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26/8/2007

Cada país com os carros que merece

Por Emerson Alecrim

É verdade que eu nunca me interessei muito por carros, mas uma conversa em grupo pode tornar qualquer assunto interessante, por mais enfadonho que lhe seja. Foi então que, num descontraído bate-papo com colegas durante o almoço, discutimos sobre o carro ideal para cada um. Dessa conversa, descobrimos que, na atualidade, o Fiat Doblò seria o carro com melhor relação custo-benefício para a maioria dali. Embora uma minoria discordasse nesse ponto, todos concordaram que, se fosse para comprar esse modelo, seria por seus recursos, não por sua estética - o Fiat Doblò é feio demais.

É claro que essa é uma questão de gosto, e mesmo quando iguais, cada um tem o seu. Eu até que não acho o Doblò tão feio assim, mas dei boas risadas quando um dos colegas disse que ele tinha o formato de um “sapato desenhado por uma criança”. Por outro lado, é um carro espaçoso, que oferecesse boa visibilidade ao motorista, é capaz de transportar até sete pessoas, tem um monte de porta-objetos, anda bem tanto no ambiente urbano quanto nas estradas, enfim.

Antigo Doblò
Antigo Doblò, ainda à venda no Brasil (até a data deste texto)

A conversa acabou junto com o almoço, mas serviu para que eu quisesse saber mais desse carro, então fui procurar por mais informações a respeito no Google. Sabe o que eu achei? Uma versão bem mais apresentável do Doblò sendo comercializada na Europa! Visitei o site da Fiat inglesa. Lá estava ele. Depois, fui ao site da Fiat italiana. Lá estava ele. Em seguida, fui ao site da Fiat alemã. Lá estava ele, um carro que, além de rico em recursos, finalmente se tornou mais bonito!

Novo Doblò
O novo Doblò, muito mais apresentável

Apesar de saber que é prática comum das montadoras disponibilizar seus lançamentos no Brasil somente depois de meses ou anos, confesso que me irritei. Daí comecei a olhar os outros carros. O mais simples que encontrei foi o Fiat Panda que, penso eu, poderia a anos ocupar o lugar do Fiat Uno por aqui. E não seria sem tempo: salvo engano, o Uno deixou de ser fabricado na Itália em 1995! Mas se levarmos em conta que o Panda possui recursos muitas vezes comparáveis e até superiores ao Palio, creio que isso nunca acontecerá.

Falando em Palio, decidi pesquisar por ele, afinal, é um carro que não deixa de ser interessante. Não demorei quase nada para descobrir que o Palio foi projetado especificamente para países em desenvolvimento, motivo pelo qual só é possível encontrá-lo no Brasil, na Índia, na África do Sul, na China, entre outros países menos privilegiados. Aliás, a África do Sul é bastante parecida com o Brasil quando o assunto é Fiat, já que conta com o Fiat Uno e o Palio, por exemplo. Bem verdade é que os africanos não contam com o novo Palio (até a data em que escrevi esse texto) e com o Fiat Idea. Por outro lado, contam com várias versões do Panda e até com o novo Doblò, embora apenas na versão para transporte de cargas.

Se fizermos a mesma pesquisa com outras montadoras, encontraremos histórias parecidas. O problema é que o Brasil tem uma alta carga tributária e o poder aquisitivo dos brasileiros é menor se comparado a outros países, logo, não é de surpreender que tenhamos como novas coisas que já são até obsoletas lá fora. É claro que a culpa não é totalmente do governo, já que um pouco de boa vontade das montadoras ajudaria muito, como mostra a Honda que, até certo ponto, lança modelos no Brasil com configurações e prazos semelhantes aos da Europa e EUA.

Acredito que se a Fiat tivesse um pouquinho dessa boa vontade, já teria lançado o novo Doblò por aqui e feito diminuir as tão comuns críticas à (falta de) beleza do primeiro modelo. Mesmo assim, não agradaria a gregos e troianos: um dos meus colegas disse que, se for para adquirir um carro levando em consideração apenas espaço interno e capacidade de transporte, compraria uma Kombi…

Ao som de Vision of Atlantis - The Secret.

22:24 | Interessante | 1 comentário


11/8/2007

75 anos de LEGO

Por Emerson Alecrim

A minha familiaridade com os computadores faz com que muita gente pense que o meu interesse por essas máquinas surgiu na infância e que, portanto, um videogame ou até mesmo um PC foi o melhor presente que já ganhei quando criança. Grande engano! O melhor presente que já tive foi uma caixa de LEGO.

