegas disse que ele tinha o formato de um “sapato desenhado por uma criança”. Por outro lado, é um carro espaçoso, que oferecesse boa visibilidade ao motorista, é capaz de transportar até sete pessoas, tem um monte de porta-objetos, anda bem tanto no ambiente urbano quanto nas estradas, enfim.

Antigo Doblò, ainda à venda no Brasil (até a data deste texto)
A conversa acabou junto com o almoço, mas serviu para que eu quisesse saber mais desse carro, então fui procurar por mais informações a respeito no Google. Sabe o que eu achei? Uma versão bem mais apresentável do Doblò sendo comercializada na Europa! Visitei o site da Fiat inglesa. Lá estava ele. Depois, fui ao site da Fiat italiana. Lá estava ele. Em seguida, fui ao site da Fiat alemã. Lá estava ele, um carro que, além de rico em recursos, finalmente se tornou mais bonito!

O novo Doblò, muito mais apresentável
Apesar de saber que é prática comum das montadoras disponibilizar seus lançamentos no Brasil somente depois de meses ou anos, confesso que me irritei. Daí comecei a olhar os outros carros. O mais simples que encontrei foi o Fiat Panda que, penso eu, poderia a anos ocupar o lugar do Fiat Uno por aqui. E não seria sem tempo: salvo engano, o Uno deixou de ser fabricado na Itália em 1995! Mas se levarmos em conta que o Panda possui recursos muitas vezes comparáveis e até superiores ao Palio, creio que isso nunca acontecerá.
Falando em Palio, decidi pesquisar por ele, afinal, é um carro que não deixa de ser interessante. Não demorei quase nada para descobrir que o Palio foi projetado especificamente para países em desenvolvimento, motivo pelo qual só é possível encontrá-lo no Brasil, na Índia, na África do Sul, na China, entre outros países menos privilegiados. Aliás, a África do Sul é bastante parecida com o Brasil quando o assunto é Fiat, já que conta com o Fiat Uno e o Palio, por exemplo. Bem verdade é que os africanos não contam com o novo Palio (até a data em que escrevi esse texto) e com o Fiat Idea. Por outro lado, contam com várias versões do Panda e até com o novo Doblò, embora apenas na versão para transporte de cargas.
Se fizermos a mesma pesquisa com outras montadoras, encontraremos histórias parecidas. O problema é que o Brasil tem uma alta carga tributária e o poder aquisitivo dos brasileiros é menor se comparado a outros países, logo, não é de surpreender que tenhamos como novas coisas que já são até obsoletas lá fora. É claro que a culpa não é totalmente do governo, já que um pouco de boa vontade das montadoras ajudaria muito, como mostra a Honda que, até certo ponto, lança modelos no Brasil com configurações e prazos semelhantes aos da Europa e EUA.
Acredito que se a Fiat tivesse um pouquinho dessa boa vontade, já teria lançado o novo Doblò por aqui e feito diminuir as tão comuns críticas à (falta de) beleza do primeiro modelo. Mesmo assim, não agradaria a gregos e troianos: um dos meus colegas disse que, se for para adquirir um carro levando em consideração apenas espaço interno e capacidade de transporte, compraria uma Kombi…
Ao som de Vision of Atlantis - The Secret.
22:24 | Interessante | 1 comentário
Sim, os famosos e divertidos blocos de montar. Gostava tanto desse brinquedo que ano após ano pedia uma caixa de LEGO de presente para a minha mãe. Minha insistência era tanta que, na última vez, acabei ganhando um balde inteiro dessas peças!
Foi assim por um bom tempo, até que eu entrei na adolescência e perdi totalmente o interesse pelo assunto. Mas aí descobri que ontem, dia 10 de agosto, o brinquedo LEGO completou 75 anos de existência, daí me lembrei de tudo isso que contei acima. Puxa vida, 75 anos! Isso significa que até meus avôs poderiam ter brincado com LEGO durante a infância! É claro que com algumas limitações, já que os blocos de LEGO começaram a ser fabricados em peças plásticas apenas em 1947. Até então, eram feitos de madeira.


Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu concordo. Comer com pressa é ruim. Beber com pressa é ruim. Ler com pressa é ruim. Terminar um trabalho com pressa é ruim. Transar com pressa é ruim (especialmente às mulheres). Esse mundo é extremamente cheio de detalhes e somos incapazes de observar tudo, principalmente quando estamos com pressa. É por isso que algumas coisas merecem ser vistas em câmera lenta, para que tenhamos tempo de observar todos os detalhes e as riquezas envolvidas.