LEGOSim, os famosos e divertidos blocos de montar. Gostava tanto desse brinquedo que ano após ano pedia uma caixa de LEGO de presente para a minha mãe. Minha insistência era tanta que, na última vez, acabei ganhando um balde inteiro dessas peças!

O primeiro desafio, é claro, era o de montar o brinquedo conforme as instruções do manual. Lembro que o mais complexo foi um guindaste de seis rodas, isso porque eu me atrapalhava todo com a sua corda. Mas, depois que consegui montá-lo, o orgulho foi tanto que o deixei em exposição na estante da sala por uma semana.

Depois, vinham os “auto-desafios”, como construir casas. O objetivo era sempre construir uma casa mais bonita do que a outra. E a criatividade não se limitava a isso: era também necessário lidar com a falta de peças, já que sempre faltava uma, por mais blocos que houvesse.

E não parava por aí: carros, barcos, caminhões de lixo (eu deixava até um bonequinho pendurado atrás do caminhão, como se fosse um catador), ônibus, naves espaciais, carro de bombeiro, robôs gigantes (inspirados em séries como Jaspion), pirâmides (que se pareciam com tudo, menos com pirâmides), palcos de show, enfim, tudo era motivo para ser representado em LEGO.

LEGO de madeiraFoi assim por um bom tempo, até que eu entrei na adolescência e perdi totalmente o interesse pelo assunto. Mas aí descobri que ontem, dia 10 de agosto, o brinquedo LEGO completou 75 anos de existência, daí me lembrei de tudo isso que contei acima. Puxa vida, 75 anos! Isso significa que até meus avôs poderiam ter brincado com LEGO durante a infância! É claro que com algumas limitações, já que os blocos de LEGO começaram a ser fabricados em peças plásticas apenas em 1947. Até então, eram feitos de madeira.

Mesmo existindo a tanto tempo, esses blocos de montar estão longe de cair no esquecimento. São populares até hoje, embora não tanto no Brasil (até pela questão do preço) e, pelo jeito, serão agradáveis presentes para os meus netos. Assim espero :)

Referência: LEGO Corporate Information.

Ao som de Morgana Lefay - On the Other Side.

13:07 | Entretenimento, Interessante | 1 comentário


1/7/2007

Ilusão de óptica da silhueta que gira

Por Emerson Alecrim

Se você é do tipo que só acredita no que enxerga, deve tomar cuidado. Todas as imagens que você vê são “montadas” pelo cérebro através de um processo de aprendizagem. Prova de que isso é verdade são os truques de ilusão de óptica, isto é, artifícios visuais feitos para “enganar” o cérebro na formação de imagens.

Digite “ilusão de óptica” ou “optical illusion” em serviços de busca, e você encontrará bons exemplos em vários sites. Mas, abaixo mostro uma ilusão de óptica que descobri recentemente e achei fantástico! Se chama Spinning Silhouette Optical Illusion ou, em bom português, Ilusão de Óptica da Silhueta que Gira:

Ilusão de Óptica da Silhueta que Gira

Você talvez precise de certo esforço e tempo para perceber o efeito dessa ilusão de óptica. Na imagem, o desenho da silhueta de uma mulher aparece girando, mas dependendo da forma que você olha, o giro pode ser tanto no sentido horário quanto no sentido anti-horário. Se você olhar para um ponto qualquer próximo da silhueta (que não seja a própria silhueta) e mudar ligeiramente o foco da visão, poderá ter a impressão de que a silhueta parou de girar em um sentido e começou a girar em outro.

Conseguiu perceber o efeito? Incrível, não? Ainda não conseguiu? Então desista, pois só os inteligentes conseguem ver. Brincadeirinha! Continue tentando. O segredo é olhar para a imagem, mas não se focar na silhueta :)

Se quiser ver mais ilusões de óptica, visite este excelente site.

Ao som de Dark Moor - Green Eyes.

10:51 | Interessante | 7 comentários


8/4/2007

O menino da foto

Por Emerson Alecrim

Não lembro quando me dei conta disso, mas desde que compreendi que as fotografias também são uma modalidade de arte - e não me refiro às fotos manipuladas e manipulativas da Playboy - passei a ter cada vez mais interesse por elas. Já cogitei até fazer um curso de fotografia, visto que eu realmente consigo estragar o que seria uma boa foto quando estou com uma câmera fotográfica em mãos, mas não posso fazer disso uma prioridade, pelo menos não agora.

Se eu levar em conta que de fotogênico não tenho nada e que, portanto, qualquer foto da minha pessoa tem grandes chances de se parecer com uma aberração, só tenho um jeito de me manter ativo nessa modalidade artística chamada fotografia: admirando o trabalho de outros, o que, convenhamos, é um gesto quase tão nobre quanto ser o próprio artista.

Na busca por imagens que alimentem essa necessidade artística, encontrei uma foto que provavelmente todo mundo já viu alguma vez na vida: a menina da foto de 1972. Se você não ver a foto e eu disser que ela tem nudez, provavelmente pensará que se trata de alguma imagem de nu artístico ou erótica mesmo. Mas a foto contém características que capturam a essência da mais pura crueldade, como se alguém tivesse conseguido fotografar os sentimentos de dor e desespero, tal como se esses fossem elementos palpáveis.

A nudez explícita na imagem não é tão chamativa quanto às expressões de horror ao redor, mas causou-me arrepios quando soube que a menina estava sem roupas simplesmente porque estas se queimaram em seu corpo, enquanto corria instintivamente para escapar da dor e do horror. Que barbaridade a menina teria praticado para ser digna de tamanho castigo?

No dia 8 de junho de 1972, um avião bombardeou com napalm o povoado de Trang Bang, no Vietnã. Era ali que estava Kim Phuc, a menina da foto, e sua família. Ela e todos os que estavam ao seu redor foram alertados por soldados vietnamitas de que o templo em que estavam seria atacado, portanto, deveriam sair logo dali. Foi correndo que ela foi atingida, mas continuou.

O fotógrafo Nick Ut estava naquela região, quando viu Kim correndo em sua direção ao mesmo tempo em que gritava “muito quente, muito quente”. Foi quando ele tirou a histórica fotografia e, logo depois, socorreu a menina com ajuda de Christopher Wain, outro profissional que estava ali. Ut levou a menina, seus irmãos (que também aparecem na foto) e sua tia a um hospital, e só saiu de lá após estar seguro de que todos receberiam o devido tratamento.

Sabia que devia continuar correndo, mas eu era uma menina, e a todo instante eu parava para olhar. De repente, escutei as explosões e me vi rodeada de fogo, estava por todas as partes. Senti o fogo em meu braço esquerdo. Lembro que pensei: “Oh, não! Estou queimada, não serei mais normal”. Estava muito assustada. Minhas roupas se consumiram com o fogo. Agradeço a Deus por meus pés não terem se queimado, pois isso me permitiu seguir correndo. Kim Phuc à BBC.

Mas, assim como uma foto pode registrar um momento de dor e desespero, ela também pode registrar a força da resistência, a reação da natureza, o grito silencioso e ensurdecedor da vida impondo sua justiça. Após muitas cirurgias e um tratamento longo que exigiu, inclusive, sua permanência prolongada em Cuba, Kim Phuc apareceu em mais uma fotografia, onde ela mostrou parte das cicatrizes das queimaduras. Mas, isso é apenas um detalhe. Na verdade, a foto contém características que capturam a essência do mais puro amor, como se alguém tivesse conseguido fotografar os sentimentos de alegria e ternura, tal como se esses fossem elementos palpáveis.

Eis Thomas, filho de Kim Phuc, o menino da foto.

Referências: BBC, BBC (2).

Ao som de Epica - The Ultimate Return.

18:11 | Interessante | 3 comentários


20/2/2007

A vida em câmera lenta

Por Emerson Alecrim

Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu concordo. Comer com pressa é ruim. Beber com pressa é ruim. Ler com pressa é ruim. Terminar um trabalho com pressa é ruim. Transar com pressa é ruim (especialmente às mulheres). Esse mundo é extremamente cheio de detalhes e somos incapazes de observar tudo, principalmente quando estamos com pressa. É por isso que algumas coisas merecem ser vistas em câmera lenta, para que tenhamos tempo de observar todos os detalhes e as riquezas envolvidas.

Você já viu como dançam as chamas de um palito de fósforo no ato em que se incendeia? Já observou como um morango cai tão graciosamente em um copo com leite? Já notou o show de efeitos especiais que acontece quando se estoura uma bolsa de água? Já reparou no bater de asas tão sofisticado de uma abelha? Já se espantou com os movimentos complexos e ao mesmo tempo belos de uma pessoa nadando profissionalmente?

Se você nunca viu nada disso, ao menos tem a chance de fazê-lo vendo os vídeos dessa página. Parece que estou fazendo propaganda desse site, mas não é isso. É que, ao ver os vídeos, por um momento quis que as melhores coisas da vida acontecessem assim, em câmera lenta, para podermos aproveitar tudo, sem deixar escapar nenhum detalhe. Mas, tudo tem o seu tempo, por mais relativo que isso seja.

Ao som de Leave’s Eyes - For Amelie.

18:31 | Interessante | 5 comentários


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